Recebemos um e-mail em que éramos convocados a carregar nossos cartões de identificação estudantil para podermos ter acesso ao prédio do IEL nos horários que não são de funcionamento normal. As instruções eram detalhadas: vá à Secretaria de Graduação munido do seu RA, peça para cadastrar e carregar o seu cartão, vá até uma das portas, insira o cartão e espere pela mensagem aluno liberado. Tudo isso tem nome em inglês, só pra impressionar: smartcard.
No IEL, antes desse smartcard, o sistema sempre foi mais mecânico e prosaico: a gente pedia a chave que abria a sala dos computadores e ela vinha junto com o cartão magnético que abria a porta do prédio. Com o tempo, a gente ia ficando esperto e fazia cópia da chave que abre a sala dos computadores. Os macaco-véio já tinham um esquema de passar pela porta do prédio usando qualquer cartão, enfiado por trás na fenda, levantando a lingüeta da porta.
Só no IEL mesmo era possível burlar o sistema desse jeito. Nos outros institutos, não era preciso torcer pra ter chave suficiente ou fazer cópia da chave e entrar no prédio usando truques. O RA (cadastrado) bastava pra se poder entrar no Instituto de Química no sábado, por exemplo. Mas agora o IEL está como os outros institutos, com portas eletrônicas, nada mais de chave.
Fui lá, na Secretaria, cadastrar o meu RA (meio arranhado, de tanto passar por detrás da fenda da porta de entrada do IEL). O funcionário, muito prestativo, quis me acompanhar até a porta da sala dos computadores do IEL, pra verificar se o cartão realmente funciona. Estava desativada, porque tinha gente dentro, entrando e saindo. A porta eletrônica só faz efeito se trancar quando for fechada. Tudo bem, descemos as escadas. Outro funcionário passou por nós, avisando que queria sair antes da gente trancar a porta. Demos risada, eu fiquei dentro, o funcionário atencioso saiu e trancou a porta. Inseriu o meu smartcard no dispositivo, leu em voz alta: aluno liberado e quis abir a porta. Nada.
Gente querendo sair, gente querendo entrar, gente oferecendo seu smartcard, e a porta continuava trancadinha. O funcionário solícito foi correr atrás de alguém que tenha a chave daquela porta. Em vez de aparecer o seu Abraão, o homem das chaves (que já me trancou uma vez no pavilhão dos professores, diga-se passagem), apareceu um moço jovem, com um cartão na mão. Enfiou o cartão na fenda da porta, por trás, levantando a lingüeta.
É isso aí, o IEL agora está high tech!
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Die weisse Massai
O filme é baseado na história verídica de uma mulher suíça que foi passar as férias no Quênia com o namorado, se deslumbrou com um guerreiro massai todo paramentado, despachou o namorado e foi atrás de sua fulminante paixão.Atravessar meio mundo atrás de uma pessoa que se viu duas ou três vezes, sem confiança nos próprios sentimentos ou esperança que sejam correspondidos me lembra Cold Mountain. No caso da massai branca, a pessoa não faz essa jornada por amor, mas por orgulho, obrigação consigo mesmo, para conhecer os próprios limites.
Carola finalmente é encontrada por Lemalian, que decide que ela ficará com ele. Ele faz parte de uma tribo e vive lá longe. Ela vai com ele. Quase não há diálogos entre os dois. Ela fala mais alemão que inglês com ele. Inglês é uma das línguas oficiais do Quênia, portanto Lemalian fala inglês além da língua falada em sua tribo. Ela sabe inglês, mas discute com ele em alemão. Vai entender. Muitos conflitos culturais poderiam ter sido evitados se os dois conversassem sobre suas diferenças culturais numa língua que os dois entendessem.
Carola tinha sido dona de loja na Suíça, e agora resolve ser dona de venda numa tribo no meio da paisagem empoeirada do Quênia. As coisas não dão certo porque é feio trocar comida por dinheiro com os familiares, amigos e conhecidos. Comida pra conhecidos é presente, não mercadoria. Lemalian pendura as aquisições de todo mundo na conta, o que acaba falindo a loirinha. Lemalian tem acesso à bebida e dá vazão à sua necessidade de rebaixar essa mulher que olha diretamente no olho de todos os homens, que dirige um jipe (ele tentou uma vez, foi colidir com uma árvore e acabou a história de Lemalian ao volante), que quer tocar uma venda e ganhar dinheiro às custas de seu povo.
