quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Por que estamos em greve

A Unir não tem restaurante universitário, moradia estudantil, hospital universitário. Os banheiros não têm papel higiênico, lixo, limpeza ou planejamento (fizeram um banheiro novo no bloco de departamentos com chuveiro, mas esqueceram de pensar numa barreira pra água, que alaga o banheiro todo porque o piso não tem desnível). Os professores não têm sala própria, os alunos revezam a sala de aula. A Unir fica a 9,5 km da cidade de Porto Velho. Passar o dia na Unir não é agradável.

Não há infraestrutura que suporte novos alunos que entram por vestibular ou processo seletivo (pós-graduação). Não há infraestrutura que suporte os novos cursos. Arqueologia, Artes, os mestrados em Letras e Estudos Literários não têm sala de aula própria. Não existe sala de video, o cineclube deLírio é itinerante. Não há laboratórios de pesquisa nem de ensino funcionando adequadamente. Biologia, por exemplo, é referência mundial devido à biodiversidade amazônica, mas não dispõe de laboratórios equipados. Laboratórios de línguas não constam. A Educação Física dispõe de uma quadra e uma piscina pequena e rasa. Não há ginásio, pista de atletismo ou possibilidade de jogar futebol e volei simultaneamente.

Pelo campus de Porto Velho vê-se obras inacabadas, abandonadas, requentadas agora, durante a greve. Pelos campi do interior a situação é pior. Em Rolim de Moura, a Unir comprou um terreno superfaturado que somente poderá ser utilizado em 3 anos. Ecoando a fala de docentes durante a assembleia de hoje, "a Unir não tem gestão".

A biblioteca não oferece grande variedade de periódicos e os que estão lá são doações desatualizadas. A biblioteca é central e tem um acervo pequeno de livros. Talvez por não ter infraestrutura para suportar mais. Sem livros ou periódicos, não se faz pesquisa.

Pra onde vai todo esse dinheiro? É sabido que as universidades do Norte têm cota no MEC, senão fecham. Por que o MEC  não está nos mandando o que as outras universidades pelejam pra conseguir? Porque a Reitoria não presta contas.

A pauta de reivindicações entregue à Reitoria pelos alunos foi respondida em 16 páginas com muito sarcasmo, letras garrafais e pontos de exclamação acumulados. Os números apresentados carecem de comprovação e a conclusão da resposta foi motivo de piada na assembleia:

Como se pode notar, pelo menos 95% das reivindicações feitas pelo Comando de Greve já foram cumpridas ou estão em fase de cumprimento.

Se 95% das reivindicações já foram cumpridas ou estão em fase de cumprimento, por que é mesmo que estamos em greve? Porque não vemos nem acreditamos no que a Reitoria quer fazer a sociedade acreditar. Não estamos em greve por aumento salarial, mas pela melhoria da universidade.

2 comentários:

felizcidadefeliz disse...

Nossa Lou, até que demorou para vocês entrarem em greve! Lendo o seu texto, fiquei lembrando daquele prédio (ou pedaço dele) que tinha um cheiro absurdo de produtos químicos... lembra?!

Boa sorte em mais essa luta por aí.

Beijos,
Evelyn

iglou disse...

Valeu pela força!
E sim, a Química continua sendo uma bomba-relógio.