sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O que é o que é

"Composto alimentar sabor chocolate"

e

"Bebida láctea sabor chocolate"

referem à mesma coisa, produzida por companias diferentes: achocolatado. Sei lá, não botei muita fé nessas descrições de produto...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

In der Bewegung liegt die Kraft

Tirei a foto detrás do vidro, por isso a imagem parece embaçada: não só parece, está!
Antes da minha aula de natação, tem a criançada se divertindo na água. Pra mim não tem brinquedinhos de plástico ou instrutor que fica jogando a gente na água. Não, pra mim tem uma necessidade enorme de catch my breath, porque bicho, repirar pela boca e soltar pelo nariz dentro da água, tudo isso a cada três braçadas, com as pernas em movimento, ainda é tarefa complexa pra mim.

Em disquete

Este meu doutorado é uma continução do mestrado. A dissertação de mestrado foi escrita na sala de computadores do IEL (na época em que só tinha uma sala de computadores) e gravada em disquete. Mas como disquete era uma coisa moderna na época e eu não tinha noção de quanto cabe num disquete, eu não gravava tudo no disquete. Só as versões finais dos capítulos. As análises, os rascunhos pra artigo a ser publicado e os pensamentos esparsos iam sendo registrados na minha área nos computadores do IEL.
Enquanto eu estava na Holanda, houve um processo de reorganização do setor de informática do IEL e os meus arquivos todos foram apagados.
Mas eu tinha um monte de coisas gravadas em pelo menos 26 disquetes.
O problema é que o meu laptop não tem entrada pra disquete...
Achei o arquivo que eu queria num computador do IEL. Acho que eu era a única que enfiou disquetes (não todos, mas metade deles) no computador em todo o instituto. Coisa arcaica. Hoje a gente usa pen drive ou manda os arquivos pra si mesmo, de preferência pra uma conta tipo gmail, que permite estocagem quase que infinita de dados.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Comecei

Hoje é o grande dia! Dia 6 de novembro, dia em que o meu pai comemora o seu aniversário, é o dia em que eu decidi começar a escrever a minha tese de doutorado. Estou no terceiro ano de doutorado, e a minha orientadora quer que eu qualifique em março do ano que vem. Tava na hora de começar a escrever.
Só escrevendo é que vou saber pra onde o texto vai. É hora de começar!

domingo, 4 de novembro de 2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Vendaval destruidor

Meeeeeeeeeeu, voltei de Pindamonhangaba hoje de noite e vi que a cada dia que passa, tem mais árvores no chão de Barão Geraldo. Já morreram 3 pessoas e sabe-se lá quantas árvores. As notícias mencionam tornados e ciclones e alertam pra frente fria que está pra vir.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Depois da tempestade

Depois que a chuva finda, as pessoas lentamente saem de suas casas para apreciar o estrago causado pelos ventos fortes. Eu tava achando que o galho caído da Sibipiruna na frente de casa era grande coisa... Árvores foram arrancadas pelas suas raízes e jogadas contra postes de energia elétrica.
Muitos galhos foram removidos da rua na noite de ontem mesmo, por moradores que resolveram intervir para aliviar o trânsito. Passeando hoje pelo bairro, o som da serra elétrica é o mais comum de se ouvir.
Uma árvore caiu sobre um carro.
Raízes expostas. Na foto de baixo, acho que aconteceu um efeito dominó.
Av. Sta. Izabel, na altura do Correio. Ali caiu poste e imagino que as pessoas ainda estejam sem luz naquela parte.Um dos postes que caiu.
Muita sujeira nas ruas. Alguns moradores acionaram suas vassouras hidráulicas, ao passo que os homens uniformizados da prefeitura varrem com vassouras mesmo.

