Isso não é uma receita. Não dou receitas. É só a constatação de que dá pra fazer geléia de pétalas de rosas e dá pra comer e não fica ruim.
Quem deu a idéia foi a Natalie, que ficou encantada com as minhas rosas vermelhas. Ela falou que tinha que colocar um fundinho de água, um pouco de açúcar e as pétalas das rosas. Eu adicionei um pouquinho de raspas de limão, pra ajudar no processo de geleificação, mas acabou que a geléia ficou com um leve gosto de limão.
Não sei se devia ter cortado as pétalas, colocado mais água e mais açúcar, ou se devia ter colhido mais que 7 rosas. O fato é que não rendeu muito, não:
Eu não ia botar essa geléia no pão, porque o meu pão (sim, eu faço pão) tem um gosto muito mais pronunciado que as pétalas cozidas no suco de limão. Fiz arroz doce (com arroz integral, açúcar orgânico e leite de soja). Ficou da hora.
Alguém aqui em casa alugou a segunda temporada dos Simpsons e deixou na sala. Assisti a um DVD e fiquei pensando: é desenho, é só uma caricatura, não existem pessoas assim.
Fui na Padaria Alemã e ao meu lado, no balcão, estava um senhor de 50 ou 60 anos de idade, querendo ver a Sueli. - Chama ela aqui, que agora eu não sei que tamanho que é o pão que vai no meu lanche. Ela é que sabe o que eu como.- Jorge, a Sueli tá lá atrás, trabalhando, não posso chamar.- Ah, e agora, hein?
Socorro! Eles existem fora das telas de TV!
O filho da Maria Lúcia, que estava na minha banca de defesa, passou no mestrado em História e queria alugar um apartamento em Barão. Ao invés de passar contatos das imobiliárias, sugeri que o Marcos viesse pra cá.
Ele veio e logo no primeiro dia deu um giro por Barão na Amarilda, vendo que o mercado de Kitchenetes é grande. Disse que o preço de moradia no Rio é caro, e que ele estaria preparado para ouvir valores obscenos. No segundo dia foi nas imobiliárias e voltou horrorizado. Kitchenete não é uma opção. É muito caro e muito pequeno. Sales brincou: todo dia, quando você acordar e abrir os olhos, você vai ver TODA a sua casa!
Fomos juntos na Unicamp, colecionar telefones e anúncios de vagas em república, quarto ou casa de fundo, suíte mobiliada e assim adiante. Logo chamou atenção que metade dos anúncios era para moças. Intrigado (e sentindo-se excluído), Marcos perguntou se há, em Barão, mais repúblicas femininas que masculinas.
Não é o caso. Não é uma questão social ou de moradia, mas uma questão lingüística. Se o cartaz anunciasse apenas uma vaga em república, tanto homens quanto mulheres - mas mais provavelmente um número maior de homens - se interessariam pela vaga. Quando o leque de possíveis candidatos é restringido para as moças, a vaga se torna um termo marcado. O termo não-marcado não é marcado justamente por representar o normal, corriqueiro, abrangente. Da mesma forma, casa é não-marcado em relação a casebre e casarão, ou ainda casas. Pronto. Alguém mais quer procurar casa com uma lingüista?
A versão final da minha tese está pronta. Não é mais preciso entregar uma versão impressa da tese (o que é legal, porque não usariam a versão impressa pra imprimir a versão encapada, que é frente e verso; apenas teriam um backup). Agora eles querem uma versão em PDF da tese, gravada num CD. O detalhe é que o PDF deve ser formatado para papel CARTA, não A4. Me disseram que não adianta colocar o texto em Word em formato CARTA e depois converter em PDF.
O Word do IEL tem um conversor para PDF. Só que é tipo uma amostra, que faz propaganda pro pacote PDFcreator no canto superior esquerdo de todas as 172 páginas da minha tese. Não posso gravar isso em CD.
