quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Nóia na creche

Eu não sei como é no dia-a dia, não tenho filhos que vão à creche. Mas, passeando por Barão Geraldo e observando as fachadas das creches, tenho a impressão de que elas são lugares de segurança máxima. Muros altos, portões de ferro, cerca elétrica por cima, crianças seguradas e asseguradas contra qualquer ameaça vinda de fora.

Eu preciso que crianças de quatro anos, mais ou menos, me contem estórias. Aquelas, do experimento que tá no Laboratório Virtual de Psicolingüística. Pensei em como chegar a uma criança de quatro anos de idade: indo às escolinhas. Fui em duas em Barão, e a mesma história se repetiu:
Pois não!
Volta amanhã, que a coordenadora pedagógica está em reunião.

Ninguém abriu o portão, quis saber que pesquisa era essa, quem eu era. Volta outra hora. Bom, eu liguei no dia seguinte, pedindo pra falar com a Patrícia, pedagoga da escola.
Lou de onde?
Expliquei o que eu precisava.
Nessa época do ano não dá, bem.
Veja bem, eu não pediria pras crianças contarem estórias no período das atividades pedagógicas, mas quando elas esperam os seus pais chegarem pra lhes buscarem. Eu não quero tomar o tempo da escola.
De tarde eu não fico, então eu não poderia supervisionar a sua atividade, tá, bem, obrigada, tchau!
Desligou.

Tenho a impressão de que os pais não levam seus filhos à creche pra que aprendam alguma coisa, mas pra que estejam num lugar seguro enquanto trabalham no escritório. E as creches parecem concordar com isso: deixe seu filho aqui, que a gente guarda ele pra você e cuida pra que nada vindo de fora da escola o perturbe.

Agora me diz onde que eu vou achar crianças de quatro anos que me contem estórias malucas!

Nenhum comentário: