quinta-feira, 25 de outubro de 2007

No grito

Hoje de manhã ainda chovia um pouco. Tão pouco, que resolvi ir de bicicleta (que não tem paralama) pra Unicamp. A uma quadra da delegacia de polícia e a duas de casa, dois moleques vieram na minha contramão numa bike só. Diminuí a velocidade, porque eles estavam vindo pra cima de mim. Parei, o menino de trás pegou o guidão da Amarilda, o outro continuou pedalando devagar.

Sai dessa bicicleta, dá essa bicicleta.
Foi um sussurro, eu não entendi logo que ele queria roubar a minha bicicleta.

Me empurrou no chão, eu caí na sarjeta cheia de água suja e lama. Só que eu caí segurando a Amarilda. Não passou pela minha cabeça largar a minha bicicleta. Xinguei gritando, olhando nos olhos do moleque, com muita raiva e uma voz que eu não reconheceria como minha. Ele saiu correndo atrás do companheiro ciclista.

Um carro parou, perguntou se era assalto, respondi que sim. O motorista engatou a primeira, eu botei a corrente de volta na coroa e cada um tomou o seu rumo.

Dois moleques, que não tinham cara de malandros ou pobres. Sem arma, sem peito estufado, sem levantar a voz. Cabelos tingidos de loiro, com gel, brinco na orelha, tênis provavelmente mais caro que o meu. A uma quadra da delegacia. Imagino que não sejam daqui e não conheçam a vizinhança. E outra: concordo com a Maíra, que disse que se fosse um homem na Amarilda, eles provavelmente não tentariam disputar a bicicleta no tapa. E a disputei no grito.

Um comentário:

Carlos Teixeira disse...

Putz, Lou, lamentável. Que merda!
Ainda bem que pelo menos não levaram a Amarilda II. Assalto parece que tá virando brincadeira de criança no Brasil.