sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Diálogos dispersos

O moço que tinha sentado do meu lado no ônibus pra Londrina quis ouvir a música que eu estava ouvindo e quis conversar. Conversamos bastante enquanto ele ouvia a minha música. Insistiu que eu anotasse o telefone dele. Anotei na pele do braço com uma caneta emprestada de outro passageiro. Qualquer coisa que você precisar, cê liga pra mim. Tá. Independente de você precisar ou não, liga pra mim. Pode deixar.

O taxista que me levou da rodoviária à Pousada Universitária disse que tinha morado 8 anos no Rio Grande do Sul e que admirava o povo gaúcho. Não só eu, toda dupla sertaneja que se preze tem uma música elogiando o povo gaúcho. Enumerou umas 6 duplas sertanejas e concluiu que as duplas sertanejas que não fazem homenagem ao gaúcho não tão com nada. Sei.

Antes das 22:00, toquei a campainha e me anunciei: Meu nome é Lou, eu tenho reserva pra hoje à noite. Tá, eu vou abrir, mas a dona não tá. Vamo fazê assim: cê entra e depois a gente vê. OK. Entrei e coloquei as minhas coisas do lado da única poltrona vazia naquela sala. Quatro meninos vendo TV ocupavam os outros assentos. A gente mora aqui. Senta aí que a dona deu uma saída e já volta. Cês moram aqui? É.

A dona da pousada chegou muito depois das 23:00 e não sabia da minha existência. Não tem problema, tenho um quarto pra você. Espera só um pouquinho, que eu já te atendo. Hm, hm. Muito tempo depois, ela me conduziu ao quarto, saiu e voltou com roupa de cama que depositou em minhas mãos. Hoje eu tô muito cansaaaada, então amanhã eu não vou fazer café da manhã, tá, bem?

Seis da manhã de domingo e acordo com um estardalhaço na cozinha. Em meio a barulho de louça, ouço cânticos gravemente desafinados de louvor e aleluia. Empolgada, uma das irmãs (apenas um muro separava o meu quarto da Toca de Assis) exclama: Viva Jesuis! Que inferno.