quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Primeira semana de greve

Alunos e professores em greve na Unir ainda não encontraram um canal de comunicação eficiente. Vamos às assembleias, e apesar das assembleias lotarem o auditório, ainda não temos adesão total. Direito e Filosofia, por exemplo, não aderiram à greve. Mesmo com a adesão dos departamentos e núcleos, os indivíduos não estão engrossando a massa.

Nossa desarticulação tem a ver com o fato da Unir ser espalhada pelo estado. A Universidade Federal de Rondônia tem campi em Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Rolim de Moura e Vilhena. O centro da greve está onde está a reitoria: Porto Velho. Na assembleia de ontem, vimos gente de outros campi vindo à capital e se acomodando no campus.

A Unir de Porto Velho fica a 9,5 km da cidade. Existe uma linha de ônibus que cobre o trajeto e vai até Vila Nova Princesa, o bairro que fica em volta do lixão, atrás da Unir. Em tese, há ônibus pro campus a cada 15 minutos. Ontem, dia de assembleia dos docentes e alunos, ocorreu uma denúncia anônima na SEMTRAN. Tocaram o terror, dizendo que os alunos pretendiam incendiar os ônibus. Resultado: ônibus de hora em hora, poucos alunos na assembleia.Os professores tinham ido de carro, carona, bicicleta (eu, né).

Outro fator que não ajuda na nossa articulação são os canais de comunicação unilaterais, como por exemplo o site da Unir. Ali só aparecem comunicados vindos da reitoria (de que o Reitor lamenta não ter comparecido à reunião que ele mesmo convocou com os grevistas e a resposta infame às reivindicações do comando de greve). Na televisão se dá um fenômeno interessante. Não vi, me contaram: o reitor dá seus depoimentos progressistas tropeçando na gagueira adquirida enquanto as imagens mostradas do campus abandonado desmentem a fala dele. Apesar de contar com doutores e mestres especializados, a Unir não tem prestígio social. Por isso me espanta a TV local denunciar, através de imagens, o descaso da gestão da Unir.

Nossos pontos de encontro constante são as assembleias e o cineclube. Toda noite estamos exibindo documentários sobre greve, protesto, revolução, democracia, liberdade e sistema econômico na escadaria da reitoria. Ontem, depois da assembleia no campus, choveu. Zica. Não sabíamos se tinha chovido no centro, os celulares estavam fora de área. Um aluno conseguiu ligar prum camarada, o Profeta, que disse que no centro não estava chovendo. Fui de bicicleta levando o filme, o equipamento viria de carro. Depois da baixada do Bate-Estaca, um arame de pneu de caminhão furou o meu pneu da frente. Zica. Assim que tirei o arame, ouvi o ar saindo. Eu teria trocado a câmera ali mesmo - se houvesse luz nos postes que enfeitam a BR 364. Empurrei a bicicleta por alguns quilômetros, em direção ao primeiro poste de luz. Narcísio, professor de Biologia, me socorreu. A luz dos faróis de seu carro permitiram que trocássemos (em menos de 5 minutos) a câmera. Cheguei na reitoria e conferi se o filme da noite tinha legendas. Por uma questão de zica, não tinha. Exibimos outro filme, pelo computador do Ninno e expandimos o nosso público: um morador de rua participou do cineclube. Quando eu já estava voltando pra casa, senti as primeiras gotas de chuva noturna que, por uma questão de sorte, não caiu durante a projeção do documentário.

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