Carola fala alemão, não aprende a língua local, não se interessa pelos costumes daquele povo, abre uma venda, ensina Lemalian a beijar e "fazer amor". Como Carola pode ser considerada uma massai? Ela não assimilou nem respeitou nada da cultura massai. Num momento crítico, Lemalian se veste de camiseta e calças, corta o cabelo e se apresenta a ela. Will you respect me now? Ele se transforma num europeu, não ela numa massai.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Jogo de cena
Pouco menos de um mês depois do lançamento, fiquei sabendo da existência deste filme através de um relato empolgado da Olga. Pois é, viver em Barão Geraldo, perto da natureza, tem suas desvantagens: a vida cultural é meio pasmaceirenta.
Mas enfim, fui à capital e me esbaldei de cinema - tanto indo à sala de cinema como conversando com a Carol noite e madrugada adentro sobre cinema.
Jogo de Cena não é nem documentário nem ficção, porque a fronteira é tênue. O que deu início à coisa foi um anúncio que o diretor (Eduardo Coutinho) botou no jornal, convocando mulheres cariocas, maiores de 18 a contarem sua história de vida. É com a imagem do anúncio que começa o filme. Não tem história (vieram 83 mulheres, 23 foram gravadas de fato e menos que isso apareceram no filme), tem encadeamento de histórias de vida. Não tem trilha sonora, tem as histórias, uma depois da outra. O espectador vê uma mulher, dá risada, depois vê outra, se emociona, depois vê a Andréa Beltrão falando as duas últimas frases da outra, depois volta pra segunda, a Beltrão continua, volta a mulher que viveu a história, que se alterna com a atriz famosa até a história terminar. Assim percebemos que algumas histórias são encenadas por atrizes famosas. O maior peso é dado às histórias trágicas (mãe solteira que não sabe ao certo como aquela criança veio parar em seu ventre, morte de filho, perda de laços com a filha), simplesmente porque são mais compridas e são as histórias que são encenadas pelas atrizes famosas.
O que pega são os comentários das atrizes famosas sobre as suas atuações. Marília Pêra fala sobre o choro. Ela chorou de verdade, nem precisou aplicar o coisinho que ela tinha trazido pro caso de precisar chorar e não ser capaz de verter suas lágrimas contidas. As outras duas confessam sua abismação com essa coisa louca de representar não um personagem fictício, mas uma pessoa comum, que o espectador viu na cena anterior. A mulher que vivenciou a história é o grau máximo de credibilidade, porque ela é personagem e autora da sua própria história. Então o desafio é manter o mesmo tom que a dona da história. O lance de representar a história de uma personagem real é que ela é real, de verdade, assim, e viveu tudo aquilo e sofreu tudo aquilo e está sofrendo tudo de novo, ao contar a história trágica que mais marcou sua vida.
Mas enfim, fui à capital e me esbaldei de cinema - tanto indo à sala de cinema como conversando com a Carol noite e madrugada adentro sobre cinema.
Jogo de Cena não é nem documentário nem ficção, porque a fronteira é tênue. O que deu início à coisa foi um anúncio que o diretor (Eduardo Coutinho) botou no jornal, convocando mulheres cariocas, maiores de 18 a contarem sua história de vida. É com a imagem do anúncio que começa o filme. Não tem história (vieram 83 mulheres, 23 foram gravadas de fato e menos que isso apareceram no filme), tem encadeamento de histórias de vida. Não tem trilha sonora, tem as histórias, uma depois da outra. O espectador vê uma mulher, dá risada, depois vê outra, se emociona, depois vê a Andréa Beltrão falando as duas últimas frases da outra, depois volta pra segunda, a Beltrão continua, volta a mulher que viveu a história, que se alterna com a atriz famosa até a história terminar. Assim percebemos que algumas histórias são encenadas por atrizes famosas. O maior peso é dado às histórias trágicas (mãe solteira que não sabe ao certo como aquela criança veio parar em seu ventre, morte de filho, perda de laços com a filha), simplesmente porque são mais compridas e são as histórias que são encenadas pelas atrizes famosas.
