quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Der Brocken

Para subir ao ponto mais alto, ermo e frio do norte da Europa, é preciso primeiro sair de casa. E como a nossa casa em Wernigerode está situada ao lado da menor casa da cidade, isso significa um monte de turistas parados na porta de casa e enfiando a cara na janela da nossa cozinha.
Pegamos um trem a vapor, tipo Maria Fumaça, até Drei Annen Hohne (ou algo assim) e depois baldeamos pro trem que escala o Brocken.
A viagem de trem foi longa e lenta, atravessando uma floresta de Fichten (um tipo de pinheiro) e subindo sempre. Vi muitas pegadas de animais silvestres na neve, riachos congelados e ocasionais nuvens da Maria Fumaça. Chegando lá em cima, tivemos que correr pra ainda ver o sol, glorioso sol. Ventava muito e tudo doía.
Mas o pôr-do-sol espetacular valeu a pena todo o frio. Me perguntaram de quanto era a diferença entre ali e PVH. Respondi 50, mas acho que se forem consideradas as sensações térmicas, tá valendo: sensação térmica de 40°C em Porto Velho contra sensação térmica de -10°C no topo do Brocken. E olha que pra mim não tem diferença entre 0° e -9°, porque congela tudo do mesmo jeito.
O Brocken fica no Harz, que foi um dia Alemanha Oriental. Minha mãe reconhece resquícios de DDR nos banheiros públicos: é preciso sempre pagar uma moeda de 50 centavos. E tem que ser certinho, numa só moeda, não adianta ter o valor. Na história da Alemanha Oriental, o Brocken ocupou um posto estratégico. Hoje serve menos à segurança militar e mais à meteorologia (tem uma estação lá) e comunicação (tem outra estação de rádio e TV). Mas a maioria das pessoas que visita o Brocken vai mesmo é pra ver o mundo de cima.
O vento cruel e frio esculpiu umas formações pontudas na neve acumulada na cerca.
Subimos na torre que tem um restaurante, é um hotel e mirante. A ponta do Brocken está no centro do círculo.
Um cara tava filmando o pôr-do-sol de lá de cima. Pelo tempo que a câmera tava lá, suspeito que ele tava tirando várias fotos de tempos em tempos, pra depois mostrar um pôr-do-sol em Zeitlupe ("lupa do tempo". É que 'slow motion' parece paradoxal, porque o tempo normal do sol se pondo é mais lento que o vídeo que o cara lá supostamente vai criar).
Voltando a câmera para o mesmo objeto, nos despedimos do sol antes de entrar no último trem que desce.

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