quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pedalando em 2

Fui buscar a Evelyn no aeroporto de bicicleta. Na ida, eu voei no asfalto. Na volta, me liguei que a bicicleta dela não tinha marcha. Viemos mais devagar e conversando.

* * * 

No dia seguinte, voltando do rio Madeira, quis fazer um caminho bem óbvio, que ela pudesse refazer sozinha (muitas redações e alunos pedindo notícias de nota me impediram de acompanhar a minha hóspede pra todos os lugares). No meio da D. Pedro II, de frente pra catedral, tinha uma festa de Natal. Desmontamos, subimos na calçada e começamos a nos emaranhar pela rala multidão. Logo fomos interceptadas por um policial que dizia que bicicleta tem que andar na rua. E que a gente não podia passar por ali porque a rua tava interditada. Evelyn explicou que, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, um ciclista desmontado se equipara ao pedestre. Não convenceu. Ele apontou pruma rua (que eu não sei onde vai) e disse que era pra gente pedalar por lá. Eu disse que se fôssemos obesas, teríamos que pedir licença do mesmo jeito que com as bicicletas. Ele apontou pra praça e disse que deveríamos passar por ali. Fomos, achando tudo aquilo muito maluco.

* * *

Tínhamos notado que a roda de trás da dobrável novinha da Evelyn fazia barulhos quando o pedal não girava. O som parecia vir do cubo. Na manhã seguinte, fomos à bicicletaria do Bezerra, afinal de contas, Evelyn ainda vai longe com essa bicicleta. O mecânico tava atrás do balcão, não debruçado sobre uma bicicleta. Bom sinal. Logo identificou o som e explicou que as esferas continuam girando quando o (contra)pedal pára. Levantou a roda traseira de uma speed, girou o pedal e nos fez ouvir um som similar. Concluímos que não conhecer a própria bicicleta pode gerar pânico.

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Na mesma noite, depois do cineclube no Cine Rio, fomos pela Abunã (onde fica a bicicletaria) pra direção do Shopping. Uma moto emparelhou com a gente. Quando vi, era o Bezerra, todo sorridente:
- Vi as luzinhas da bicicleta piscando e pensei: até já sei quem é.

* * *

Corajosamente, Evelyn foi visitar o museu de presépios (totalmente desconhecido da maioria dos portovelhenses) lá na Zona Leste, onde a Mamoré cruza com a Rio de Janeiro. Eu fiquei em casa, corrigindo redações. Na hora do almoço, mandei mensagem pro celular dela, perguntando se íamos almoçar. A resposta veio com uma localização: "estou no Mercado". Peguei minha bicicleta e fui (voando). Não achei a Evelyn nem a dobrável no Mercado Central. Tentei ligar, mas não consegui. Mandei mensagem: "qual mercado?" Antecipando a resposta, subi até o Mercado Municipal, da Sete de Setembro. Nada de Evelyn. Telefone morto. Quando eu tava voltando pra casa, tocou o telefone. Trem Madeira-Mamoré. Ela estava sentada num banco de praça, conversando com um senhor bem-humorado. Enquanto ela me explicava que o celular dela tinha morrido temporariamente, um mendigo veio apertar a minha mão. Apontou pra Dahon e se riu todo: essa bicicleta aí dobra no meio!

3 comentários:

ogum777 disse...

jura mesmo q se assustaram com o barulho da roda-livre? boa, essa fica pras historinhas da evelyn.
cuida bem dela pois ela é muito querida aqui em sp. fizemos a ciclo-mudança dela. pergunta pra ela do padrinho dela, o "xoel", com X mesmo. e depois eu mandoum vídeo dela muito legal.....
inté!

iglou disse...

Hehehe
ela já embarcou. E melhor: a caminho do aeroporto, ela me mostrou um outro ponto turístico que eu desconhecia, o parque circuito.

felizcidadefeliz disse...

Ei Lou, lembra do livro que falei da novela das oito?!! Pois é, existem muitas interpretações (e narrações) para um mesmo episódio!!! Hehe
Cheguei super bem em Rio Branco. Aqui, bem mais calor que Porto Velho. Vou sentir falta da sua companhia e conversas.
Muito obrigada pela recepção, hospedagem 5 estrelas e atenção. Foi ótimo e fez Porto Velho ficar bem mais legal=)

Beijos e boas andanças para você também!

Evelyn