O que pega são os comentários das atrizes famosas sobre as suas atuações. Marília Pêra fala sobre o choro. Ela chorou de verdade, nem precisou aplicar o coisinho que ela tinha trazido pro caso de precisar chorar e não ser capaz de verter suas lágrimas contidas. As outras duas confessam sua abismação com essa coisa louca de representar não um personagem fictício, mas uma pessoa comum, que o espectador viu na cena anterior. A mulher que vivenciou a história é o grau máximo de credibilidade, porque ela é personagem e autora da sua própria história. Então o desafio é manter o mesmo tom que a dona da história. O lance de representar a história de uma personagem real é que ela é real, de verdade, assim, e viveu tudo aquilo e sofreu tudo aquilo e está sofrendo tudo de novo, ao contar a história trágica que mais marcou sua vida.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Fragmentos de conversas
Viver em São Paulo significa efrentar longas distâncias todo dia pra realizar tarefas prosaicas. Pra quem não tem carro ou carteira de motorista válida, restam poucas opções viáveis para se locomover na "paulicéia desvairada" (conversa ao celular na marginal, entrando em SP). A pé cansa e demora. Não tenho bike lá e não tenho disposição pra enfrentar tanto morro, trânsito e poluição. Comprei o bilhete único e assim tenho a sensação de gastar menos dinheiro com transporte público e vou de ônibus e metrô. Nesses meus trajetos entre a Paulista e a casa da Olga, o CFC e o Popa-Tempo, Campinas e São Paulo, vou ouvindo as conversas dos outros e gravando na memória alguns trechos que acho marcantes.
Dia muito quente, no ônibus, na Av. Interlagos:
- Véio, tá muito quente. Quando a gente descê, vamo comprá uma água, mano, que tá quente demais, meu, eu tô derretendo.
- Não, cara, a gente tem que comprar aquele isqueiro, não vai dá pra comprá água, não, véio.
No ônibus:
- Pobre é foda.
Anteontem, no ônibus, na Av. N. S. Sabará:
- Ó, cês me desculpa, mas eu não como essas coisa, aí não. Eu sou assim, eu vim do Nordeste e só como jabá e farinha.
No metrô:
- Pobre é foda.
No ônibus de Campinas pra São Paulo:
- Ih, acho que perdi o meu celular.
- Não, pára!
- Não tô achando.
- Não, pára!
- Será que não tá na sua bolsa?
- Não, pára!
...
- Pobre é foda.
No ônibus, na Av. Nações Unidas, o motorista instruía o cobrador:
- Aí você tem que fazê o exame pisco- técnico.
Duas conversas no banheiro:
- Ele era muito ignorante, eu também, então não deu certo.
***
- E sabe o que era o mais bizarro?
- Ãh?
- Ai, deixa que eu te conto lá fora, aqui é muito esquisito.
Dia muito quente, no ônibus, na Av. Interlagos:
- Véio, tá muito quente. Quando a gente descê, vamo comprá uma água, mano, que tá quente demais, meu, eu tô derretendo.
- Não, cara, a gente tem que comprar aquele isqueiro, não vai dá pra comprá água, não, véio.
No ônibus:
- Pobre é foda.
Anteontem, no ônibus, na Av. N. S. Sabará:
- Ó, cês me desculpa, mas eu não como essas coisa, aí não. Eu sou assim, eu vim do Nordeste e só como jabá e farinha.
No metrô:
- Pobre é foda.
No ônibus de Campinas pra São Paulo:
- Ih, acho que perdi o meu celular.
- Não, pára!
- Não tô achando.
- Não, pára!
- Será que não tá na sua bolsa?
- Não, pára!
...
- Pobre é foda.
No ônibus, na Av. Nações Unidas, o motorista instruía o cobrador:
- Aí você tem que fazê o exame pisco- técnico.
Duas conversas no banheiro:
- Ele era muito ignorante, eu também, então não deu certo.
***
- E sabe o que era o mais bizarro?
- Ãh?
- Ai, deixa que eu te conto lá fora, aqui é muito esquisito.
Renovação de carteira
Como eu não fiz curso de direção denfensiva nem de primeiros socorros na auto escola, nem em qualquer outro momento, tive que aprender essas coisas agora, no momento da minha segunda renovação de carteira de habilitação.Não quis fazer curso, portanto comprei a apostila e dei uma lida nela em casa. A linguagem é surpreendemente adequada, com muita coisa na primeira pessoa do plural, muitas marcas de oralidade e uma clareza fenomenal:
Você já viu que manter a calma é a primeira atitude que você deve tomar no caso de um acidente.
