quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pneu furado

Alguns professores do meu departamento e eu estamos assistindo a um curso sobre como fazer Educação à Distância. Como o curso prega ação mas só apresenta teorias, conceitos e o que não se deve fazer, não estamos cumprindo o curso integralmente e estamos fugindo do curso para dar nossas aulas na Unir.

Foi assim que me despedi das minhas colegas no centro e fomos pra Unir. Elas foram cada uma no seu carro, eu fui de Amarilda. Ana Rosa passou por mim buzinando. No fim da primeira subidona, notei que o meu pneu traseiro estava furado. Sempre fura o traseiro. E demorou pra furar esse pneu! O acostamento é muito mais sujo do que permitiria a minha sorte de trafegar por ali ilesa durante um mês e meio. Tirei o alforje da bicicleta, as ferramentas do alforje, a roda da bicicleta, o pneu da roda, o caco de vidro do pneu.

Se não sou eu a passar pelos peões de obra da BR 364, eles passam por mim. Dessa vez não me chamaram de 'princesa' (nem nada daí pra cima - ou pra baixo, dependendo do ponto de vista). Um deles gritou do alto do caminhão: aê, companheira, furou o pneu? Outro ofereceu ajuda.

Heloisa passou, parou, preocupada, deu ré e quis colocar a minha bicicleta no carro dela. Como só faltava encher o pneu e botar a roda de volta na bicicleta, rejeitei a oferta. Terminei de encher o pneu, ela segurou a bicicleta enquanto eu mirava a gancheira, ela entrou no carro e eu montei na bicicleta. Na descida antes da última (de duas) subidonas, ouvi um barulhinho atrás de mim. Como não estou acostumada a ter celular, não me liguei que era alguém querendo falar comigo.

Quando eu estava prendendo a Amarilda na grade do bloco dos departamentos, Ana Rosa veio do estacionamento em minha direção. Geane tinha ligado pra ela dizendo que eu estava na estrada, com a bicicleta no chão. Pediu pra ela ir me socorrer. Foi, não me achou e voltou. Quando cheguei no departamento, o meu chefe respirou aliviado. Geane também tinha ligado pra ele (que depois ligou no meu celular enquanto eu vinha), dizendo que eu estava na estrada, com a bicicleta totalmente desmontada e precisando de ajuda.

Achei legal que o peão me chamou de 'companheira', identificou logo que o pneu tinha furado e se solidarizou com a minha situação. Achei sintomático o drama que os meus colegas fizeram por não identificarem o meu pneu furado. Foi como se eu lhes tivesse dado a oportunidade para dizerem: Tá vendo? Eu te disse! É muito perigoso andar de bicicleta em Porto Velho! Sua bicicleta pode cair no chão e se desmontar!

2 comentários:

Leonardo disse...

será que se fosse alguém trocando o pneu do carro iriam achar tão complicado?

iglou disse...

É, talvez aí os heróis salvadores de donzelas tentando trocar pneu de carro sozinhas chegariam a galope.