segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Operação tampa da caixa d'água

Tinha uma tampa de caixa d'água no telhado da minha casa. Mas como saber se aquela tampa era da minha caixa d'água? Podia ser a tampa de outra caixa, que voou e foi parar no meu telhado. As chances eram pequenas, mas eu precisava pensar em jeitos de tirar a prova. Olhei pra minha caixa d'água, memorizei os contornos dela e fui no muro do vizinho, examinar a caixa dele. Voltei na minha. Eram iguais. Estava muito perto das duas caixas, pra saber se estavam cobertas ou não.

Vi uma bolinha de plástico, cor de nariz de palhaço no meu jardim. Nem sei como ela foi parar lá, mas desde que os bombeiros serraram o jambeiro, a bolinha estava lá. Marcelo achou melhor jogar uma pedra na caixa. Lembrei que a pedra podia entupir o cano. Lavou a bolinha, testou seu peso e jogou a bolinha vermelha pra cima da caixa. Se tivesse tampa, a bolinha teria voltado. Nunca mais vimos a bolinha dos bombeiros.

Ok, estávamos sem tampa, mas por que a caixa do vizinho era igual a nossa? Notamos uma escada encostada no telhado do vizinho. Em seguida, acompanhamos o vizinho subindo na escada e puxando a tampa da caixa consigo. Ahá. Conversamos com o vizinho sobre a escada alta que ele tinha e esperamos o homem amarrar a tampa na sua caixa d'água. A escada passou por cima do muro e deu no pé do suporte da nossa caixa. A altura não era suficiente para devolver a tampa ao seu lugar natural.

O primeiro Oktoberfest foi uma festa de arrecadação de fundos para reconstruir a cidade de Blumenau, alagada pelo Itajaí. O nosso almoço de domingo virou churrasco que assumiu as proporções de festa (isso acontece quando os convidados trazem convidados). Antes de oferecer comida aos convidados, mostramos a escada, a tampa e o problema. O churrasco foi o combustível para as ideias, e quando abri a porta pro último a chegar, reparei que o vizinho da frente estava consertando o telhado e que a escada dele era maior que a casa dele.

Ninno e eu tocamos nesse vizinho - que também estava fazendo churrasco. Depois que o senhor terminar aí, voltamos pra pegar a escada. Teve churras, chuva e conversa. Voltamos pela escada. Perguntei pro homem se ele trabalhava na Ceron (Compania de energia), porque a escada era profissionalmente alta. Sim, presta serviço.

Um subiu, dois seguraram a escada. A escada encostou na caixa e foi entortando o redondo da caixa até o cano desencaixar. Encaixado o cano e voltado o corajoso que subiu, novas posições para a escada foram pensadas. Todos os homens da festa estavam em volta da escada, eu segurava a tampa e as mulheres estavam numa distância segura, aconselhando que se chamasse um profissional. Isso sacudiu os brios de quem segurava a escada e novamente Ninno subiu com a tampa. Que bluft pra dentro da caixa. Que vopt pra fora, que uoôou pelas bordas, que ploft no chão.

Pegaram a escada do outro vizinho, posicionaram dois nas pontas das escadas, sincronizaram o movimento da tampa de um para outro, todos gritando e torcendo pelo Ninno que conseguiu desencostar a escada da caixa para encaixar a tampa na borda. Devolvemos as escadas felizes da vida e satisfeitos por termos conseguido resolver esse desafio da vida prática.

Ainda sobrou um monte de cerveja, carne, queijo coalho e carvão. Da próxima vez que eu precisar de ajuda aqui em casa, promovo outro churrasco.

3 comentários:

Ulla disse...

Parabens!! Sem fotos?

iglou disse...

Também lamento. Nossas mãos estavam ocupadas.

Joilson Arruda disse...

apesar de ter ajudado na "operação...", até hoje não acredito como aquilo deu certo. As chances de dar errado eram muito grandes.