terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Internautas

Queimou o modem. De novo. Dessa vez, tinha tirado o fio do telefone, conforme instrução do técnico que diagnosticou um modem anterior queimado. Mas tava na tomada. E o raio caiu aqui do lado. Queimou o segundo modem.

Enquanto eu conversava por telefone com a moça da loja sobre os horários de atendimento, ouvi a vizinha lá fora contando quais coisas ela tinha conseguido tirar da tomada antes que queimassem. O vizinho e eu saímos juntos: ele de carro, eu de bicicleta.

Comprei um modem com wireless, pra me livrar do cabo azul quilométrico que herdei da Oca da Tapioca. Liguei no provedor pra configurar o modem. Inverti as pontas dos fios, liguei e desliguei o modem, o computador, os dois,  mas o modem não funcionava. A interação com a moça do suporte técnico era preenchida de silêncios. Pra saber se o raio tinha danificado a rede, usei um modem não-meu, encontrado numa gaveta. Internet ok e navegando. A moça decidiu que o problema era o modem.

No dia seguinte fui na loja, querendo trocar o modem. O vendedor me mandou pra assistência. André me provou que o modem funcionava. Voltei pra casa e voltei a ligar no suporte técnico do provedor. O atendente custou a localizar o manual referente ao meu modem modernoso. Conseguimos autenticar o sinal (?). Para instalar o wireless, ele entrou no meu computador. Muito bizarro ver o cursor se movendo na tela, daquele jeito frenético, telas abrindo e fechando; muito estranho não ter controle algum sobre esses movimentos todos. O wireless só funcionava com o cabo ligado. Se tirasse o cabo, o wireless caía. Paradoxal. O moço pediu pra eu desligar tudo e só ligar 3 minutos depois. Desligamos o telefone.

O problema se transformou: o sinal vinha forte, depois caía, depois estabilizava. Mas não havia acesso à internet. Conectada, mas sem acesso. Voltei a ligar no suporte. Depois de meia hora com a moça, percebi que ela interagia comigo, o meu computador e seus colegas, que imaginei em pé, olhando por cima do ombro dela pra minha tela de computador. Foi decidido que a placa do meu computador é que estava com problema. Não insisti que não pode ser isso, já que pego o sinal wireless do vizinho. Desligamos. Eu tenho internet, só não tenho mobilidade.

Enquanto o moço da assistência técnica da loja fazia o meu modem funcionar, uma cliente comentou com a recepcionista que hoje em dia estávamos viciados em computador. Disse que precisávamos estar conectados. Se ela tivesse aumentado a conversa com 'navegar é preciso' (navigare necesse est eu não esperava), eu teria me manifestado. Não é que somos viciados em computador e internet. O modus operandi é que mudou pra essa mídia. Metade dos meus alunos não me apresenta mais textos em papel. Chegam por e-mail. Não é mais preciso ir ao banco, à livraria, à reunião. Essa nova mídia possibilita novas conexões com as pessoas. Quanta gente não se conheceu pelos chats da vida? Já me aconteceu de pessoas se surpreenderem com a minha identidade: então você é a meninamalouca? - porque me liam, mas nunca tinha me visto. 

Pra mim, internet é dependência - no mesmo sentido que sou dependente de um meio de transporte. Sou dependente de um veículo motorizado pra chegar em Porto Alegre, por exemplo. Ir a pé seria uma baita aventura, mas daí o meu objetivo (chegar em Porto Alegre) se diluiria nessa aventura. Outra coisa é abusar de um meio de transporte: ir de carro até a banca de jornal quando dava muito bem pra ir a pé já configura como uma dependência voluntária do carro.

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