sábado, 17 de setembro de 2011

Num dia de feira

Heliene e Joana se encontraram na parada de ônibus e foram juntas para a casa onde a primeira faria faxina. O ônibus estava lotado, porque em dia de sábado passa pouco coletivo.

Pequena Lou abriu a porta para as duas amigas. Depois que elas tinham tomado café, avisou que estava esperando o homem da dedetização. Como queria ir na feira e não sabia quando o homem chegaria, deixou o dinheiro e a chave de casa. Montou em sua bicicleta e atravessou a cidade.

Heliene acendeu um cigarro e examinou o molho de chaves que ainda segurava na mão. Três chaves lhe chamaram atenção por não serem de porta. Deve de sê as chave das bicicleta dela.

Seu Orlando e sua esposa eram doadores de sangue e sabiam que não tinham diabetes nem colesterol alto, mas quando viram o anúncio dos exames gratuitos, decidiram ir. Ele assumiu o posto atrás do volante, ela ocupou o assento do passageiro. Não era dia de trabalho, mas dia de cuidar da saúde.

Pequena Lou parou na frente de sua bicicleta, depositou a bolsa cor de rosa na cestinha da frente e acomodou a mochila na cesta de trás. Apalpou os bolsos da bermuda à procura da chave do cadeado da bicicleta e se lembrou que tinha deixado todas as chaves com a faxineira.

A esposa do seu Orlando viu uma moça acenando pro táxi e pediu pro marido encostar: leva ela, que o sol tá brabo hoje. Tu me deixa na Jorge Teixeira que eu vou de pé.

Antes da passageira sair do táxi, seu Orlando recebeu o pagamento e anunciou que voltaria para o bairro onde tinha deixado a esposa, porque também faria o exame de diabetes e essas coisas. Levaria a moça por um valor menor de volta até sua bicicleta trancada.

Heliene estranhou o táxi na porta da casa. Chegou a concluir que era o dedetizador sem veículo próprio. Ao abrir o portão, ficou com dó da dona Lou, mas deu risada por dentro. Ficou com a sacola rosa, a mochila pesada, a chave do portão e entregou o molho de chaves.

Quando seu Orlando encostou para deixar a passageira na feira da Jacy-Paraná, dois homens carregando melancias, galinhas degoladas e sacolas plásticas brancas sinalizaram para o táxi. Tu tá me dando sorte, menina! Recebeu pela segunda corrida e deu início à terceira.

Pequena Lou reconheceu sua bicicleta, mas não se lembrava de ter deixado compras na cesta. Perguntou pra senhora sentada ao lado de sua bicicleta se aquela feira era sua. A mulher agradeceu rindo e explicou que tinha achado natural colocar as compras naquela cesta.

O que era pra ser uma simples ida à feira de sábado se desdobrou em estórias pra pelo menos três pessoas.

Nenhum comentário: