sexta-feira, 25 de julho de 2008

É? Não é...

Muntasir e eu anotamos o endereço dos consulados da Argentina e da Bolívia. Pegamos buzão e caminhamos um quilômetro na Paulista. Entramos no prédio, fizemos cadastro, mas não subimos ao nono andar, porque o consulado da Argentina não era lá. Mil números pra frente, um quilômetro de caminhada. Fomos mal recebidos, o cara botava dificuldade e incerteza em tudo, quis dispensar a gente. Seguimos pro consulado da Bolívia, na Rua Honduras. Eu não tenho o costume de andar pelo centrão, então tivemos que pedir informação muitas vezes, demos voltas e descobrimos que o endereço não conferia de novo. Um policial nos informou o endereço do consulado da Bolívia: Av. Paulista.

Muntasir and I wrote down the addresses of the Argentina and Bolivia consulates. We took the bus and walked for one kilometer on Paulista Avenue. We went inside a building, registered, but did not climb up to the 9th floor, because the Argentinian consulate was not there. One thousand numbers ahead, another kilometer walk. There, we were made uncomfortable, the man behind the counter would say everything is difficult and uncertain, and wanted to get rid of us. We ventured to the Bolivian consulate, on Honduras St. I am not familiar with the downtown core part, so we had to ask for information more than once, walked in circles and found out that the address was wrong again. A policeman informed us the address of the Bolivian consulate: Paulista Avenue.


Muntasir me perguntou por que as pessoas se comportam assim.
Assim, como? Estando na rua até altas horas, esperando o ônibus no ponto? Passando frio?
Não, por que as pessoas se beijam e se abraçam na rua?
Porque são livres para tanto.



Muntasir asked why people do this. This, what? Being late out on the streets, waiting for buses? No, I mean the hugging and kissing. Because they are free to do so.


Pegamos um ônibus que passava na Sabará. Era o Sesc-Orion que vai pela Ibirapeura, Largo 13, anda um pedaço na Sabará, e entra no Campo Grande antes do meu ponto na Sabará. Quando o ônibus saiu da Sabará, perguntei ao cobrador se o ônibus voltava pra Sabará.
Volta.
E passa ali na frente da Igreja Verde?
Não.
Do Barateiro? Desculpa, agora é Compre Bem.
Isso, passa ali.
O ônibus entrou na Interlagos, direção ponte, sem me dar a menor esperança de voltar pra Sabará. Brava, voltei ao cobrador.
Esse ônibus não vai voltar pra Sabará.
Não.
Mas cê disse que voltava.
Não.
Homem, eu perguntei se voltava pra Sabará, e você disse que voltava.
Ah, não, eu entendi que você tava perguntando se ele voltava pela Sabará.
Puxa vida, um problema de preposição. Voltamos pra casa na sola do sapato.

We took a bus that drives on Sabará Av. It was the Sesc-Orion, which goes along Ibirapuera Av., Largo 13, drives a bit on Sabará Av. and enters Campo Grande before reaching my bus stop on Sabará. When the bus left Sabará, I asked the collector if the bus would return to Sabará. Yes. And does it pass there, before the green church? No. How about Barateiro? I mean Compre Bem, the name has been changed. Yeah, right there. The bus made a turn on Interlagos Av., heading the bridge without any hope of returning to Sabará. Mad, I turned to the collector: This bus is not returning to Sabará. No. But you said it would. No. Man, I asked you if this bus would go back to Sabará and you said it would. Oh, I understood that you were asking if, on his way back, the bus would return on Sabará. Oh, boy. A preposition problem. Muntasir and I walked home.


Muntasir tinha me avisado que não come carne de porco, porque é muçulmano. Fomos num rodízio de massas, e a moça apresenta uma travessa com carne. Pergunto que bicho é aquele e ela responde:
Lagarto.
Não, não pode ser lagarto. É carne de lagarto?
Não, é carne de vaca.

Muntasir had warned me doesn´t eat pork because he is muslim. We went to an italian restaurant and the lady offered us some meat. I asked what animal that had been, and she answered: Lizard. No, this can´t be lizard. Is this lizard meat? No, it is beef.

Dias depois, fomos na padoca, e tinha uns pães recheados com presunto e queijo. Ele pediu um, depois reclamou.

Você poderia ter avisado que tinha porco aqui!
Véio, desculpa, pra mim, presunto é presunto, não passou pela minha cabeça que presunto viesse de algum animal.


Some days later, we went to a bakery, and they had bread filled with ham and cheese. He ordered one and then complained: You could have told me there is pork in this bread! Dude, I am sorry. To me, ham is ham and it did not cross my mind that ham would be the meat of any animal.


Dia seguinte, almoçamos lanche. No cardápio tinha um sanduíche de salame.

Olha, Muntasir, esse aqui é melhor não, tá? Porque eu não faço idéia de que animal vem a carne e a gordura do salame.

Next day, we had sandwiches again. On the menu there was a salami sandwich. Look, Muntasir, don´t choose this one, OK? Because I have no clue what animal salami comes from.

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