quarta-feira, 19 de março de 2008

Der Roland

Um americano e dois brazucas fizeram uma HQ chamada Rolando. Sim, de acordo com a Canção de Rolando. Coloque-se em 778 a. D. Carlos Magno está na Espanha, conquistando tudo. Falta Zaragoza. Marsilo, rei de Zaragoza, envia um dos seus a Carlos Magno, anunciando que Marsilo se converterá ao cristianismo e seguirá atrás do Carlos Magno pra a França - em trinta dias. Carlos Magno, cansado de lutar, acredita na estória e parte para a França com seus homens, deixando 20 mil homens ali, como retaguarda.
Marsilo cai matando com 200 mil homens em cima dessa retaguarda, liderada pelo queridinho de Carlos Magno, Rolando. Rolando é nosso herói. Ele luta contra os pagãos. Rolando tem um olifante (minha primeira ida à Wikipédia, porque não consegui evitar de pensar no Oliphant do Senhor dos Anéis), que é um berrante feito de marfim (tinha que haver um elefante nessa estória). Rolando, ao ver a massa de 200 mil homens armados subindo as colinas, deveria ter soprado o seu olifante. Mas ele é homem honrado, orgulhoso e cabeça dura. Não pediria ajuda ao seu rei. Ele lidaria com a situação. Afinal, o que são 200 mil homens? Todos são vencidos, num fabuloso banho de sangue. E eis que pelas colinas sobem mais 200 mil homens, liderados por Emir, que veio em socorro de Marsilo. Rolando sopra o olifante tão fortemente, que suas têmporas estouram. E ele morre. Carlos Magno ouve o chamado e volta, combate os pagãos e volta vitorioso pra casa.

A parte fraca da narrativa é que os pagãos são pagãos, não muçulmanos. São descritos como traiçoeiros, traidores e mesquinhos. Quando o Emir dá o comando de ataque, grita: Em frente, pagãos! Opa, peraí, pagão é o atributo que os cristãos dão aos não-cristãos. Os não-cristãos autodenominam-se de acordo com sua crença (muçulmanos/ mouros, judeus, o diabo a quatro). Portanto, a convocação de Emir não faz sentido.

Mas esse não é o único Rolando que eu conheço. Em Bremen há uma estátua do Roland.

Este Roland também é medieval, mas não é mártir. Este Roland simboliza a liberdade e independência do povo de Bremen da igreja católica. Dificilmente os dois Rolands referem ao mesmo homem...

Um comentário:

IVALDO ROLAND disse...

A estátua do Roland (herói dos francos) foi doada pela comunidade de Bremen, na Alemanha (cidade irmã). É uma réplica da estátua original existente em Bremen. Está hoje colocada na praça principal, sendo uma atração turística.