Epelho quase do tamanho da cama, torneira pingando, nenhum lençol ou toalha e muito mofo nas paredes. A notícia boa: pernoite por 22 reais e perto da rodoviária. Mas sem café da manhã.Saí à procura de um orelhão. Precisava ligar pro meu parceiro de pedal e saber que horas ele chegaria na rodoviária de Santos. As minhas poucas unidades do cartão telefônico foram devoradas pela ligação pra celular, e fiquei sem saber que horas que ele chegava. O orelhão ficava num posto de gasolina, então fui até o frentista, perguntar se ele vendia cartão. Não, só na pastelaria. Explicou onde era a pastelaria e quando cheguei na borda do posto, me chamou de volta. Me ofereceu um cartão dele. Oh, que atencioso, mas eu não queria gastar o cartão dele. O orelhão começa a tocar. Vamos os dois até lá, ele atende, diz que aqui é do posto Brás Cubas e depois me passa o fone. Luizão, que horas cê vem?
Luizão tinha dito que viria às 7:30. Eu precisava tomar café da manhã, e tinha sacado que o bairro em que eu tava eu não acharia nenhuma padaria em que eu pudesse matar a minha fome matinal. De noite vi botecos e puteiros. De manhã eu não queria procurar muito, decidi tomar café da manhã na rodoviária.
Na rodoviária, um segurança perguntou se eu ia embarcar com a bicicleta. Não. Então ponha a sua bicicleta no bicicletário, aqui na plataforma não pode. O bicicletário consistia num paraciclo e um guarda ouvindo música no ipod. Luizão chegou, precisava tomar café também, prendemos as duas bikes perto do guarda ouvindo música. Sem tirar os fones do ouvido, perguntou pra onde a gente ia. Ubatuba. Quanto tempo demora? Dois dias (e mostrei dois dedos). Ele não conseguiu ler os meus lábios, mas interpretou os meus dedos. Duas horas?
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