Vim pra casa, pra abrir o texto no BR Office, que transforma textos em PDF. Só que o BR Office é um programa que trava. Além do mais, é um programa que desconfigura tudo. Espaços, tabuladores, margens, figuras, tudo isso estava fora do seu lugar natural. Gastei um tempão ajustando tudo, mudando as páginas do índice e a lista de páginas coloridas, pus em PDF e quis configurar a página para CARTA. Não achei nada equivalente. Desconfio que um texto em PDF seja inalterável. Devia ter desconfiado antes, porque tive que botar a tese no BR Office em formato CARTA, o que voltou a desconfigurar tudo e fez com que a tese crescesse pra 185 páginas. Depois de muito tempo em silêncio tenso, converti a tese de 177 páginas em PDF. E que seja tudo pelo amor de Deus. Gravei em CD e olhei pro relógio: a secretaria de pós estava fechando naquele instante. Terei que entregar a versão final na segunda, sem saber se o PDF está em formato CARTA ou A4.
Parece que estou numa onda de azar...
Eu vinha descendo pela ciclovia de Barão Geraldo na Caloi 10. No cruzamento perto do Tilly Center caminhavam dois pedestres, ocupando toda a ciclovia. Um carro, prestes a cruzar a ciclovia, parou para eles passarem. Eu não conseguiria passar por eles, comecei a frear. O freio da esquerda (que freia a roda dianteira) estourou na minha mão e eu fui de ombro na bunda do pedestre. O cabo de freio se rompeu e eu não tive tempo de gritar ou desviar. Ao cair, lembro que encolhi a cabeça, pra não bater na guia.
Só eu caí e só ralei o cotovelo. Com a voz trêmula, pedi aos dois pedestres que nunca mais caminhem pela ciclovia - porque pode dar merda. Eles disseram que tinham sido instruídos a caminharem pela ciclovia, porque é melhor que a calçada. Sim, é melhor que a calçada, mas foi feita pra ciclistas!
Segunda-feira, dia da delegacia de Barão Geraldo funcionar. Quando cheguei no balcão, reparei numa placa amarelada:
Temos lugar para fumantes a 15 km daqui
Um homem encostado no balcão e de costas para mim estava poluindo o ar com o seu cigarro. Quando me notou, deu a volta no balcão, depositou o cigarro no cinzeiro e disse: pois não? Puxa vida, o próprio funcionário fuma embaixo da placa que sugere que se fume longe dali.
Mostrei o meu extrato bancário e ele pediu que eu calculasse o total do valor que me foi subtraído da conta. Pedi uma calculadora, mas ele me deu uma caneta. Somei os valores e cantei o total, que ele repetiu umas três vezes, enquanto olhava tenso para a tela do seu computador. De tempos em tempos suas mãos trêmulas apertavam as teclas com força. Atendia parcialmente os que chegavam, não sei se por curiosidade ou para demonstrar que estava em pleno exercício de sua função. Imprimiu uma versão do meu BO e pediu que eu conferisse. O relato era um texto vago, em que não constava o valor total do que me havia sido roubado. (Lembrei do meu BO de acidente de trânsito, em que a minha bicicleta foi atingida por um Uno - por trás, ainda! O texto era super detalhado e tinha até desenho indicando como ocorreu a colisão.) Mesmo assim aprovei o texto do escrivão que ele pegou de volta, amassou e jogou no lixo. Imprimiu 2 metros e 40 centímetros de papel, destacou quatro versões que eu assinei e me deu uma, assinada pelo delegado e por ele.
Era preciso fazer alguma coisa. Como era sábado, não adiantava ir na agência nem na delegacia de polícia (pois é, em Barão Geraldo, a delegacia fecha aos sábados e domingos). O que eu podia fazer era ligar no Superlinha. Como o nosso telefone foi gentilmente cancelado pela Telefonica e os meninos desta casa são deveras fleumáticos, apelei para o Skype. Número inválido. Sem problema, vou no orelhão. Tentei usar o orelhão da delegacia (porque o local era mais silencioso) e notei que o orelhão ficava dentro das grades trancadas da delegacia. Público o caramba, esse telefone. Fui no orelhão do terminal de ônibus e fui informada que o Superlinha não aceita chamadas de telefones públicos. Maravilha, não se pode ser pobre ou azarado nesse país!
Peguei a minha bicicletinha e fui na casa da Maíra e do Ruy. No caminho, uma motoca com duas moças passou por mim, buzinando e sorrindo. Deram meia-volta ali na frente, passaram por mim sorrindo e depois de um tempo emparelharam comigo.
