domingo, 23 de março de 2008

Público de praia

Cada praia tem o seu público.
Maresias é o point da galerinha jovem. Adormecemos ao som de festa e acordamos às 6 com o mesmo som. Às 7 da manhã de sábado a padaria estava lotada de pós-adolescentes (elas de vestidinho e eles com muitas tatuagens) sonolentos. O efeito da bebida ou das drogas deixava seus olhos vermelhos, o corpo pesado e reflexos retardados. O nosso dia tava começando, o deles tava terminando.

São Sebastião nos surpreendeu pelo contingente de ciclistas doidos. Dois pedalando lado a lado, conversando e na contramão, foi o que mais observamos.

Caraguá é praia pra família. Família significa criança pequena que precisa de sombra; filha que não consegue se decidir qual óculos de sol comprar do ambulante e grita da beira do mar até a sombra, pedindo a opinião da mãe; é o garotão abrindo o porta-malas e permitindo que o funk, axé, ou o raio que o parta invada os ouvidos de qualquer um; é o pai bebendo cerveja e contando ondas. O nosso dia tava no meio, o deles tava começando.

Ubatuba começa pela Praia Vermelha. Muito antes de chegar nela, a fila de carros espessava e se lentificava. Cogitei algum acidente ou bloqueio, mas não. Era desfile mesmo. Quem tava na Praia Vermelha desfilava seu corpo, biquini, tatuagens, músculos e se media com outros no volume do som que o carro era capaz de produzir. Infelizmente nem todos têm o mesmo gosto musical. O meu não estava representado lá. Considerando a improvável hipótese de que estivesse, ninguém seria capaz de distingui-lo. Amigos, em verdade vos digo: passei pelo inferno sonoro. Hm. Ainda não acabou. A fila de carros também desfilava: os próprios carros, seus sons potentes e proezas de motorista querendo ultrapassar os outros pelo acostamento. O nosso dia tava no fim.


Nenhum comentário: