quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Peneira

Eram 17 inscritos pra uma vaga de professor de Língua Portuguesa e Lingüística geral. Apenas 9 compareceram à UEL no dia da prova escrita. Destes, apenas 5 foram aprovados, tendo eu tirado a maior nota (9). O ponto tinha sido sorteado por mim mesma: Coesão e coerência textuais.

Com uma boa injeção de esperança e confiança no meu potencial, compareci ao sorteio do ponto da prova didática. Não tive tanta sorte desta vez: Fonologia do Português: aspectos históricos e descritivos. Tive 24 horas pra preparar uma aula inicial de fonologia pruma turma de graduação.

Dei a minha aula pra banca, composta por três professores cansados. Eu era a penúltima candidata a dar sua aula, não usei datashow ou retro-projetor, mas lousa e cuspe, porque achei que prenderia mais a atenção deles se montasse as tabelas de vogais e consoantes do português com eles, fazendo o som e procurando pares mínimos de fonemas. Ledo engano. Dois dormiram. Tive vontade de parar a aula e chamar a atenção do professor de olhos abertos, tive vontade de oferecer café ou mesmo de tacar um toco de giz na cabeça dos que estavam de olhos fechados. Depois da aula, os dois que dormitaram durante a minha aula me cobraram coisas que eu não tinha falado: por que você não apresentou as vogais nasais? Por que você não falou da norma? Pude perceber que aqueles dois eram fonólogos. Maravilha.

Conversando com um dos meus concorrentes, pude perceber que todos eles já estão dando aula em universidades (duas moças são professoras substitutas na UEL mesmo). Eu nem defendi o doutorado...

Saí de Londrina achando que a biblioteca é ruim, que os professores são medalhões, que tem muito morro na cidade e nenhuma estrutura viária pra bicicleta.

Não sei quando sai o resultado final de quem sobrou na peneira, mas desconfio que o meu nome não estará lá.

Um comentário:

Juliana disse...

Oi Lou
gostei muito deste seu post e do blog todo... ainda não li tudo hehehe Mas gostei do jeito que escreve, da sua clareza... Morei em Londrina e usei muito a bike... Na verdade as lembranças com minhas bicicletas em Londrina foram motivadoras para ter uma bike aqui em são paulo...
abraço.