Dinâmica de uma tempestade

O primeiro sinal que anuncia uma tempestade normalmente não é encarado como um fator que levará à tempestade: um calor do Congo! O dia todo é muito quente e úmido. De repente venta, o vento traz nuvens que fecham o céu, caem umas gotas grossas e barulhentas. Essa última fase preparatória para a tempestade é bem curta, por isso um monte de gente é pega de calças curtas. Venta forte, promovendo um balé de todas as coisas mais altas do que largas. O granizo providencia a trilha sonora. Acabam os grãos de gelo e o vento traz rajadas de água branca. Chove e venta furiosamente por vinte minutos, as pessoas correm para fechar portas e janelas da casa, para se abrigar na rua. Eu deito na rede, pra observar a tempestade. Raios, trovões, rajadas de vento que a chuva torna visíveis. Reparei que a movimentação de carros na nossa rua se tornou intensa. Quando ônibus começaram a trafegar pela Plínio Aveniente, tive certeza de que alguma árvore na rota do ônibus deitou na fiação elétrica. Quando a luz acabou, tive a confirmação indubitável de que postes são a pior solução para qualquer cidade.

Preto e branco

No primeiro capítulo de "Um antropólogo em Marte", Oliver Sacks descreve um caso de daltonismo completo. Não é só a indiferenciação entre verde e vermelho, trata-se de ver o mundo sem cores. Não só as cores do mundo se transformam em tons de cinza, como a memória das cores se apaga da mente de um senhor de 65 anos, pintor, que sofreu uma lesão cerebral. Como as cores eram essenciais pra vida profissional do homem, sua ausência o colocou em estado de depressão. Não sentia mais apetite, porque a comida lhe parecia suja, morta, sem-graça. Iogurte, café e arroz branco ele conseguia comer, mas o resto não lhe apetecia. Continuou pintando em cores no começo do daltonismo, mesmo sem saber qual cor estava usando. Desinteressou-se pela vida sexual, pois a pele de sua parceira não lhe parecia natural.

Fiquei curiosa pra saber como é o mundo em tons de cinza, e decidi tirar fotos em preto e branco.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Paralisação

Paralisação sem aviso prévio quebra as perna de qualquer um. Paralisação porque os funcionários da USP recebem 200 reais de auxílio qualquer coisa e os funcionários da Unicamp não é palhaçada.
Não tinha biblioteca, computadores, secretaria, sala de aula, ou aula. E eu precisava mandar fazer xerox pro Teia na Secretaria Geral da Unicamp, que tava prestes a ser ocupada pelos funcionários em passeata. Saí de fininho, maldizendo essa coisa que chamam de direitos iguais: Eu também quero os 200 que eles ganham... Ora, por favor!

Defesa do Telmo

Ontem foi meio que um dia de férias pra mim. Em plena terça-feira eu larguei tudo e peguei carona com o Telmo e fomos em 4 pra São Carlos, a quase duas horas de casa, pra ver a defesa de mestrado dele sobre planejamento cicloviário.
A banca examinadora com a orientadora no meio e o cara pancada aqui na esquerda.

A defesa foi super tranqüila, mas me incomodou um pouco a aplicação prática que o cara da banca insistia em trazer à tona: condensa os capítulos 3 a 6, deixa só umas tabelas, e vende esse trabalho como glossário ou manual. Hm... Telmo escreveu uma dissertação de mestrado, que é um trabalho acadêmico. O máximo que ele poderia esperar de aplicação prática do trabalho dele é que algum leitor atento extraísse da volumosa dissertação as melhores soluções de planejamento cicloviário adequadas a situações específicas de uma determinada cidade.

