domingo, 23 de março de 2008

Ciclistas

Olhando prum grupo de cinco moleques descendo a ladeira de bicicleta na contramão, Luizão contou que tinha visto numa reportagem que morrem não sei quantos mil ciclistas por ano no Brasil. Eu ia comentar os furos dessas estatísticas, principalmente quando se trata da contagem de acidentes sem morte, em que os ciclistas normalmente figuram como pedestres. Mas ele emendou, apontando pros meninos radiantes de alegria: isso não é ciclista! Passou um cara vestido de roupas coloridas e apertadas de lycra e capacete. Isso é ciclista, tá vendo, roupas apropriadas, capacete, andando conforme o sentido do trânsito, com segurança. Chamei atenção pro fato de que nem todos os usuários de bicicleta tiveram instruções de como se portar no trânsito e que os pé-rapados não têm dinheiro pra comprar óculos de sol, capacete ou bicicleta boa.

Lembrei quais são as pessoas que cumprimentamos no caminho: pedestres que acenaram pra nós, ciclistas esportivos como nós e ciclistas urbanos que nos cumprimentaram. Eu tentei acenar com a cabeça pra qualquer um que olhasse muito pra nós, sem preconceito, mas confesso que me senti mais compelida a acenar para aqueles que se pareciam comigo.

Cheguei em Campinas, tirei a bicicleta do bagageiro do ônibus, atravessei a cidade semi-deserta e peguei o Tapetão. Um casal de amigos meus vem na minha contramão. Oi, Lou, tudo bem? Tudo, mas por favor, não pedalem na contramão. Tem uma passarela ali, cês atravessam e continuam do outro lado. Eu imagino que vocês queiram ir no Taquaral que é deste lado, e eu sei que é chato de fazer o retorno lá na frente, mas por favor pedalem no sentido do trânsito. Uma colisão frontal pode ser fatal, vocês precisam se integrar no trânsito.
Os dois estavam de roupas esportivas e óculos escuros (por isso não os reconheci logo) e ela estava de capacete.

Ciclista é quem anda de bicicleta, seja instruído ou não, pobre ou não.

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