quarta-feira, 20 de abril de 2011

De volta à bicicletaria

Dessa vez a Amarilda estava escalada para ter a sua revisão geral. Pedalei os 9 km até a bicicletaria do Bezerra. Cheguei e vi que ele ainda não tinha colocado as bicicletas pra fora. Ele perguntou se eu ia esperar  a revisão e me pediu pra esperar ele tomar café. Achei estranho ele não ter tomado café da manhã às 8:30. Fiquei sabendo que ele tinha acabado de chegar do treino: tinha ido ao Candeias e já estava com 50 km nas costas.

Antes de sair de casa, até pensei em levar as redações dos meus alunos e corrigir enquanto ele trabalhava, mas desisti: aquela bicicletaria é quase uma barbearia. Mesmo quando estávamos só o mecânico e eu, conversamos quase o tempo todo. Bezerra contou da competição de domingo, das barbaridades que rolaram durante a prova, da alegria do primeiro colocado. Na ingenuidade (nunca competi), perguntei qual era o barato da competição. O prêmio não era, porque se ganha medalhas, não dinheiro. Ele respondeu que o barato era a satisfação de poder contar pra todo mundo que se venceu a prova.

Foram chegando parentes, desocupados, fugidos do trabalho, companheiros de treino. Perguntavam da classificação da prova de domingo (Bezerra tinha ficado em quarto lugar no geral e sétimo contando com os acreanos), comentavam o caixa eletrônico que tinha sido explodido a cinco quadras dali, reclamavam de desencontros pro treino daquela madrugada, marcavam o pedal seguinte.

Acho que agora acompanho melhor os comentários de uma competição de bicicleta com seu vocabulário peculiar (fuga, estar escapado, andar de roda). Em contrapartida, eles ficaram intrigados com uma bicicleta que se parece com a deles, mas tem paralamas, dois cadeados, bagageiro e pezinho.

4 comentários:

Marcela Bonfim disse...

mudou de bicicleteiro?

iglou disse...

Pelo contrário: eu sou tão fã do Bezerra, que pedalo 9 km até a bicicletaria onde ele trabalha.

Marcela Bonfim disse...

Mas o Bezerra é o Adriano, que você me indicou?

iglou disse...

Sim. Adriano = Bezerra.