Moça, qual seu nome?
Lou.
Lu?
É.
Lu, qual o seu telefone?
EU NÃO TENHO TELEFONE!
Consegui falar com um atendente e forneci dois números de telefone não-meus, insistindo pra que o banco me escrevesse e-mail ao invés de ligar.
Segunda-feira pedalei 18km entre a minha casa e a Unicamp (são 3km até lá. Fui e voltei 3 vezes), pra tentar resolver esse lance de estelionato (171), porque na sala da minha orientadora tem telefone.
Da última vez que fui, voltei brava, porque eu tinha ido achando que já tinham solucionado o meu caso. Maíra tinha me escrito que o banco tinha ligado na casa dela e que o namorado dela tinha atendido. Não reconheceu o meu nome como sendo nome de gente, porque admito que quando lêem o meu nome em voz alta, saem as mais loucas aventuras fonéticas. Fui na Unicamp (pela terceira vez) e a moça do Superlinha me informou que tinha tentado me contactar para notificar que tinham encaminhado o meu processo para análise. Hm. Em primeiro lugar, o banco desconfia de mim e precisa investigar se não sou eu a aplicar o golpe.
O que que o Ferrone tinha dito? Dor de cabeça? Ou era ansiedade, paralisia mental, sentimentos de impotência e incerteza?
Quarta-feira, 07 de janeiro de 2009. São Paulo, restaurante árabe Jaber perto do metrô Paraíso. Fui pagar o meu almoço com o cartão de débito e deu senha inválida. Tentei de novo e deu senha suspensa. Que doido, eu não tinha errado a minha senha nenhuma vez... Ferrone me disse brincando que agora eu teria mais uma dor de cabeça.
Fui até a agência do banco Santander na Paulista, perto do metrô Trianon Masp e tentei sacar dinheiro no caixa eletrônico. Sem chance. Esperei 40 min. na fila, e antes de ser atendida, reparei que uma moça na minha frente reclamou da mesma coisa que eu: eu não errei a senha e a máquina diz que não reconhece a minha senha. Fui atendida e mandada pra outro balcão.
A moça pegou o meu cartão e um documento meu e sumiu. Tenho cá pra mim que ela cuspiu em cima do cartão. Voltou, sorridente, esticando o meu cartão: prontinho. Fui num caixa eletrônico da agência mesmo e saquei um pouco de dinheiro.Sábado, 10 de janeiro de 2009.
Campinas, Oca da Tapioca.Quis fazer uma compra no cartão de crédito pela Internet e fui avisada que a transação não tinha sido realizada. Consultei o meu saldo e vi, chocada, que eu estava devendo pro banco. No dia 09 haviam sido feitos saques de 600 reais (o meu limite diário),
recargas pra dois celulares TIM e um CLARO (eu não tenho celular), a transferência de quase todo o dinheiro da poupança para a conta corrente e transferências para contas particulares. Agendadas para o dia 12 (segunda-feira) estavam transações no cartão de crédito: pagamento do IPVA, Licenciamento do carro no valor de mais de R$ 1.200,00 (eu não tenho carro) e algumas transferêcias para contas particulares. Usaram o limite do cheque especial e subtraíram aproximadamente 4 mil da minha conta.
Lembro que o Muntasir dizia que não confia em plastic money.
Subi na passarela sobre o Tapetão. Agora me dou conta de como vivemos numa carrocracia. Não é o pedestre, que já faz o esforço físico para se locomover, que é privilegiado, mas o motorista, que controla seus pedais. O motorizado não tem o seu percurso alterado, ao passo que o pedestre é obrigado a subir escadas, rampas e andar mais que o necessário pra chegar do outro lado da via. O motorizado tem prioridade e o trânsito deve fluir. Quanto mais rápido, melhor.
Outra coisa intrigante são essas grades em volta da passarela. Não creio que sirvam para proteger o pedestre (de quê? ventos e chuvas ou sol de rachar?), mas aqueles que transitam em suas latas metálicas por baixo da passarela. A grade serve para impedir que pedestres mal-intencionados joguem objetos na via expressa. É a carrocracia: tudo gira em torno deste grande avanço tecnológico que foi tão popularizado que agora é gerador de transtornos em centros urbanos.
Olha aí o homem com a sua sanfona, alegrando as pessoas e chamando pra irem ver o Canto da Horta.
Expuseram as estruturas de bambu com as garrafas pet, as jardineiras e se dispuseram para conversar.
Entregaram sementes de cenoura e alface e mudas de alface, palmito jussara, rúcula, cebolinha, abacaxi e rabanete.
Deram oficinas de compostagem e plantio.
E ficaram duas horas além do combinado, porque continuava vindo gente interessada. Se você estiver interessado/a, procure por Junior, Régis, Andréia ou Renato pelo www.equilibrius.com.br
Lembro que chegamos todos na escuridão invernal do dia 29 de dezembro de 1998 em Nordwohlde. Eu tinha deixado um futuro marido em São Paulo e trancado a faculdade. Philip sentia falta dos seus amigos de escola, a mãe tava cansada da Paulicéia desvairada, o pai tava ansioso pra começar uma vida nova em sua terra natal. Fomos como uma família para um vilarejo de mais ou menos mil habitantes, no norte plano, chuvoso e ventadiço da Alemanha.No dia 29 de dezembro de 2008 os meus pais completaram dez anos morando na mesma casa. Sentaram, pensaram e calcularam quanto tempo tinham passado em outras casas. Chegaram à conclusão de que nenhum dos dois, sozinho ou em conjunto, jamais habitou uma mesma casa por mais de dez anos. Eu morei até os 7 anos em São Leopoldo, onde nasci. Habitávamos o andar de cima, os meus avós o de baixo. O jardim era enorme, a caixa d'água era a nossa piscina, as árvores nosso playground, a chuva nossa alegria e a casa dos vizinhos uma extensão do nosso jardim. Sair de lá foi doloroso.Em São Paulo morei em 3 casas diferentes com os meus pais. A primeira tinha um poço tampado no quintal, um cactus enorme no jardinzinho da frente (onde espetávamos ovos de chocolate na Páscoa) e era perto do local de trabalho do meu pai. A dona da casa quis voltar a habitá-la, então saímos. A segunda era uma desgraça de feia, ficava perto de uma indústria que expelia fedores de banana podre e foi o local de onde o cachorro fugiu e onde o gato foi encontrado morto. Saímos de lá aliviados. A terceira era uma belezinha. Ficamos nela por uns 6 anos, e foi a partir de lá que eu explorei a cidade de São Paulo. Saímos de lá preparados pro mundo. Depois mudamos pra Nordwohlde, onde passei um ano. A casa era enorme, tudo era diferente: havia pias nos quartos, a ducha ficava num quarto separado da privada, tinha porão e sótão, e todo mundo em volta falava alemão. Saí de lá achando que tava na hora de voltar pro Brasil.Voltei pra São Paulo pra terminar os estudos (as promessas de amor e fidelidade se quebraram com o peso do tempo distante) e morei dois anos na casa da Olga. Me intriga como coube tanta coisa naquele quarto e como Olga e eu nos damos bem. O quarto que eu habitei naqueles anos ainda é referido como 'o quarto da Lou'. Saí de lá, mas sempre volto.A vida acadêmica me trouxe para Barão Geraldo, pra dentro de uma república com 9 pessoas. Moramos uns 3 anos na casa enorme que tinha um pé de lichia, vários de manga e um coqueiro. Lígia, Ferrone e eu plantamos um abacateiro lá e saímos da casa antes dele atingir meio metro de altura. Quando terminei o mestrado, fui visitar os meus pais e acabei não participando da mudança pra casa amarela. Agora faz 4 anos que estamos aqui e muitas pessoas passaram por esta república. Plantei minhas rosas vermelhas e o meu maracujá doce e os vi crescer enquanto fazia o meu doutorado.Deixei esta casa no fim de 2006 e fui fazer o doutorado-sanduíche na Holanda. Morei as duas primeiras semanas do lado de lá da fronteira, num vilarejo alemão de 400 habitantes, chamado Zyfflich. Lá eu tinha uma casa só pra mim e me senti muito adulta. Mudei pruma república internacional de 7 em Nijmegen, onde só a filha do dono da casa era holandesa. A partir de lá conheci metade da Europa. Ao fim de 1 ano, voltei pra Barão, pra mesma casa, mas com pessoas diferentes.Em suma, passei mais tempo de vida na casa em que passei a minha infância. Depois dessa época, virei nômade. Sairei daqui em breve, mas ainda não sei pra onde.
Existem diferentes maneiras de lidar com a menstruação. Tem gente que toma pílula anticoncepcional direto, evitando assim a menstruação. O problema deste método é que a mulher ingere muitos hormônios e pode sofrer os efeitos colaterais: enxaqueca, aumento de peso, mudanças de humor. Além disso, pode ser difícil ter filhos depois.Tem gente que sangra e usa absorventes. Modess incomoda quando se caminha, faz volume entre as pernas e marca a roupa. Depois vira lixo. OB é caro, precisa ser trocado freqüentemente (em dias de fluxo intenso a cada 2 horas e meia e nos outros dias a cada 4 horas) e há toda uma polêmica em volta das substâncias que há no algodão branquinho do OB que provocam mais sangramentos. Depois vira lixo.Natalie me apresentou o coletor menstrual. É um funil fechado de silicone que é introduzido no corpo, coleta a menstruação, é retirado, lavado e reintroduzido. Não há produção de lixo e o coletor dura a vida toda.
Os coletores desta marca que Natalie e eu compramos vêm em dois tamanhos: pequeno e grande. Pequeno é indicado para moças até 25 anos que não tenham tido filhos, o grande é indicado para mulheres acima de 25 ou que já tenham tido filhos. O meu, que pode ser apreciado na foto, é grande. Veja os dois, lado a lado, aqui.Pra inserir: a boca do coletor deve ser comprimida com os dedos. Esta é a parte que entra primeiro. Lá dentro, o coletor vai abrir num copo. A haste de baixo serve para ser puxada quando o coletor for retirado. Talvez seja preciso fazer força pra haste aparecer ao tato dos dedos.Durante o ciclo menstrual, o coletor deve ser lavado com água ou limpado com papel. Quando o ciclo acabar, o coletor deve ser desinfetado ou numa solução com cloro ou em água fervente. Eu lavei o meu com detergente e depois fervi por 5 minutos numa panela. Lavou, tá novo.O coletor pode ficar dentro do corpo por até 12 horas, mas o indicado é que seja retirado e esvaziado a cada 8 horas. Em dias de fluxo intenso, é bom reduzir esse tempo, porque o coletor tem furinhos perto da boca, que permitem vazamentos. Eu já fui acordada numa madrugada por sonhos urgentes. Quando vi, tinha vazado.Nadei com o coletor e não deu nada. O fiozinho verde do OB normalmente encharca o algodão do OB, de modo que o algodão expandido não seja mais capaz de absorver a menstruação. Outra coisa legal do coletor é que a mulher vê a cor e quantidade da menstruação com mais nitidez e percebe como o sangramento tem picos.Curti o coletor menstrual porque reduz os meus gastos mensais, não produz lixo, me dá sossego por muito tempo, não incomoda e dura virtualmente pra sempre.
Super Natalie fez pesquisa de mercado, mostra fotos do coletor dobrado pra inserção e relata como foi a experiência. Veja aqui o que ela tem a dizer.
É Natal em Gramado entre os dias 15 de novembro e 15 de janeiro. A cidade virou ponto turístico por causa do Natal Luz e da decoração natalina (feita em grande parte com sucata). O frio, a gastronomia e a paisagem atraem turistas que querem ser entretidos. Aqui, no Lago Joaquina Bier, sempre tem show de tenores com luzes e cores. Imagino que o público venha crescendo de ano a ano, porque as arquibancadas nunca invadiam a calçada ou a rua. Repare que ficou uma faixa e meia ali, a ser compartilhada por motorizados, ciclistas e pedestres que se movimentam nas duas direções. E viva o Natal que já passou e que faz erguer estruturas que não respeitam o cidadão!! O pior é que esse transtorno já é normal pros daqui. Não há nenhuma placa pedindo desculpas pelo transtorno, há refletores vermelho e brancos indicando o limite da arquibancada.
