domingo, 7 de outubro de 2007

Lateralização

Estou lendo um livro sobre o cérebro. A última coisa impressionante que eu li é sobre a dominância hemisférica.

O hemisfério direito é responsável por funções que garantem a nossa sobrevivência, como atenção, fome, impulso sexual, dentre outras.

O hemisfério esquerdo concentra a maior parte das funções lingüísticas e motôrica fina, de modo que, em tese, quem tem dominância hemisférica esquerda é destro e não apresenta distúrbios de linguagem (dislexia ou gagueira, por exemplo).
Por ser mais relevante para a nossa vida no mundo, o hemisfério direito atinge maturidade antes do esquerdo. Pode acontecer, no entanto, do processo de desenvolvimento do hemisfério esquerdo demorar mais que o normal, e que algumas funções socialmente aprendidas sejam desenvolvidas pelo hemisfério direito. Quando isso acontece, temos um canhoto. Corremos o risco de termos um canhoto gago ou disléxico ou simplesmente um canhoto desinteressado em retórica. Um terço da população mundial é canhota.

Acontece que o cérebro é plástico, e a parte responsável pela linguagem e motôrica fina no hemisfério esquerdo dos canhotos pode de repente desenvolver outras funções, como por exemplo dar espaço a um talento especial.
Veja só, um atraso no desenvolvimento tem como recompensa um talento especial! Mas, como nem tudo são flores, a dominância hemisférica tem a ver com sexo.
A maioria dos canhotos é do sexo macho e a maioria das fêmeas é destra. Os homens canhotos apresentam como características: talento para orientação espacial, cálculo e alta emotividade. Tudo bem, conheço um canhoto computeiro com signo de escorpião que não sabe usar crase. Confere. Fechou.

As mulheres destras apresentam como característica um desempenho lingüístico prominente. Estou pensando nos escritores, críticos e políticos. Uso da linguagem taí. Já achei pelo menos quatro mulheres envovlidas na política nas minhas gavetas mentais. Estou me esforçando para visualizar uma mulher escritora. Lembro de escritoras de livros infantis. Olho para a minha estante de livros e reconheço que leio autores, não autoras. Vasculho as minhas memórias à procura de uma mulher que exerce a função de crítica literária. Pode ser crítica de cinema. Nada.

Será que a empiria invalida a teoria?

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