Mas o Telmo não contrariou o homem. Bom, vai dizer o quê prum cara que vem dizer que o Telmo não deveria dizer que é desvantagem se uma ciclovia aumenta o percurso do ciclista com o argumento de que a ciclovia existe, é confortável, mas tem como preço um percurso mais longo. Pôxa, quem planeja uma ciclovia tem, sim, que pensar no ciclista que vai usar aquela via, porque se o aumento do percurso for muito grande, muita gente vai preferir não usar a ciclovia.
Caçapa, (não sei o nome do moço) Telmo e Milena.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tempestade violenta

Lá pelas 11 da noite de ontem começou o vendaval. Sopravam ventos fortes, que mais tarde atingiram a velocidade de 117 km/h, segundo a reportagem que eu li aqui sobre a madrugada de ontem. Choveu pouco em Barão Geraldo (cerca de 24mm, que caíram em menos de meia hora), mas os ventos continuavam balançando o mundo.
Nunca vi tanto raio junto. Relampeou das 23:00 às 2 da manhã. O céu piscava de maneira intermitente, uma coisa de louco. Nunca vi tanta energia concentrada na atmosfera.

Tinha feito muito calor de dia, a umidade estava alta, todo mundo suando em bicas, e de noite todo o calor foi atropelado bruscamente por essa tempestade violenta. Ficamos sem energia elétrica, coisa que me tirou o sono. Sim, porque a forma que temos aqui de combater os mosquitos é enfiando o coisinho na tomada. Sem força, fiquei numa cama quente cheia de mosquito. Isso que é o pior: apesar do mundo lá fora quase ter desabado em decorrência da tempestade, a temperatura dentro de casa não abaixou e os mosquitos não foram embora.

domingo, 28 de outubro de 2007

Canal do tempo

A previsão de temperatura máxima pra hoje é de 29º em Campinas. Mas está fazendo 32º e a sensação térmica é de 33º. Tem alguma coisa errada, porque eu diria que está fazendo quase 40º lá fora!

Bragança

Tinha festa de aniversário do Ferrone, tinha apresentação de clown do Sales e tinha Teia do Saber em Bragança. Bah, quanta opção pra um sábado só! Escolhi ganhar dinheiro. Citando o Noel, "pra mim o Teia é uma instituição lucrativa sem fins filantrópicos". Quase, né, porque apesar das 8 horas falando e do cansaço derivado daí, é legal conhecer realidades diferentes e se interessar pelos professores da rede estadual.
Pra minha surpresa e agrado, revi boa parte dos meus alunos de Teia de 2005. Nem todos estavam na minha sala, mas todos vieram me dar um abraço e dizer que estavam felizes em me ver. Eu tinha dado dez sábados em 2005 pra essa galera, então eu ainda lembrava dos nomes de quase todos. Muito bom se sentir bem-vinda.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

No grito

Hoje de manhã ainda chovia um pouco. Tão pouco, que resolvi ir de bicicleta (que não tem paralama) pra Unicamp. A uma quadra da delegacia de polícia e a duas de casa, dois moleques vieram na minha contramão numa bike só. Diminuí a velocidade, porque eles estavam vindo pra cima de mim. Parei, o menino de trás pegou o guidão da Amarilda, o outro continuou pedalando devagar.

Sai dessa bicicleta, dá essa bicicleta.
Foi um sussurro, eu não entendi logo que ele queria roubar a minha bicicleta.

Me empurrou no chão, eu caí na sarjeta cheia de água suja e lama. Só que eu caí segurando a Amarilda. Não passou pela minha cabeça largar a minha bicicleta. Xinguei gritando, olhando nos olhos do moleque, com muita raiva e uma voz que eu não reconheceria como minha. Ele saiu correndo atrás do companheiro ciclista.

Um carro parou, perguntou se era assalto, respondi que sim. O motorista engatou a primeira, eu botei a corrente de volta na coroa e cada um tomou o seu rumo.

Dois moleques, que não tinham cara de malandros ou pobres. Sem arma, sem peito estufado, sem levantar a voz. Cabelos tingidos de loiro, com gel, brinco na orelha, tênis provavelmente mais caro que o meu. A uma quadra da delegacia. Imagino que não sejam daqui e não conheçam a vizinhança. E outra: concordo com a Maíra, que disse que se fosse um homem na Amarilda, eles provavelmente não tentariam disputar a bicicleta no tapa. E a disputei no grito.

Chuva!

Choveu por dois dias, quase sem parar. Chuva mansa, não chuva de verão com ventos, trovoadas e raios apocalípticos. Não, chuva como a chuva na Holanda. Quase fiquei com saudade dos Países Baixos.

A chuva lotou os lugares públicos fechados. Pra fugir da chuva, o povo ia pras bibliotecas, laboratórios e salas sem aula. Foi difícil achar uma cadeira vazia. Pouca gente caminhava nas ruas. Eu mesma fui de ônibus pra Unicamp, mas voltei a pé, pra exercitar o pé direito.

A chuva também trouxe o Ruy, que contou estórias das crianças na creche em que trabalha como monitor. Foi muito legal ver os olhos dele brilhando, quando ele contava das aventuras das crianças de quase 3 anos com a língua portuguesa.

Nóia na creche

Eu não sei como é no dia-a dia, não tenho filhos que vão à creche. Mas, passeando por Barão Geraldo e observando as fachadas das creches, tenho a impressão de que elas são lugares de segurança máxima. Muros altos, portões de ferro, cerca elétrica por cima, crianças seguradas e asseguradas contra qualquer ameaça vinda de fora.

Eu preciso que crianças de quatro anos, mais ou menos, me contem estórias. Aquelas, do experimento que tá no Laboratório Virtual de Psicolingüística. Pensei em como chegar a uma criança de quatro anos de idade: indo às escolinhas. Fui em duas em Barão, e a mesma história se repetiu:
Pois não!
Volta amanhã, que a coordenadora pedagógica está em reunião.

Ninguém abriu o portão, quis saber que pesquisa era essa, quem eu era. Volta outra hora. Bom, eu liguei no dia seguinte, pedindo pra falar com a Patrícia, pedagoga da escola.
Lou de onde?
Expliquei o que eu precisava.
Nessa época do ano não dá, bem.
Veja bem, eu não pediria pras crianças contarem estórias no período das atividades pedagógicas, mas quando elas esperam os seus pais chegarem pra lhes buscarem. Eu não quero tomar o tempo da escola.
De tarde eu não fico, então eu não poderia supervisionar a sua atividade, tá, bem, obrigada, tchau!
Desligou.

Tenho a impressão de que os pais não levam seus filhos à creche pra que aprendam alguma coisa, mas pra que estejam num lugar seguro enquanto trabalham no escritório. E as creches parecem concordar com isso: deixe seu filho aqui, que a gente guarda ele pra você e cuida pra que nada vindo de fora da escola o perturbe.

Agora me diz onde que eu vou achar crianças de quatro anos que me contem estórias malucas!

domingo, 21 de outubro de 2007

Não quero sacola

Não quero sacola, eu tenho mochila.
Posso deixar a sacola aqui? Eu ponho na mochila.
Pode deixar, eu trouxe a minha mochila, que é mais ecológica que as sacolas de plástico.

Toda vez que pago por algum produto, a história se repete. Todo mundo mete tudo dentro de sacolas plásticas. As pessoas acham normal acumular sacolas plásticas em casa, e provavelmente nunca pensaram em rejeitar as sacolas que lhe são oferecidas.

Mas percebo que as coisas podem mudar através do meu comportamento diferente.
Na banca de jornais, rejeitei a sacola. Enquanto eu colocava o troco na carteira, ouvi a vendedora perguntando pro cliente seguinte se ele aceitava uma sacola plástica. Claro que ele aceitou, mas só a pergunta da vendedora já valeu: o gesto de meter tudo na sacola deixou de ser automático por duas vezes (a minha e a do cara depois de mim).
Na frutaria aqui perto, todo mundo sabe que eu não quero sacola, e quando um dos senhorzinhos japoneses estica a mão em direção de uma sacola plástica, a moça no caixa avisa que eu não quero sacola.
No caixa de um loja do Shopping eu fui surpreendida com uma risada: ah, é você a moça que não gosta de sacola!!!

Julgamento de gramaticalidade: totalmente afrodisíaco

Na Lingüística existem 3 principais correntes teóricas: estruturalismo, funcionalismo e gerativismo. Poucos lingüistas se auto-intitulam estruturalistas, restam então os adeptos das duas outras teorias. Os funcionalistas investigam a função da linguagem em uso e analisam o que foi dito. Os gerativistas acreditam na soberania da forma e na autonomia da sintaxe. Para fins de pesquisa, inventam sentenças em suas cabeças e as mostram pra alguns falantes e perguntam se as frases são boas. Dizem estarem se beneficiando da "intuição do falante" quando apresentam suas frases em testes de julgamento de gramaticalidade.

Fui vítima de um gerativista que "mexe com advérbio". Por duas horas ele me fez traduzir pro alemão e avaliar a aceitabilidade de sentenças como:

Geralmente os homens primitivos costumavam caçar normalmente de manhã.
Normalmente os homens primitivos provavelmente caçavam de manhã.
Possivelmente os homens primitivos certamente caçavam de manhã.

Depois da segunda sentença eu já achei que ele tava de sacanagem comigo. Depois da décima sentença, saquei que ele não estava considerando o significado (semântica) das sentenças dele. Depois da primeira hora eu avisei que o meu cérebro estava entrando em colapso. No fim das contas, ele me disse que eu tinha um dialeto sintático diferente dos outros falantes que ele entrevistou. Maravilha!

Fiquei brava com esses lingüistas que não investigam o se diz, mas o que eles acham ser possível. Fiquei pensando na probabilidade de alguém em algum momento proferir sentenças como as do moço que me torturou com os julgamentos de gramaticalidade dele.
Percebi que esses caras não se preocupam com o sentido das sentenças, só com a forma. Pra ilustrar isso, lá vai que eu soube do Renato, que participou de um evento de sitaxe gerativa. Um gerativista, que estuda a falta de sentido da preposição "de", afirma que caixa de bombom e caixa bombom são equivalentes. E que também não há diferença entre caixa de bombom (que pode não conter bombons) e caixa com bombom (que necessariamente tem bombons em seu interior, mesmo que não seja uma caixa de bombom).
Mas será que são só os gerativistas que inventam sentenças esdrúxulas?

Eis que, numa tarde de sábado e muito sol, enquanto eu tava deitada na rede, passa um carro de som fazendo propaganda para uma tal Feira da Primavera. O carro passou devagar e o som era muito alto, de forma que tive tempo suficiente para decorar algumas sentenças impressionantemente bizarras:

além de comprar tudo com BOM GOSTO,
você PARTICIPA DOS BRINDES
E ATÉ BARRAS DE OURO!
LEMBRE-SE!
Você é nosso convidado para tomar um delicioso chá de frutas TOTALMENTE AFRODISÍACO.


Duvido que alguém que ouviu o carro de som passando tenha estranhado qualquer uma das coisas que eu grafei em letras grandes. A vizinhança ouviu, processou e entendeu. Pronto, acabou. Fez sentido, parte pra outra, não volta pra analisar qualquer parte do discurso.
Mas eu ouvi essas frases tantas vezes, que passei a analisá-las.

Me parece difícil interpretar o ato de compra como sendo de 'bom gosto'. Ou alguém tem ou não tem bom gosto, mesmo que isso seja discutível, mas não se executa ações com bom gosto... Como' participamos' de brindes? Não consigo imaginar uma situação em que seres humanos participem de objetos inanimados. Qual é a relação entre os brindes e as barras de ouro? O que deve ser lembrado, que não foi mencionado antes? Um chá pode ser parcialmente afrodisíaco?

Voltemos aos testes de julgamento de gramaticalidade do gerativista. Quando um falante é convocado a analisar sentenças escritas e dar um parecer sobre sua boa-formação, ele costuma se orientar pelo que é aceitável na escrita, e talvez dê mais relevância à forma que ao sentido das frases que analisa. O processamento da linguagem escrita é diferente do processamento da linguagem oral. Um exemplo é o holandês que eu entendia quando falavam comigo, porque fazia sentido. Mas eu sou incapaz de montar uma frase em holandês, porque eu não sei qual é a posição dos constituintes. Enquanto eu ouvia holandês, eu não analisava, eu entendia e pronto. Talvez coisa semelhante aconteça com o texto do carro de som: a gente entende e não acha estranho quando ouve, porque não analisa as frases e a relação entre elas. A gente entende e pronto, basta.

Existe um abismo entre fala e escrita, e a maioria das pessoas pensa que fala como escreve: de forma linear, clara e racionalmente progressiva. Mas este não é o caso. Só as gravações que eu fiz das histórias do meu último experimento já mostram que o planejameto da fala e da escrita são completamente diferentes.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Acabou a luz

Chegamos no CARPE antes de escurecer. Como não havia outro estabelecimento comercial num raio de 5 km, decidimos jantar ali mesmo, no restaurante. Rogério avisou que a janta sairia às oito. Muito bem. Às seis e meia a luz acabou. Às oito estávamos à mesa, à luz de vela, em companhia de Mineiro, Rogério, Rosângela e Francisco. Enquanto eles tomavam cerveja, nós comemos tilápia. Daqui a pouco chega o Chapolim, querendo um telefone. O telefone de todo mundo lá funciona por sinal (não é celular) e precisa de bateria. Sem energia, não tem bateria que alimente o telefone. Resta orelhão, que tem lá no restaurante. Pegou uma vela e foi até o orelhão, reclamar na CPFL que acabou a energia. Ele tava com 500 litos de leite em casa, e precisava refrigerar esse leite todo, não podia deixar estragar. Aí o Chapolim quis comprar cigarro, mas o bar a 2km de lá tava fechado, então ele voltou, pra filar cigarro do Rogério e contar das vacas dele, do pai que ordenha as vacas na mão porque é pão-duro, da viagem a Camboriú que ele vai fazer pela faculdade, dos monitores de esporte de aventura que vêm de São Paulo e tomam o emprego dos monitores de Socorro. Depois que o Chapolim foi embora, chegou o Kiko com o Tico e pediram pro Jonas cantar umas música em ingrêis. Ah, vai que eu de repente eu faço uma dupra com ele! Mas não teve cantoria. Conversamos até tarde com as pessoas de lá, ouvimos o urutau cantando e fomos dormir ouvindo o rio e os sapos. (Segundo o taxista, sapo é que nem músico de orquestra: cada um tem o seu instrumento.)

Caminhada de volta

Essa é a estradinha que pegamos de volta pro CARPE. Foram 7km que fizemos em 2 horas. Fiquei super feliz por ter conseguido fazer uma caminhada em estrada de terra (saudades da Estrada Real!!!) sem sentir muita dor no pé. Deu pra subir e descer mantendo um ritmo bom.
Essa sou eu, protegida contra o sol. Depois do pedal de Holambra pra cá aprendi que sem nada na cabeça é muito ruim de se estar no sol.
Não vi queimadas aqui. Vi cupinzeiros, pastos verdes, árvores e lagoas.

Parque dos Sonhos

Laércio, um dos funcionários do Centro de Aventura Rio do Peixe, nos levou de carro até o Parque dos Sonhos. Cruzamos a divisa e chegamos no último parque do complexo de parques que há em Socorro.
Na entrada, um peru dando as boas-vindas.
Aproveitaram uma árvore caída sobre o rio pra fazer essa ponte. Apesar de caída, desenraizada e deitada na horizontal, a árvore tava toda em flor, firme e forte.
Olha as raízes de fora aí.
Subindo a trilha até a Pedra Grande.
Lembra daquela de placa de trânsito indicando vento forte? Agora boto fé nas placas. Muito vento no topo da Pedra Grande.
Achei essa semente no meio do caminho.
Além do bambu verde tinha esse, verde-amarelo. Parece que algum japonês muito paciente passou um pincel verde no bambu...
Depois de entrar na água gelada e marrom do Rio do Peixe.

Esportes de aventura

No espaço de 15 km entre o centro de Socorro e a divisa com Minas Gerais, seguindo o Rio do Peixe, há uns 6 ou 7 parques. Parque cobra entrada, mas tem banheiro, piscina, lanchonete, monitor e atividades.
As atividades são esportes de aventura: tirolesa, escalada, rapel e pêndulo são os que se utilizam do equipamento usado pra montanhismo. Tem ainda arborismo (ou arvorismo), esportes aquáticos, tipo bóia-cross, rafting e canoagem, além de vôo livre e trecking. Todos esses esportes demandam a ateção e o tempo de um monitor, portanto custam de 15 a 40 reais.
Nós não pagamos pra nos aventurarmos no Parque dos Sonhos.
Vista pra Pedra Grande, o ponto de onde saem duas tirolesas.
Isso é uma estrutura de arborismo. Se cair, cai na lagoa, onde o Rogério mantém e engorda 4 toneladas de peixe. São peixes de toda espécie, que são criados aqui e mandados pro Rio do Peixe. Mês passado mil peixes foram soltos no rio. Isso é um projeto de uma Ong com o Centro de Aventura Rio do Peixe. Muito da hora essa iniciativa de repovoar o rio! Aliás, o Rogério e família são gente muito consciente do ambiente. Reciclam tudo, conversam sobre aquecimento global, lixo, reflorestaram toda a área deles e brigam por uma boa qualidade de vida.

Socorro

Liguei pro Hotel Fazenda de Socorro que constava no guia e engasguei ao ouvir o preço da diária. Perguntei se não tinha camping, e ele me passou o telefone do Centro de Aventura Rio do Peixe (lá vai: (19) 3855 7646). Trata-se de um restaurante, mas tem área de camping, duchas e banheiros, sombra e pontos de luz na área reservada pras barracas. Cobram 20 reais por pessoa por noite e dão café da manhã quase tipo café colonial. Da rodoviária de Socorro é preciso pegar um táxi. Não combinamos o preço da viagem antes, e pagamos 18 pila. Os locais e os espertos pagam 15 pela corrida. Esse preço é resultado de negociação, porque o taxi não tem taxímetro.
A última vez que dormi na minha barraca foi em dezembro de 2005, quando fui pra Barra do Una com a Livinha. Tava passando da hora de acampar!!!! Chegamos de noite e montamos a barraca debaixo de chuva fina. Finalmente chovia, mas só deu pra refrescar. Não foi a chuva que a lavoura tava precisando. Ainda bem pra quem tava montando barraca.
De noite fez um frio do caramba, e Jonas gripado sofreu um pouco. De manhã pudemos ver onde montamos a barraca. Da hora!
Eita vida tranqüila do interior!

Corredor literário

Na Paulista está ocorrendo um evento chamado "Corredor literário", com diversas atividades. Eu não tava sabedo de nada, e fui surpreendida por Alice e Peter Pan lendo estórias pra criançada no Parque Trianon. Jonas e eu sentamos na mureta pra ouvir 3 estórias.

Pavilhão da Expoflora

Eu nunca tinha ido ao pavilhão em que acontece a Expoflora. É agradável.
Tem orelhões engraçados.

No feriado de 12 de outubro tava tendo Encontro de motos e triciclos ali, no pavilão.
Não saberia como classificar esses veículos: moto, sim, mas também é triciclo, porque tem 3 rodas...
Tudo tem que ser holandês. Já que não tem orelhão em forma de tulipa, tem restaurante Tulipa.