quinta-feira, 17 de julho de 2008

Pequena Lou e os motociclistas

Minha primeira interação positiva com um motociclista foi de noite, saindo do Shop. D. Pedro. De bicicleta, peguei um atalho no fim da ponte que cruza a D. Pedro e fui seguida por um motociclista, que se orientou pela minha luzinha vermelha piscante. Passou por mim buzinando e agradecendo por ter aprendido um caminho novo.

A segunda foi novamente no cenário de-bicicleta-no-shopping, mas dessa vez eu estava no Iguatemi. À procura de um bicicletário, entrei na entrada de motos, porque me acostumei a dividir estacionamento com motociclistas. O guarda não sabia se o Iguatemi tinha bicicletário, mas eu não podia deixar a Amarilda ali, no cercadinho das motos, que pagam pra estacionar. Perguntou pra outro guarda onde eu podia deixar a bicicleta, e indicaram as docas (onde acontece a carga e descarga de mercadorias). Eu tinha formado uma fila de motociclistas atrás de mim, intrigados com aquela ciclista no estacionamento de motos. Pedalei até as docas, prendi a Amarilda num poste, entrei pelo pavilhão vazio e escuro, entrei no elevador e atravessei corredores até chegar na área das lojas. Não achei o livro que eu queria comprar, sentei na Praça de Alimentação e bebi uma água.
- Onde que cê pôs a sua bike?
Reparei que o homem tinha um capacete de moto na mão e imaginei que ele tivesse estado atrás de mim, na entrada do estacionamento das motos.
- Nas docas, dando a volta no shopping todo.
- Cobraram?
- Não, bicicleta não. É coisa de pobre.
- Meu, eles cobram 3 reais pra moto, e nem é coberto.
- Olha, acho que cê pode deixar a sua moto lá também, sem eles cobrarem.
- Valeu.

A terceira foi ontem. Eu não estava de bicicleta, e o motociclista estava a pé, com o capacete na mão. Rosana, Julia, Iria e eu estávamos a caminho de São José do Rio Preto, para participar do GEL (Grupo de Estudos Lingüísticos). Fizemos uma parada em São Carlos e fomos todas ao banheiro. Passei por um moço que me reconheceu. A surpresa, os olhos atentos e o passo incerto indicavam que tivesse me reconhecido. Estudei seu rosto barbado, procurei pistas na roupa de preta de motociclista, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Saímos todas do banheiro, e lá estava ele de novo.
- Oi, Lou.
- Puxa, você me conhece, mas eu não estou lembrando de você.
- Sou eu, você não lembra?
- Lembrei de você! Agora falta lembrar seu nome! Leandro.
- Isso mesmo.
Leandro trabalhava no bicicletário (quando motos ficavam junto com bicicletas) do Shop. D. Pedro. Eu ia no cinema, pegava a sessão das 9 e quando voltava pra Amarilda, ela estava praticamente sozinha no bicicletário. Enquanto eu colocava luzinhas, luvas, destrancava a bicicleta e arrumava a mochila nas costas, o guarda vinha conversar. As conversas eram sobre o filme que eu tinha visto, sobre o que gostamos de ler, os pepinos no estacionamento. Fui pra Holanda e continuamos nos correspondendo. Caí da árvore e ele sofreu um acidente feio no estacionamento do shopping: estava fazendo a ronda de moto, foi fechado por um carro, caiu e quebrou um monte de ossos. Voltei ao Brasil e ele não estava mais trabalhando no bicicletário do D. Pedro. Agora é moto-taxista lá pros lados de São Carlos.
- Mas tu sofreu um baita acidente de moto e ainda assim trabalha de moto?
- Lou, a gente cai, mas depois levanta de novo.

2 comentários:

Natalie Rios disse...

Lou, onde fica o bibicletaro do DOm Pedro?

iglou disse...

Não é mais onde era. Não é mais junto das motos também. Fica do outro lado do shopping, perto da pista de kart. Não é coberto, o guarda da guarita fica o tempo todo de costas pras bikes e tem um certo trânsito de caminhões que abastecem o shopping.
Se o shopping é um retângulo, o novo bicicletário fica na mesma face do quadrado, na outra ponta.