quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Agora vai

Minha passagem de volta para Campinas estava marcada para domingo às 10:30 da manhã. Como ficamos ilhados no domingo, liguei na rodoviária e a moça da Reunidas me disse: quando você puder sair daí, pode vir aqui.

Na segunda nenhum ônibus saía de Balneário Camboriú. Não por causa da enchente, mas por causa dos deabamentos ao longo da BR 101.

Na terça de manhã fui à rodoviária de bicicleta e alforje, pronta pra embarcar. Cheguei cedo e o funcionário da Reunidas me disse que se o ônibus for liberado, o será às 10:30. Fiz companhia para Warley e Caio, que esperavam pelo seu ônibus da Catarinense para São Paulo às 9:40.


Os dois embarcaram, e quando deu 11:00 fui no guichê da Reunidas. Me disseram que o ônibus das 10:30 não tinha sido liberado e que era pra eu pegar o das 20:30. Carimbou mais uma vez a minha passagem amassada e suada e escreveu o número da poltrona. Desiludida, voltei pedalando a Cambriú, na esperança de ainda encontrar gente no Hotel.


Ana e César estavam lá, querendo sair pra almoçar. Fui com eles pro restaurante. Quando eles se levantaram pra ir embora (o ônibus deles sairia às 14:00), entraram os organizadores do evento. Sentei de novo.


Rodrigo, Eliana e Walter ainda estavam em Camboriú. Depois do almoço, chamei prum pedal e Walter e eu fomos apreciar a paisagem lodosa.

Pegamos a balsa para Balneário e fomos até a ponta da praia.
Fizemos hora no hotel e fui pra rodoviária. O ônibus já estava lá. O motorista perguntou se eu ia embarcar com a bicicleta. Respondi como uma criança responde à pergunta: foi essa a bicicleta que você ganhou de Natal? Ele quis que eu embalasse, pra não danificar a bagagem dos outros passageiros, mas o encarregado logo resolveu a situação. Abriu o bagageiro de trás, onde a Amarilda foi sozinha, em pé e montada. Cheguei em Campinas exatas 12 horas depois (isso significa que não tive nenhum atraso ou contratempo na viagem).

Foto que o Walter fez na balsa.

Mundo pequeno

Yuri deu abrigo a sete pessoas. Eu não conhecia o Yuri, nem os outros ciclistas, exceto o Nikola. Quando fiz Santos - Ubatuba com o Luizão, topei com um grupo de ciclistas seniores que pedalavam para Bertioga. Um deles era o Nikola, que eu reconheci pelo uniforme do grupo deles: Pedal da Praia.
A Katherine, vejam só: fala alemão, estudou no Humboldt e é três anos mais nova que eu. Esteve na classe do meu irmão.

Uma vez eu comentei com o Caçapa que 'o mundo é pequeno' Ele me corrigiu: 'a renda é que é mal distribuída'.

***

Yuri ouviu no rádio que uma mulher perguntou se o shopping ia abrir. O locutor ficou uma fera: minha senhora, estamos em estado de calamidade pública e a senhora quer ir fazer umas comprinhas no shopping? Demos risada. Aí o Marcelo teve a idéia de irmos todos no cinema, pra distrair um pouco. Louvamos a idéia, nos preparamos para descer e na rua nos demos conta de que cinema - só em shopping.

Balneário Camboriú

Balneário Camboriú é chamada de 'filha rica' de Camboriú. Era uma coisa só, até que o córrego se transformou na divisa entre as duas cidades. Com o progresso, o córrego sumiu das vistas e a BR passou a ser o 'divisor de águas'. Enquanto Camboriú não tem praia e é agrícola, Balneário tem praia e explora o turismo.
Quando o rio chocolatoso entrou no mar, as águas não se misturaram logo e a faixa marrom ficou visível por um bom tempo.

Ponta da praia, rio entrando, nuvens pesadas pairando sobre a cidade.
Anoitece.
É noite.

Interpraias

Ok, a foto não está lá uma maravilha, mas dá pra acompanhar a chuva chegando.
Respeite a Natureza.
Céu azul, mar verde e muita subida e descida. Pedalei tudo e tenho orgulho das minhas pernas.


