segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Matando o tempo

O holandês à direita está fotografando coisas à sua volta. Os objetos mirados por sua câmera são os mais variados: a namorada loira e magra, o lixo amassado em cima da mesa, o imenso vazio da sala do Gate B1, as pessoas na fila do controle de passaporte.

O alemão à esquerda está deitadão em duas cadeiras e segura o mesmo saco amarelo de porcaritos que os seus amigos. Não sei nem se é doce ou salgado, mas lhes serve como passatempo.

Um gordão mais ali na frente está completamente mergulhado na sua leitura. Eu já li todos os jornais que pude acompanhar nas mãos dos outros, já dormi embaixo da TV e meus sonhos deram cor e forma às notícias do mundo.

Mudei de Gate, mas no almoço voltei ao mesmo lugar onde tinha tomado café da manhã. Cheguei quando ainda estava escuro e partirei na escuridão. Tenho 13 horas e 25 minutos de permanência no maior aeroporto em que já pus os pés. Já vi três pessoas perdendo o avião. Eram do tipo que chega correndo e esbaforido ao guichê, engole a má notícia e sai cuspindo palavrões.

O meu livro foi despachado por falta de atenção, as 75 músicas do meu mp3 player eu já ouvi. Não lembro de todas, mas lembro muito bem quando acordei com as músicas malucas do Jorge Ben Jor. Caminho de um portão ao outro. Outros caminham em círculos, enquanto conversam no celular. Devagarzinho, o tempo passa. As pessoas passam, aviões decolam e pousam. E eu escrevo pra matar o tempo.

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