segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ilustre visita

Evelyn me encontrou pelo Warm Showers e pediu dicas de hotéis baratos. Ofereci minha casa. Quando faltavam dois dias pra sua chegada, estávamos combinadas: eu a buscaria de bicicleta no aeroporto, já que ela trazia uma bicicleta dobrável na bagagem.

Saí de casa à meia-noite e fiz os quase 10km em 24 minutos. A noite estava fresca e o trânsito em direção ao aeroporto movimentado. Tinha gente embarcando e desembarcando, gente parada esperando e uns evangélicos lendo (mal, diga-se de passagem) passagens bíblicas no microfone, no fundo do corredor do aeroporto. Fiquei pensando que impressão seria essa, de chegar num aeroporto que parece uma igreja. Quase tive medo de não reconhecer a Evelyn, porque só lembro de tê-la visto uma vez, num Brooklin Fest. A caixa presa na bicicleta do namorado dela me era mais presente na memória do que os traços dela. Todavia, foi fácil identificá-la: não usava um vestido de gala, não abraçava ninguém e procurava por mim.

Pedalamos em linha reta pra minha casa. No caminho, contei que a moça que dividia a casa comigo estava de mudança no dia seguinte, cedinho. Quando chegamos, a casa parecia mais vazia. Na manhã seguinte, quando quisemos tomar café da manhã, uma escada ocupava o espaço da mesa e os fios do ventilador de teto desinstalado saudavam um novo dia - quente. O caminhão foi carregado enquanto tomávamos café. Um sofá, telefone no chão, nada de tapete, minha geladeira pequena de volta, nenhuma TV enorme: a casa voltou a se parecer com o que era quando entrei.

A primeira coisa que Evelyn e eu fizemos em Porto Velho foi trocar o pneu do carro da Cynthia. Quem dava as orientações vitais (por exemplo, pra que lado desrosquear os 4 parafusos) era a Fran, por telefone.

Na esperança de ver o meu nome (e o do Renato, Pablo, Maria Luiza, Gilvan, Lígia, Mazé e Iara) escrito na parede do restaurante sob a rubrica de 'linguistas', fomos almoçar no Remanso do Tucunaré. Meu nome não tava na parede, mas o meu ex-chefe de departamento tava na mesa 13.

No fim da tarde do domingo, levei minha hóspede pras margens do Madeira. Pra minha surpresa, o parque perto da estação Madeira-Mamoré está bem atraente, cheio de sombra, bexigas, crianças, casais, roda de capoeira e enfeites de Natal. Fazia um ano que eu não ia lá. Revisitei um ponto turístico por causa da Evelyn, que fez do turismo um trabalho jornalístico.

2 comentários:

Mônica disse...

Que legal, Lou. Vc sempre acompanhada, né?

francismarys disse...

Do meu ponto de vista, trocar o pneu por telefone foi moleza!