Pedra do ovo.

Voltei pela BR 101, que logo no início tem um túnel longo. Um ciclista vinha vindo ao meu encontro nesse espaço estreito, fazendo força e balançando os ombros. Parei pra ele passar e apoiei a mão na parede. Ficou preta.

Depois que a água baixou

O rio virou um chocolate, arrastando o que encontrava pela frente.
A ponte pênsil teve sua estrutura de cá arrancada. Reparem nas coisas brancas aí na foto. Lixo.

O caminho que leva à ponte. Tudo que é arame farpado, mangue, poste, cerca, agregou o que a correnteza trazia. Esse moço achou esses peixes no campo da Escola Agrícola.

Quando a água baixou, o Yuri abrigou 8 pessoas num apartamento em Balneário. O apê é da prima da esposa dele, estava vazio e ele tinha a chave.

Sair de Camboriú era um passo a mais na nossa evolução. Estar em Balneário Camboriú era quase um avanço tecnológico. De repente estávamos os 8 vendo noticiário sobre a tragédia dos desabrigados, escutando pelo rádio onde caíam as barreiras e os barrancos na BR 101 e estudando rotas alternativas no mapa. O sol espantou as nuvens e fui pedalar no Interpraias, que era um dos passeios que estava no programa e não foi feito. Subindo pra Laranjeiras, vi esse barranco tomando meia pista, o carro parado com o motorista fotografando a cena pelo celular. O que ele não podia ver (nem você, porque na foto tá pequeno) é a placa que dizia: Respeite a Natureza.

Muitos galhos na praia. Tinha um caminhão recolhendo os detritos na praia.

Calamidade pública


Saíamos da pizzaria alegres, contando piada e dando risada e entrávamos na recepção do Hotel. Uma famíla descalça e ensopada, carregando apenas o bebê embrulhado nos braços entrou chorando. Nos dispusemos a juntar uns colchões, cobertores e toalhas no salão em que estavam acontecendo as palestras. Foi o milagre da multiplicação das camas, porque o meu quarto, por exemplo, que eu ocupava sozinha, tinha 3 camas americanas (o colchão em cima de um estrado que parece um colchão ortopédico, ou seja, cada cama era 2), o que dava 6 camas potenciais. Alguns de nós disponibilizaram seus banheiros, para que as pessoas, que iam chegando, pudessem tomar banho quente.
No dia seguinte, domingo, os supermercados ficaram abertos e os primeiros artigos a escassear foram água (sem gás) e pão. Havia muita gente estocando mantimentos, chorando e conversando sobre suas perdas.
***
Ontem o noticiário local mostrou que em Itajaí quase todas as ruas estão alagadas, não há luz nem água potável em mais da metade da cidade. As imagens mostravam pessoas andando em fila indiana no meio da água (provavelmente em cima do meio-fio das ruas alagadas), carregando coisas nos ombros. Alguns supermercados tinham sido saqueados. imediatamente nos lembramos do Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago. Perdemos a nossa civilidade muito rápido.

Encontro de Cicloturismo em Camboriú

Mais ou menos 120 pessoas vieram pro 7° Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura, que aconteceu em Camboriú entre os dias 20 e 23 de novembro. Os participantes podiam ser divididos em três grandes grupos: o povo que veio de São Paulo, a galera da região de Santa Catarina e os que pingaram de outros lugares (Rio, Brasília, Campinas, Bauru etc.)

Passeio a Itapema com sol, volta com chuva, subidas absurdas e descidas lentas.
Vista do Hotel em Camboriú para os prédios na praia de Balneário Camboriú.

Na programação havia passeios ciclísticos por estradas de terra, palestras e confraternizações. No primeiro dia fizemos um passeio que começou com sol e terminou com chuva e alegrou todo mundo. No segundo dia eu não me juntei ao grupo de trinta aventureiros que pedalaram na chuva. No terceiro dia estávamos ilhados. As palestras foram bem boas e aprendemos mais sobre a bicicleta em si (geometria, ergonomia, tempo de vida das peças), navegação e mapeamento através de GPS, rotas cicláveis e ouvimos depoimentos de cicloturistas que fizeram cicloviagens longas. Conforme a água ia delimitando o nosso espaço, passamos mais tempo vendo filmes de cicloviagens feitas pelos participantes.


