domingo, 2 de março de 2008

Misérias da guerra

Esse post tem muitas imagens, porque são elas que me impressionam tanto.

Terminei hoje de ler um livro que me acompanhou por um mês e meio, mais ou menos. Conheci parte da obra de Goya, entendi por que ele é considerado um gênio, aprendi um pouco da história espanhola e da vida privada da realeza que orbitava em volta do Goya. Da pessoa do Goya depreende-se pouco, mas sabe-se muito sobre o contexto político da época em que viveu e qual é a opinião do escritor sobre os nobres espanhóis. Muitas obras são apenas descritas, outras são expostas e descritas. Los desastres de la guerra são os mais viscerais, e povoaram a minha mente por um tempão.
Não é só o que acontece com os mortos que é trágico, mas o que os vivos fazem com os vivos mais fracos nos tempos de guerra.

Assisti ao filme Labirinto do Fauno porque me prometeram que não era filme de terror. Mas é. A narrativa se passa em dois planos: a estória do fauno, imaginada pela pequena Ofélia e o mundo real, em que militares arbitrários e brutais tentam desarmar a guerrilha esfomeada em épocas de chuva. A estória do fauno é tenebrosa, a realidade é terrível. Filme de terror.

As histórias em quadrinhos da Satrapi viraram filme, que eu vi ontem no cinema. A idéia da autora iraniana era contar aos seus amigos franceses a sua vida. Escolheu o gênero dos quadrinhos e acabou vendendo sua biografia sob o nome de Persépolis para uma editora de grande porte. Como explicar sua natureza iraniana sem recorrer às guerras persas, fria, do Iraque, dos xás e Talebans etc. e tal? Mais imagens de guerra na minha cabeça.
Depois de passar a manhã e tarde no IEL, terminei o dia na rede, lendo El Gaucho, de dois italianos contando a história da reconquista dos argentinos contra os ingleses. Não sei se isso faz muito sentido, mas enfim, tem guerra de novo. Não tem muito sangue, porque o que os autores queriam mostrar não eram os desastres físicos e psicológicos da guerra. Mas a estupidez que gira em torno do patriotismo - representado pela bandeira. Uma seqüência longa mostra como dois homens (um escocês e um inglês) 'dão a vida pela bandeira':


Porca miséria!

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