segunda-feira, 31 de março de 2008

Pedivela Alivio

Quando eu passava a marcha do câmbio dianteiro da maior pra do meio, a corrente enroscava no quadro. Nem sempre, mas sempre com maior freqüência. (Nicht immer, aber immer öfter.) Durante a viagem de Santos a Ubatuba, a corrente raspava no braço do câmbio dianteiro e fazia rék, rék, rék, em intervalos regulares, quando eu tava nas marchas mais pesadas. Mexemos no câmbio de tal forma, que a corrente não entrava mais na coroa menor da frente. A passagem da do meio pra maior, no entanto, acontecia mais rápido.

Fui na bicicletaria do Baixinho, pra pedir que me regulassem o câmbio. O Baixinho olhou pro meu pedivela e contou o cassete e concluiu que o pedivela não combinava com o cassete.

OK. Vamos à definição dos termos. A corrente passa por dois mecanismos redondos com dentes. O da frente é um jogo de 3 discos dentados chamados coroa e o suporte pro pedal. Tudo isso compõe o pedivela. O de trás é composto por um jogo de discos dentados, chamado cassete. A Amarilda tem um cassete de 9 discos, totalizando 27 marchas (3 x 9 = 27). Bicicletas de 24 marchas têm um cassete de 8, as de 21 um de 7 discos dentados atrás. O câmbio é o mecanismo que faz com que a corrente passe de um disco a outro. Como a coroa e o cassete possuem mais de um disco, é necessário que haja um câmbio dianteiro e um traseiro. Os elementos (pedivela, cassete, corrente e câmbios) devem ser compatíveis.

O Baixinho me mostrou que eu tenho câmbios e cassete Deore, mas pedivela Alivio. É tudo da Shimano, mas a coroa da Alivio é mais grossa, porque a linha Alivio é prum cassete de 8, em que há mais espaço livre que num cassete de 9. Por ser mais grossa, a corrente não sai com facilidade dos dentes e enrosca. Eu precisava de um pedivela Deore. Tudo bem, troca.

Olhei na nota fiscal da Amarilda e vi que o pedivela Alivio custou 130. Eu podia tentar vender esse meu pedivela pra bicicletaria. Trouxeram um pedivela com movimento central selado e super moderno da Deore. Perguntei o preço e me assustei: 530. Perguntei se ele não tinha um Deore sem o movimento central. Tem, mas tem que encomendar e custa 340. Puxa vida! Pra quem tava achando que ia pagar uma regulagem de câmbio, isso ainda era caro. Baixinho olhou pra bicicleta dele, contou os discos no cassete. Era um pedivela Deore prum cassete de 8. O meu pedivela serviria na bike dele e vice-versa. Maravilha! Cobraria 180. Aceitei. Ficaria pronto na segunda-feira (hoje) às 9:30.

Apareci lá pontualmente, e vi a Amarilda pendurada na oficina. Vai demorar? Trinta minutos. Putz. Vou a pé pra Unicamp, e pego ela ao meio-dia, então. Não, a gente te empresta uma bicicleta daqui. Não precisa andar a pé.

Quando finalmente devolvi a Monark e peguei a Amarilda, confirmei o que eu já sabia: a minha bicicleta é a melhor que eu já pedalei na vida.

4 comentários:

Carlos Teixeira disse...

Lou, graças ao seu relato aprendi que a peça da bicicleta se chama "cassete" e não "K7", como eu tinha na minha cabeça...
Que legal que agora a Amarilda "die Zweite" está bala!

iglou disse...

Hehe, lembrei da coisa do o-ring...

asbicicletas disse...

um problema de regulagem de câmbio, não do pedivela inteiro. no máximo, bastava uma troca de coroas - ou uma outra hipótese: câmbio dianteiro torto. é a propaganda que faz com que as pessoas pensem que é preciso usar a linha copleta de um fabricante. já fiz bike funcionar com câmbio campagnolo de 6 trocando as 8 marchas de um cassete sram montado num cubo shimano, e a alavanca era sachs. falha? nenhuma. precisão? 100%.

iglou disse...

Olá, pessoa

sempre admirei mecânicos de bicicleta e experimentadores de toda sorte. Até já quis pedir emprego em bicicletaria, mas decidi que eu seria mais feliz como professora. Agora olho pras redações dos meus alunos e suspiro pelas mãos engraxadas.