Os gramadenses vivem em más condições: cada entrada/saída da cidade é interceptada por um pedágio que cobra aproximadamente R$ 7,00 pra sair e depois pra entrar. Os preços nos restaurantes são feitos sob medida pro turista que vem de São Paulo, Rio ou Porto Alegre, e são mantidos ao longo do ano todo. A cidade é cheia de casas vazias, condomínios em construção e hotéis enormes. Enche de gente na época do Natal, e aí é um Deus-nos-acuda pra se movimentar na cidade.
Choveu forte durante dois dias e caiu chuva fina durante o dia e a madrugada de ontem. Só na sexta-feira, dia em que voltamos de Termas do Gravatal pra Gramado, caíram uns 70 milímetros, o que já é muita coisa. Minha vó se espantava com a natureza, Deus ou São Pedro que manda tanta chuva de uma vez.
Eu me espanto como a chuva de três dias causa tanto transtorno pra vida urbana. Alguns trechos da BR 101 estão interditados agora, inclusive um pelo qual passamos na volta (Araranguá). Caíram barreiras em Balneário Camboriú e há acúmulo de água na pista nos outros trechos interditados. Não há previsão pra liberação nem rotas alternativas. As pessoas que estão por ali, na BR 101, estão presas em suas latas de metal motorizadas. Em algumas cidades como Floripa, Laguna, Tubarão, Sombrio, Ermo, Turvo e Torres houve enchentes.
Quem é responsável pelo desastre causado por uma chuva forte? A chuva? Deus? São Pedro? Não, é a gente mesmo, que gosta de asfalto, que cobre a terra de concreto, que acha que progresso e civilização andam de carro, mas não sabe planejar as cidades e vias. A água bate no asfalto e não tem pra onde vazar, as ruas viram rios, a água entra nas casas das pessoas. E quando essa água mancha de marrom tudo o que vem pela frente, ela contamina tudo. Essa água não é só água que caiu do céu misturada com a poeira que fica no asfalto. Essa água se mistura com esgoto, com o lixo que varremos pra fora das nossas casas, com o lixo que jogamos pela janela do carro ou ônibus, que deixamos cair no chão, que colocamos na rua antes do caminhão de lixo passar.
Claro que os menos favorecidos são os mais afetados pela catástrofe natural. Os mais pobres não puderam escolher um terreno legal pra construir, não puderam comprar bom material de construção, não contam com coleta de lixo ou sistema de esgoto, dentre outros benefícios da civilização. Os mais pobres não conseguem remover seus bens nem a si mesmos do local da catástrofe em tempo de salvarem qualquer coisa. Os mais pobres dependem da caridade alheia para conseguirem aquecer e secar o corpo, saciar a fome, curar suas doenças e quem sabe voltar à vida de consumo.
Precisamos mudar nosso comportamento. De verdade:
- não aceitando sacolas plásticas de supermercado (leve uma sacola de pano, mochila ou cesta)
- usando menos o carro (vá de bicicleta, ônibus, metrô ou a pé, conforme a distância. Saia de casa mais cedo e aproveite a viagem ao local de trabalho)
- reaproveitando o lixo ou reduzindo a produção de lixo (faça composteira, reaproveite sucata pra fazer coisas úteis, consuma menos supérfluos, procure saber o que é um coletor menstrual e nunca mais compre modess ou OB, que são caros e viram lixo depois de usados)
- desligando luzes acesas em quartos vazios e fechando torneiras que pingam, mesmo que não sejam responsabilidade sua.
Desculpem o tom catequético, mas a situação é mais grave que admitimos.
Cheguei na recepção do hotel e pedi a chave do 204. O moço me deu três toalhas. Espantada, repeti: duzentos e quatro. Rindo, ele se desculpou: entendi três toalhas.
***
Entre Orleans e São Ludgero uma placa me provocou risadas: Devagar! Poetas na área.
***
Me informei na recepção do hotel sobre as bolas de sinuca. O moço já ia se levantando pra ir buscar as bolas, mas eu só queria saber onde elas ficavam (se na sala de jogos ou na recepção). Mais tarde, voltei à recepção e pedi: bolas. O moço me deu uma toalha.