Só que cada pessoa reage de forma diferente, e é claro que é muito difícil ter atitudes racionais e coerentes na situação: o susto, as perdas materiais, a raiva pelo ocorrido, o pânico no caso de vítimas, etc. Tudo colabora para que as nossas reações sejam intempestivas, mal pensadas. Mas tenha cuidado, pois ações desesperadas normalmente acabam agravando a situação.
Ciclistas estão bem destacados como condutores de veículos que não devem circular na calçada, mas na pista (ou acostamento) quando não houver ciclovia ou ciclofaixa. Quando estiverem realizando um cruzamento, têm preferência e devem ser ultrapassados por veículos motorizados que guardam do ciclista 1,5m de distância durante a passagem.
Uma parte engraçada é em relação a animais na pista:
Lembre-se que o animal não pensa e dificilmente tomará a atitude correta ou a que você espera. Por isso não use a buzina.
Mongólia
Recomendo a leitura deste livro, que foi vencedor do Prêmio Jabuti em 2004. Mais um livro da "estante do Renato", em que estive mergulhada por cinco dias. Transcrevo parte das orelhas:... um dilomata brasileiro recém-chegado à China é enviado, contra a vontade, aos confins da Mongólia em busca de um jovem fotógrafo desaparecido no ano anterior nos montes Altai.
Mongólia é ao mesmo tempo relato de viagem e ficção, numa espécie de diálogo que se estabelece entre o diário deixado pelo desaparecido e aquele que escreve o diplomata encarregado de encontrá-lo, como se só pudessem avançar sobre as próprias palavras.
Um país em que a memória se perdeu pelo uso da força, e a imaginação, antes cerceada, agora toma o lugar da memória e se confunde com as condições mais extremas da realidade.
... um labirinto sem paredes.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Acompanhando palhaços

Sou a revisora de monografias e a fotógrafa oficial da Oca da Tapioca. No domingo, acompanhei estes dois numa apresentação em Paulínia.
Não permitiram que eu divulgasse os vídeos que fiz deles. Tudo bem, apesar de eu ter gostado das filmagens e montagens, não apresento os números deles. Mas mostro um vídeo de uma moça que eu não conheço no tecido acrobático. Está aí, ao lado direito, na seção "Meus Vídeos".
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Comprovante de residência
Serei PED semestre que vem, o que significa que darei 50% das aulas - na graduação - que o professor regente daria. Para tanto, receberei uma bolsa PED que corresponde a um quarto da minha bolsa Capes. Existe um convênio especial entre o Banco Real e as bolsas PED, e para receber esta bolsa, era necessário que eu abrisse uma conta corrente no Banco Real da reitoria (não podia ser em qualquer outra agência). Essa condição fez, por exemplo, com que o Renato, que mora em Floripa e vai ser PED, viesse às pressas pra Unicamp. Eu estava perto do Banco Real e parecia ser possível abrir a conta e informar o seu número à secretaria de pós em tempo hábil (nos deram 4 dias úteis).
No primeiro dia útil, fui ao banco, pra saber quais documentos queriam ver. RA, RG, CPF e comprovante de residência. Não sou a locatária da casa, nem tenho nenhuma correspondência no meu nome. Joguei todas as cartas que os meus dois outros bancos mandaram no lixo. Perguntei se aceitavam uma declaração do Júnior, que é o locatário da casa. Não, tem que ser uma declaração do proprietário, com o contrato de aluguel anexo. Dei risada, daquelas bem soltas. Como esperam que eu saiba quem é o proprietário da casa?
Fui aos meus dois outros bancos, dizendo que eu precisava que me mandassem correspondência urgentemente. Poderiam me mandar a segunda via de qualquer coisa, desde que eu pagasse pelo serviço e esperasse sete dias úteis.
Fui à secretaria de pós, avisar que eu não conseguiria um comprovante de residência até o fim do prazo. Tudo bem, você não é a primeira que não consegue comprovar residência. Nem sei por que querem o número da conta bancária agora, se o primeiro pagamento de vocês só vai cair em abril.
No segundo dia útil, mesmo sabendo que eu não precisaria correr, comprei um livro pela Livraria Cultura. Comprei pela Internet, com entrega super turbo. Imaginei que o carimbo dos Correios no pacote fosse o suficiente para comprovar que o meu endereço existe.
