quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Calamidade pública


Saíamos da pizzaria alegres, contando piada e dando risada e entrávamos na recepção do Hotel. Uma famíla descalça e ensopada, carregando apenas o bebê embrulhado nos braços entrou chorando. Nos dispusemos a juntar uns colchões, cobertores e toalhas no salão em que estavam acontecendo as palestras. Foi o milagre da multiplicação das camas, porque o meu quarto, por exemplo, que eu ocupava sozinha, tinha 3 camas americanas (o colchão em cima de um estrado que parece um colchão ortopédico, ou seja, cada cama era 2), o que dava 6 camas potenciais. Alguns de nós disponibilizaram seus banheiros, para que as pessoas, que iam chegando, pudessem tomar banho quente.
No dia seguinte, domingo, os supermercados ficaram abertos e os primeiros artigos a escassear foram água (sem gás) e pão. Havia muita gente estocando mantimentos, chorando e conversando sobre suas perdas.
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Ontem o noticiário local mostrou que em Itajaí quase todas as ruas estão alagadas, não há luz nem água potável em mais da metade da cidade. As imagens mostravam pessoas andando em fila indiana no meio da água (provavelmente em cima do meio-fio das ruas alagadas), carregando coisas nos ombros. Alguns supermercados tinham sido saqueados. imediatamente nos lembramos do Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago. Perdemos a nossa civilidade muito rápido.

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