domingo, 30 de março de 2008

Programa de aposentada

Fui pra SP sem avisar os meus amigos, me entregando completamente à programação da Olga. Ela passou por uma cirurgia faz duas semanas e precisa de repouso. Dessa vez a tiróide foi retirada. Todo dia um novo esparadrapo enfeita o pescoço dela.
Na noite de sexta, a programação era um concerto beneficente. O dinheiro arrecadado seria doado à OASE. A família que disponibilizou a casa para a violinista e o pianista e seu público é alemã. Muito bem, eu esperava encontrar alemães e brasileiros descendentes de alemães de uma certa faixa etária, de uma certa camada social, ligados à igreja luterana. Quanto à música, suspeito que o violino seja um instrumento difícil de se tocar. Ou talvez Bach não seja próprio para este tipo de constelação instrumental. Nas peças de Mozart e Dvorak os erros da violinista foram menos graves. Notei que não havia crianças na casa, e que as três pessoas da minha idade se sentiam tão importantes quanto os empresários engravatados que estavam ali para cumprir seus deveres cristãos. Família Dauch, casal Krause, a secretária-chefe alemã do Humboldt (esqueci o nome dela), Hermann Wille e o Zander (pai do Fábio e da Kathia) estavam lá. Todos eles me olhavam como se procurassem ver através de um vidro embaçado. Tentavam puxar na memória a que família eu pertenço, por que não estou na Alemanha, qual era mesmo o meu nome.
No sábado, fomos ao sítio de uma das amigas (dos tempos de prefeitura) da Olga. Mulherada animada, conversadeira, alegre. Todas me conhecem muito bem, e até registraram que passei um ano na Holanda. Do sítio, fomos pra Campo Limpo Paulista, visitar uma tia das donas do sítio. Essa tia já é bem velhinha, e encomendou um culto de ação de graças em casa. Juntou um montão de parentes e amigos pra agradecer por estar viva e chamou o pastor pra cantar com o violão. Quando chegamos na casa da tia, a sala já estava cheia. Quando o último convidado chegou, a garagem já estava tomada. Desconfio que depois de mim, só o filho da caseira era mais novo que eu. Mas a postura de todos aqueles senhores e senhorinhas era alegre, acolhedora. Já experimentou o bolo de milho? Bom demais! Já pegou o coração? Deus te abençoe, filha, obrigada por vir.

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