domingo, 4 de outubro de 2009

Conhecendo PVH

Um dia desses, talvez um mês atrás, eu tava passando num mural da Unir Centro e reparei num cartaz. Anunciava um lance "da lua". Não lembrava se era trilha, caminhos, passeio ou expedição. Fiquei com a lua na cabeça e resolvi me inteirar da agenda cultural de Porto Velho.

Fui na Casa de Cultura de Porto Velho, perguntar se sabiam de alguma coisa da lua. Não, mas se eu quisesse ver a exposição Olhos da Mata, eu poderia ficar à vontade. O próprio artista estaria ao meu dispor se eu tivesse dúvidas ou comentários pra soltar. Quando insisti no negócio da lua, fui direcionada ao Mercado Cultural.

No Mercado Cultural disseram que não promoviam nada que tivesse lua no nome, e que eu talvez tivesse mais sorte no Teatro Banzeiros. Fui no teatro e conversei um tempão com um moço que disse ter visto o mesmo cartaz, e desconfiava que esse passeio da lua fosse alguma atividade que envolvia bicicleta.

Depois de conhecer todos os pontos culturais do centro, resolvi continuar a minha busca dos caminhos da lua na internet. Achei. Uma agência de turismo radical, chamada Amazônia Adventure, promovia a trilha da lua. Sim, eram passeios de bicicleta em noites de lua cheia. Era bom fazer inscrição antes, e fora a Amazônia Adventure, duas outras bicicletarias tinham formulários: aquela onde eu tinha comprado a Laranja Mecânica e a Rondobikers.

Um dia desses, talvez uma semana atrás, eu tava envolvida numa dessas longas conversas de portão que eu ando tendo com um dos meus vizinhos (ou a mãe ou o filho). Leandro lembrou que era legal pedalar lá pelos lados do presídio (local de trabalho dele). Mas era bom eu ir com alguém, de preferência armado.

Heloisa, professora de Literatura, lembrava que haveria um show de qualquer coisa no Mercado Cultural. Ou era no Banzeiros? Enfim, era comemoração dos 95 anos de Porto Velho e ela ia pra ver. Eu disse que ia também, pra participar da vida cultural de PVH.

Cheguei no Mercado Cultural e percebi que estavam se preparando prum show. Disseram que começaria dali a meia hora. Sozinha, eu chamava muita atenção. Resolvi andar e fui no Banzeiros, ver o que tinha lá. Tinha aquele moço lá me convidando pra voltar no dia seguinte, pra ver uma peça de teatro. Tá.

Voltei pro show e logo um senhor meio hippie-intelectual-que-despreza-o-comum veio conversar comigo. Fumava, bebia e suas mãos tremiam, assim como os músculos do rosto. Contou que ele tinha restaurado a fachada do Mercado Cultural e feito o desenho da praça. Depois me contou como conquistou a ex-esposa. O mais impressionante de tudo eram as andorinhas que se amontoavam aos montes nas árvores da praça. Milhares de passarinhos voando, piando e cagando. E nada da Heloisa aparecer pra me tirar do foco daquele cara. Decidi que a música do show não valia os xavecos do homem e fui embora.


Ontem, voltando da lavanderia, parei na frente da Amazônia Adventure. Fechado. Mais à frente, topei com a Rondobikers aberta. Entrei, fiquei sabendo que a trilha da lua seria naquela noite mesmo e fiz inscrição. Como era de noite, dava tempo de ir no teatro.

Às 17:00 eu tava lá, no Banzeiros, pra ver uma peça de teatro. Só quando paguei o ingresso é que descobri o nome da peça: O sequestro do lobo dançarino. O número desproporcionalmente maior de crianças ali me fez deduzir que se tratava de uma peça infantil. E era mesmo.

Cheguei às 20:00 no local marcado pra trilha da lua. Meninos de 15 anos, senhores de 50. Um total de talvez 12 pessoas uniformizadas. Mas o uniforme deles se restringia às roupas de ciclismo + capacete. Nem todos tinham farol na frente e só eu e mais um tínhamos luzinhas traseiras (vermelhas e piscantes). Uma Kombi da Amazônia Adventure ia na frente e uma ambulância fechava o cortejo. Nos afastamos da cidade e li a placa indicando a Colônia Penal.

A lua estava forte e a paisagem noturna estava interessante. Entramos num sítio onde estava rolando uma festa rave. O mato foi nos rodeando. Seguir pela trilha de terra no meio do mato alto sob a luz da lua foi como voar. Mas aí a floresta fechou e havia troncos atravessando a trilha, curvas em forma de joelho, tocos, lianas, lama e pinguelas. Desmontei e declarei que aquilo era complexo demais pra mim. Os meninos deram duas voltas na trilha, eu empurrei a Amarilda até onde eles sairiam depois de se divertirem no palco da próxima competição de ciclismo.

Depois do pedal, pizza. Na pizzaria, encontrei a amiga (professora da Pedagogia) da Heloisa (que chegou tarde no show de anteontem). Ela estava com umas senhoras que pareciam donas de casa. Eu estava com uns caras de capacete e roupas coloridas e apertadas.

Um comentário:

caculinha disse...

Hihi, as duas últimas frases...

Legais as suas aventuras por sua nova cidade. Bom saber que os seus contatos crecem, e a vida aí nao é menos parada que em outros lugares qe ano sejam metrópoles...

Mé tais!

Lacu(ss)a.