No terceiro dia útil, veio o pacote. Veio pelo moto-boy, sem passagem pelos Correios. Puxa, eu não tinha calculado este detalhe! Mas dentro do pacote, além do livro, havia a fatura, e na fatura constavam a data e o meu endereço. Confiante, levei a fatura e os outros documentos na agência da reitoria do Banco Real. A Nadir me passou pra Adriana que copiou os meus documentos e enviou os xeroxes pro Banco Central. Me deu um cartão com o seu endereço eletrônico e me instruiu a lhe escrever no dia seguinte, bem cedinho.
No quarto dia útil, escrevi pra Adriana. Sem resposta. Liguei na agência e conversei com o Fábio, que me disse que o número só sairia depois de 48 horas, e que era pra eu ligar no dia seguinte. A minha curiosidade estava em saber se a conta tinha sido aberta com base num documento (a fatura) que não vale como comprovante de residência.
No quinto dia útil, o Paulo me disse por telefone que todos estavam sobrecarregados e que eu deveria, por gentileza, ligar mais tarde. Mais tarde, o Renan me disse que estava sem sistema e que todos estavam em reunião, e que era pra eu ligar mais tarde. O número da conta já não me interessava, eu queria saber se teria que esperar pelas correspondências dos dois outros bancos, ou se podia finalmente dar essa estória por encerrada e a conta por aberta.
No sexto dia útil, desencanei.
No sétimo dia útil, o Márcio me informou o número da minha nova conta por telefone.
E viva a burrocracia que desestimula os descrentes! Eu botei mó fé que ninguém no Banco Central ia olhar pra fatura da Livraria Cultura e reclamar que aquilo não era comprovante de residência.
No primeiro dia útil, fui ao banco, pra saber quais documentos queriam ver. RA, RG, CPF e comprovante de residência. Não sou a locatária da casa, nem tenho nenhuma correspondência no meu nome. Joguei todas as cartas que os meus dois outros bancos mandaram no lixo. Perguntei se aceitavam uma declaração do Júnior, que é o locatário da casa. Não, tem que ser uma declaração do proprietário, com o contrato de aluguel anexo. Dei risada, daquelas bem soltas. Como esperam que eu saiba quem é o proprietário da casa?
Fui aos meus dois outros bancos, dizendo que eu precisava que me mandassem correspondência urgentemente. Poderiam me mandar a segunda via de qualquer coisa, desde que eu pagasse pelo serviço e esperasse sete dias úteis.
Fui à secretaria de pós, avisar que eu não conseguiria um comprovante de residência até o fim do prazo. Tudo bem, você não é a primeira que não consegue comprovar residência. Nem sei por que querem o número da conta bancária agora, se o primeiro pagamento de vocês só vai cair em abril.
No segundo dia útil, mesmo sabendo que eu não precisaria correr, comprei um livro pela Livraria Cultura. Comprei pela Internet, com entrega super turbo. Imaginei que o carimbo dos Correios no pacote fosse o suficiente para comprovar que o meu endereço existe.
No terceiro dia útil, veio o pacote. Veio pelo moto-boy, sem passagem pelos Correios. Puxa, eu não tinha calculado este detalhe! Mas dentro do pacote, além do livro, havia a fatura, e na fatura constavam a data e o meu endereço. Confiante, levei a fatura e os outros documentos na agência da reitoria do Banco Real. A Nadir me passou pra Adriana que copiou os meus documentos e enviou os xeroxes pro Banco Central. Me deu um cartão com o seu endereço eletrônico e me instruiu a lhe escrever no dia seguinte, bem cedinho.
No quarto dia útil, escrevi pra Adriana. Sem resposta. Liguei na agência e conversei com o Fábio, que me disse que o número só sairia depois de 48 horas, e que era pra eu ligar no dia seguinte. A minha curiosidade estava em saber se a conta tinha sido aberta com base num documento (a fatura) que não vale como comprovante de residência.
No quinto dia útil, o Paulo me disse por telefone que todos estavam sobrecarregados e que eu deveria, por gentileza, ligar mais tarde. Mais tarde, o Renan me disse que estava sem sistema e que todos estavam em reunião, e que era pra eu ligar mais tarde. O número da conta já não me interessava, eu queria saber se teria que esperar pelas correspondências dos dois outros bancos, ou se podia finalmente dar essa estória por encerrada e a conta por aberta.
No sexto dia útil, desencanei.
No sétimo dia útil, o Márcio me informou o número da minha nova conta por telefone.
