segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Microphone abuser

Já falei mal do curso de web design em Ensino à Distância. Desisti do curso na tarde do segundo dia e sinceramente não me importo se não receber o certificado. Quem resistiu bravamente e seguiu o curso, beneficiando-se (apenas) dos coffee breaks que ofereciam banquetes tropicais, porém requintados, esperava que o palestrante propusesse alguma atividade, alguma prática, qualquer coisa que o tirasse da posição sonífera detrás do microfone.

Me disseram que antes da pausa para o almoço do último dia, ele de fato propôs a tão esperada atividade. Ficou combinado que depois do almoço os grupos apresentariam suas discussões e seus resultados. Mas depois do almoço o homem continuou agarrado ao microfone e o tempo foi se encaminhando, sem dó, para a reta final do curso.

Antes que o tempo se esgotasse completamente, a coordenadora do curso e pessoa que trouxe o palestrante, tomou-lhe o microfone. Informou que a realização deste curso era pra ela a realização de um sonho, falou um pouquinho de Educação e chorou. Chorou, chorou, chorou, como diz minha amiga. No microfone, claro.

* * *

Hoje o feriado antecipado do dia do funcionário público era ponto facultativo, ou seja, semi-feriado. O ônibus da linha Unir - Cidade baixou o número de viagens pela metade, nenhum professor deu aula, nenhum funcionário trabalhou. Não obstante, o curso de Contação de Histórias não foi cancelado.

E lá fui eu, aprender técnicas de contar estórias. A palestrante nos tratou como crianças de 5 anos, cantou musiquinhas de saudação, "que bom que você veio", disse que Einstein era o pai da Química moderna, que devíamos relaxar e nos conectar com a gravidade da Terra, que Deus era Luz e que ela tinha dado esse curso em Massachusta, Estados Unidos.

Passou uns slides com imagens de Jesus azul, Jesus com a coroa de espinhos e sangue escorrendo pela testa, anjinhos derrubando um balde de estrelas, Jesus e uma pomba gigantesca, cachoeiras, Jesus verde, flores, Jesus com criancinhas alegres. Por cima dessas imagens estavam palavras: mensagens profundas e ensinamentos sobre como a catequese é um momento ideal para se contar histórias.

Contou algumas estórias (bíblicas, claro) enquanto gesticulava com os dedos e nos fazia imitar seus gestos, enquanto manipulava um lenço com um nó no meio, enquanto vestia seus braços com duas meias de bolinhas, enquanto cantava musiquinhas de louvor. Nos botou de pé, em roda, imitando os gestos um do outro, enquanto cantava uma musiquinha repetitiva no microfone.

Depois do intervalo, abdicou do microfone. Nos propôs uma atividade: montar um livro. O meu ficou não muito diferente de todos os outros.

Todos nós recortamos e colamos e pintamos o material que nos foi entregue. Esse livro, como todos os outros livros-tartaruga, tem 3 páginas em branco. Estória que é bom, ninguém tem.

7 comentários:

Juliana Reis disse...

Lou
eu não sei se tenho mais medo do seu pensamento crítico ou das situações bizarras que acontecem hahaha.
Essa semana os toy seguem viagem e quem sabe vc não cria uma história Loucona para o livro da tartaruga ;)
bj

iglou disse...

Oba!

Denise Quitzau Kleine disse...

Oi, Lu!
Acho que junto com os certificados desses cursos você deveria ganhar um adicional insalubridade... Melhor seria se terminassem as atividades com as famigeradas dinâmicas de grupo. Ui!

Beijos,

Denise

iglou disse...

É, tia Dê!
Os meus amigos químicos recebem esse adicional de insalubridade por causa dos produtos tóxicos que manipulam. Em vez de traçar um paralelo entre as redações dos meus alunos com qualquer material corrosivo, ou relatar os efeitos que esse tipo de curso de formação tem sobre a minha úlcera, acho que eu simplesmente poderia pedir um adicional de insanidade.

Leonardo disse...

ri muito com os tipos de Jesus... vc acredita em Deus Lou?

iglou disse...

Vou tentar me esquivar da tua pergunta: minha sobrevivência não depende da minha crença (ou não) em Deus.

Leonardo disse...

ufa! eu também nao :D ah.. eu hoje em dia nao escondo mais isso, mesmo com o preconceito :/