***
Eu tava caminhando de noite, quando um cara de carro me parou pra pedir informação. - Sabe onde fica o quinze? - Não. O que é o quinze? - Ah, me falaram assim que é um...
- Ah! A discoteca? - É, pode ser, tô sozinho e sem nada pra fazer. Dois dias depois, caminhei de novo em direção a Braço do Norte e passei pela tal danceteria, que se chama Arco-Íris.
***
Não é padaria, panificadora ou paneteria. Em Termas do Gravatal, é panifício.
Acho legal observar como é divertido aprender habilidades novas. Quando o Sales aprendeu a tocar sanfona, por exemplo, ele contava pra todo mundo como ele tava conseguindo coordenar os movimentos necessários pra tirar som da gaita. Andava pela casa tocando sanfona e ficava super empolgado com os seus progressos. Agora todos da Oca sabem que ele sabe tocar 2 músicas e está aprendendo uma terceira, de Natal.
Demorou muito tempo até eu aprender a nadar. Eu não sabia ao certo como me movimentar, que desenho os meus membros devem fazer, onde aplicar força, quando respirar e que pra manter o ritmo é bom contar. Daí passei a ouvir o som do movimento e comecei a achar que eu sabia nadar.
Oma jogou sinuca ontem e hoje. Ontem ela aprendeu as regras do jogo, a posicionar as mãos, a mirar a ponta do taco no meio da bola branca, mas não encaçapou nada. Hoje ela já conseguiu matar três bolas!
Viajar é preciso. Simples assim. Por maior que seja o conforto no hotel em Termas do Gravatal, é preciso ir aos lugares legais de se ver, é preciso movimentar-se no espaço. Seguimos por Braço do Norte, São Ludgero, Orleans e Lauro Müller à Serra do Rio do Rastro (tente pronunciar isso com todos os R vibrantes!)
Chuvinha fina ou neblina, não dava pra discernir o que fazia a umidade do ar subir a 100% depois de várias muitas milhares de curvas. Nem percebi que passei pelas 12 curvas cartão-postálicas, porque eu tava concentrada na traseira de um caminhão muito grande e muito lento.
Lá em cima tinha um mirante com uma bela vista pruma brancura exuberante. Pra divertir os turistas, tinha quatis e lojinhas de souvenires. 
Conforme descíamos, a neblina ia se dissipando. O Google Maps me informou que são 67,5 km de Termas do Gravatal à Serra do Rio do Rastro, factíveis em 59 minutos. Não sei quanto tempo levamos, mas estávamos de volta ao hotel pro almoço.
Hans Jürgen, meu tio, tava aqui por perto, onde estão montando uma ecovila, e deu uma passada aqui. A ecovila deles é uma terreno muito imenso, que foi comprado em conjunto com 36 famílias e não serve exatamente de moradia (ainda estão planejando a construção de casas com material ecologicamente agradável, dando preferência pra materiais locais), mas principalmente (80%) de área de preservação. Em 10% da área, querem plantar em regime de permacultura (não uma safra que arranca tudo da terra e depois outro plantio, mas o plantio de coisas mais permanentes, incluindo a atividade de animais que criam um eco-sistema próprio) para ganhar dinheiro que será investido nas moradias, que são mais pra lazer que pra serem moradas permanentes das 36 famílias.
Água quentinha, piscina grande e bastante sol. Pena que esqueci meus óculos e touca de natação e que tem muito hóspede boiando na piscina. Hm, pois é, aqui em Termas a maioria da água termal é captada em hotéis. Tem um aquaparque que cobra R$ 16,00 a diária. Mas é mais apinhado de gente e tem estrutura pra lazer mesmo (tobogã, piscina pras crianças, muitas cadeiras de praia). Não é pra treinar natação...
Como o nosso hotel não tem parque ou gramado ou natureza verde, damos nossos passeios matutinos nos outros hotéis. Turismo meio muito preso ao hotel, mas é o que há em Termas.
Olha só quem tava me esperando no meu quarto em Gramado. Será que é a mesma do ano passado? Confira.