E viva a burrocracia que desestimula os descrentes! Eu botei mó fé que ninguém no Banco Central ia olhar pra fatura da Livraria Cultura e reclamar que aquilo não era comprovante de residência.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Itapetininga
Pois é. A Fapi, em Pinda, era acessível através de uma estradinha de terra e rodeada de pastos com cupinzeiros e gado desconfiado. Em Bragança, a Fesb era uma faculdade particular cedendo o espaço pro Teia, que atende aos professores da rede estadual. Em Itapetininga, as aulas foram no Coc. A Val descreveu a escola como sendo "fofa". Parece mesmo ser a melhor descrição, pra sair do limite do "brega".
Saímos em 7 professores mais o motorista e o monitor, às 5 e pouco da Unicamp. Madrugada fria e escura, céu estrelado e muito pouca gente nas ruas de Barão. Eu estava torta de sono, porque na noite de sexta teve festa em casa. Saí da festa e fui pra cama antes da meia-noite, mas não consegui dormir até depois das 2 da manhã, porque a galera ficava cantando todas as músicas que estão no repertório da Oca da Tapioca. Como eu conhecia as músicas, eu ficava acompanhando a letra mentalmente, sem conseguir me desligar e dormir.
Chegamos 45 minutos adiantados, o que eu acho um horror, especialmente depois de ter dormido apenas 2 horas, ter tomado café da manhã numa cozinha cheia de latas de cerveja e caixas de pizza, além dos lixos espalhados pela pia. Durante a viagem de 2 horas até lá não deu pra dormir, porque a van sacolejava demais, mas também não deu pra ficar de olho aberto.Mesmo assim, dei uma boa aula de 8 horas.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Flamboyant
Quando cheguei aqui em Campinas, reparei que muitas coisas tinham esse nome: Flamboyant. Na boca do povo, ficava algo como framboiã, ao passo que na minha cabeça era flamboiante. Quando me disseram que o nome vem do francês, significando vermelho, em chamas, brasil, pude relacionar a árvore ao seu nome.
Elas enfeitam Campinas, muita gente faz colares, pulseiras e outras coisas com suas sementes, e eu me alegro com suas cores fortes.
Elas enfeitam Campinas, muita gente faz colares, pulseiras e outras coisas com suas sementes, e eu me alegro com suas cores fortes.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Outra defesa de monografia
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Defesa de monografia
sábado, 24 de novembro de 2007
Pinda ni mim
Mais um sábado de Teia do Saber em Pindamonhangaba. Mais pro meio da tarde, quando as nuvens se amontoavam lá na serra e o calor estava inclemente, uma professora me perguntou:
Oh, pro*, você tá mancando?
Tô.
Por que?
Porque vai chover forte hoje.
*diminutivo carinhoso pra "professora", equivalente a "fessora", "dona" ou "tia Lou".
Oh, pro*, você tá mancando?
Tô.
Por que?
Porque vai chover forte hoje.
*diminutivo carinhoso pra "professora", equivalente a "fessora", "dona" ou "tia Lou".
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
A lama
Não atolamos nas ruas do Guaraú, nem no caminho pra Barra do Una, que são 18km de estrada de terra. Atolamos na frente de casa, manobrando pra sair. Eu estava estrategicamente posicionada quando os pneus da frente finalmente pararam de girar em falso e tomei uma chuva de lama. Estávamos atrasadas pra ir pra canoagem que já estava paga. Chegando lá, perguntaram se eu tava voltando do mangue.
Barra do Una

O gigante adormecido está deitado no fundo. A cabeça está ao lado direito da foto, os pés tocam o mar. De lá pra cá, segue uma faixa de terra, área da Juréia. Aí entra o rio Una. (Não é o filete de água no meio da foto.) Entre o rio e as pedras que levam à segunda praia são 2 km.
O rio Una é o que mais muda nessa aldeia de pescadores chamada Barra do Una. Dessa vez estava largo e raso. Provavelmente porque choveu muito pouco entre junho e setembro.
Muitas concinhas, pouca gente e maré baixa. Essa pessoa lá longe é a Olga.
Olga foi operada dos pés por causa da joanete e ainda tem um pé inchado. Passamos por processos de reabilitação similares e temos parafusos de titânio nos pés. Ela tem um em cada pé, eu tenho sete no pé direito. Pra nós duas - com os pés problemáticos - foi uma aventura passar as pedras pra chegar na segunda e na terceira praia depois de Una ( e depois voltar...). Sinto que esse exercício melhorou a mobilidade do meu pé.
