quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nós no mundo

Estou lendo Simon Singh, sobre o Big Bang. Percebo que divulgação científica é um gênero textual muito empolgante. Especialmente quando personas como Werner Heisenberg, Marcelo Gleiser, Fritjof Capra, Stephen Jay Gould, Richard Feynman (como eu poderia esquecer?) e Simon Singh, que têm o dom da escrita, escrevem sobre coisas altamente interessantes numa linguagem acessível. Lendo sobre o Big Bang, me dou conta de como o universo é infinitamente maior do que podemos conceber. Somos uma pulga no universo e estamos detonando o nosso planeta.

Aí lembrei de uma passagem do Teia da Vida, em que o Capra cita um cara que quer ilustrar como a humanidade é um fato recente para o planeta Terra - que estamos tentando destruir com poluição e salvar com palavras. Vou copiar a citação:

Para demonstrar quão tardiamente a espécie humana chegou ao planeta, o ambientalista californiano David Brower concebeu uma narrativa engenhosa, comprimindo a idade da Terra nos seis dias da história bíblica da criação.

No cenário de Brower, a Terra é criada no domingo à zero hora. A vida, na forma das primeiras células bacterianas, aparece na terça-feira de manhã, por volta das 8 horas. Durante os dois dias e meio seguintes, o microcosmo evolui, e por volta da quinta-feira à meia noite, está plenamente estabelecido, regulando todo o sistema planetário. Na sexta-feira, por volta das 16:00, os microorganismos inventam a reprodução sexual, e no sábado, o último dia da criação, todas as formas de vida visíveis se desenvolvem.

Por volta de 1:30 da madrugada do sábado, os primeiros animais marinhos são formados, e, por volta das 9:30, as primeiras plantas chegam às praias, seguidas, duas horas mais tarde, por anfíbios e por insetos. Dez minutos antes das 17:00, surgem os grandes répteis, perambulam pela Terra em luxuriantes florestas tropicais durante cinco horas, e então, subitamente, morrem por volta das 21:45. Enquanto isso, os mamíferos chegam à Terra no final da tarde, por volta das 17:30, e os pássaros já à noitinha, por volta das 19:15.

Pouco antes das 22:00, alguns mamíferos tropicais que habitavam árvores evoluem nos primeiros primatas; uma hora depois, alguns destes evoluem em macacos; e por volta das 23:40 aparecem os grandes símios antropóides. Oito minutos antes da meia-noite, os primeiros símios antropóides do sul se erguem e caminham sobre duas pernas. Cinco minutos mais tarde, desaparecem novamente. A primeira espécie humana, o Homo habilis, surge quatro minutos antes da meia-noite, evolui no Homo erectus meio minuto mais tarde e, nas formas arcaicas do Homo sapiens, trinta segundos antes da meia-noite. Os Neandertais comandam a Europa e a Ásia de quinze a quatro segundos antes da meia-noite. Finalmente, a espécie humana moderna aparece na África e na Ásia onze segundos antes da meia-noite, e na Europa, cinco segundos antes da meia-noite. A história humana escrita começa por volta de dois terços de segundo antes da meia-noite.

(Capra, 1996: 206 - 207)


Percebe como somos auto-centrados? Acabamos de chegar e já achamos que tudo depende de nós, que tudo existe em função da gente.

4 comentários:

Mônica disse...

Lou, na mesma linha, tem o livro do Carl Sagan: O mundo assombrado pelos demônios (Cia. das Letras).

É muito bom. Recomendo mesmo.

iglou disse...

Muito obrigada pela dica!

Mazu disse...

Também rola dar um escutada rápida nesse programa da Rádio Eldorado com o Janine Ribeiro sobre Sustentabilidade.
http://int.limao.com.br/eldorado/audios!getPlayerAudio.action?destaque.idGuidSelect=40FBF350AC14408E96A2F1F499637201

beijo

iglou disse...

Hehe, tem mais música que entrevista, mas é legal. Me lembrou o Philosophy Talk.