Descansando.
Eco-canoagem
Essas são fotos de Paula.
Oito japoneses, parentes entre si, um casal de Campinas, outro casal, Olga e eu fizemos um passeio de canoa canadense pelo Guarauzinho, o canal que margeia a parte da "cidade" do Guaraú, junta com o rio Guaraú e deságua no mar.
Uma pousada perto da ponte sobre o Guarauzinho promove esse e outros tipos de Ecoturismo. O dono da pousada e instrutor de remo atende pelo nome de Remo. Combina.
Estes são Paula e Fábio, em cuja canoa naveguei.
Enquanto o sol não vem
Levamos jornal, quadrinhos e livros; e fomos trocando de material de leitura. Olga se empolgou na leitura do meu livro (Antropólogo em Marte, do Oliver Sacks) quando eu já tinha lido o livro dela, o jornal e os meus quadrinhos. Fiquei vendo vaga-lumes, ouvindo a chuva e pensando na vida enquanto ela lia sobre autistas-prodígios.
Não tínhamos vara de pescar, nem balde, nem nada dessas coisas de pescaria. Nos restou observar os outros pescando.
Olga tinha uma coisa a mais do que eu pra fazer enquanto não dava vontade de sair da casa: tricô.
Aí avistamos pedacinhos azuis do céu, o sol sorriu aquele sorriso amarelo e fui até o mar, ver o que o vento trazia. Lá, no rio Guaraú, vi gente remando em caiaques, e tive a brilhante idéia de convidar a Olga pra fazer canoagem.
Mais uma das fotos de Paula.
Flora na praia
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Fauna na praia
Olga e eu decidimos assim, de última hora, passar o feriadão duplamente emendado na praia. Mais precisamente, no Guaraú, uma praia depois de Peruíbe. Apesar de sabermos da chuva que nos amolaria nestes dias, descemos a serra e fomos à casa dos Stein. Carinhosamente apelidamos a casa de Steinhaus.
Me encantei com os animais que vi na casa: formigas gigantes.
Uma perereca que entrou pra dentro de casa assim que abri a porta. Saiu quando abri a janela.
Essa taturana muito doida, toda peluda, com cara de não sei que outro bicho e cheia de habilidades acrobáticas!
Acompanhei um caramujo saindo da sua casinha e depois se locomovendo em direção à porta aberta de casa.
Os vaga-lumes foram os animais que mais me encantaram. Como chovia muito, eles saíam de noite, entre 20:30 e 21:00, piscando pela paisagem, numa festa que dava gosto de ver. Um deles se perdeu em casa, e desisti de botar o veneno contra mosquito em respeito a ele, que piscava no teto da casa.
Siri - ou será um caranguejo? Este está morto e foi trazido pela maré na praia de Barra do Una.
Duas fotos feitas pela Paula. Paula era a moça que estava sentada no meio da canoa. Como eu estava ocupada em remar e consertar os desvios de percurso causados pelo nosso leme, o namorado da Paula, dei a máquina pra ela se divertir. Quem senta no meio não rema.
Pra fechar esta seção, um guaraú. Garça preta, em tupi.
Me encantei com os animais que vi na casa: formigas gigantes.
Uma perereca que entrou pra dentro de casa assim que abri a porta. Saiu quando abri a janela.
Essa taturana muito doida, toda peluda, com cara de não sei que outro bicho e cheia de habilidades acrobáticas!
Acompanhei um caramujo saindo da sua casinha e depois se locomovendo em direção à porta aberta de casa.
Os vaga-lumes foram os animais que mais me encantaram. Como chovia muito, eles saíam de noite, entre 20:30 e 21:00, piscando pela paisagem, numa festa que dava gosto de ver. Um deles se perdeu em casa, e desisti de botar o veneno contra mosquito em respeito a ele, que piscava no teto da casa.
Siri - ou será um caranguejo? Este está morto e foi trazido pela maré na praia de Barra do Una.
Duas fotos feitas pela Paula. Paula era a moça que estava sentada no meio da canoa. Como eu estava ocupada em remar e consertar os desvios de percurso causados pelo nosso leme, o namorado da Paula, dei a máquina pra ela se divertir. Quem senta no meio não rema.
Pra fechar esta seção, um guaraú. Garça preta, em tupi.
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