Amarilda virou modelo, olha só.

Este definitivamente foi um encontro atípico: pedalamos menos e nos conhecemos mais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Reprovada

Saiu o resultado de Londrina. Fui reprovada. Ainda bem que estou na praia, pedalando com um monte de gente legal. As minhas notas de prova didática e argüição não foram boas (6 e 6,5) e a nota do meu currículo me arrastou para o subsolo (3,1).

Como a nota de currículo é baseada numa tabela, ela não vai mudar muito no próximo concurso que eu prestar. Vou ter que me esforçar mais nas provas e publicar mais coisa.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Energia boa

A acupunturista me espetou umas agulhas, saiu e me deixou "relaxando". Não consigo esvaziar a cabeça assim, deitada numa sala com teto de madeira, cheio de desenhos a serem descobertos, som de passarinho lá fora e várias agulhas no corpo. Pra eu esvaziar a mente, preciso de movimento. Uma caminhada de um dia ou uma cicloviagem fazem com que eu chegue sem saber quem sou, onde estou, por que saí.
Meu pensamento foi pra todos os lugares importantes da minha memória, Dr. Silvana voltou depois de 40 minutos, tirou as agulhas e disse que eu tinha uma energia boa, que era pra eu voltar só em caso de dor. Não tenho dor no pé. Fui dispensada. Talvez a acupuntura não seja o melhor tratamento pro meu sistema linfático lento...

domingo, 16 de novembro de 2008

Voltando de Rio Claro

Quase voltei nas mesmas 4 horas (desta vez, cheguei 10 minutos antes que na ida). Não tive pneu furado, racionamento de água ou qualquer outro imprevisto relacionado à bicicleta. O que me pegou de surpresa foi o céu:
Nunca tinha isto um arco-íris horizontal, em plena luz do dia, sem sombra de possibilidade de precipitação (chuva).

Essa última foi tirada no portão de casa, com algumas folhas da nossa sibipiruna decorando a imagem. Fascinante. Boa surpresa!

Em Rio Claro

Conheci praticamente toda a família que o Renato tem em Rio Claro, caminhamos bastante pela cidade quadrada e fizemos beringela recheada (com canela, à moda turca), cogumelos e arroz cozido na água dos cogumelos. Pra fechar, aprendi a jogar truco.
Não precisei ser apresentada na casa de parente nenhum, todos já sabiam que eu tinha vindo de Campinas de bicicleta.

Caminhoneiros

Já aprendi que nem todas as estradas têm acostamento. As que têm, não o têm continuamente. Duas coisas fazem com que não haja acostamento: faixa adicional e ponte. A faixa adicional aparece no lugar do acostamento e quando há ponte a via se estreita e o ciclista precisa seguir pela faixa mesmo. Quando fui na Decathlon pra comprar alforje da frente, fui de Caloi 10 pela D. Pedro. Antes do Carrefour tem uma putz ponte mó comprida, o que tem como conseqüência a não-existência de acostamento. Subi na via e ouvi um caminhão buzinando e freiando atrás de mim. Quando a ponte acabou, ele começou a acelerar. Fui pro acostamento, empurrada pelo caminhoneiro que lentamente ia invadindo o acostamento, me forçando pra direita. Fiquei muito brava com essa "lição de moral" que o caminhoneiro quis me dar mas lhe dou crédito por ter usado o freio, essa coisa que muitos motoristas não lembram que têm à disposição.

Minhas outras experiências com caminhoneiros são de outra ordem. Eles sempre buzinam pra mim quando pedalo na estrada. Alguns buzinam de longe, amigavelmente, outros buzinam em cima de mim, histericamente, fazendo com que todo o meu corpo se contraia. Detesto que buzinem pra mim.

Na cicloviagem pra Rio Claro aconteceu uma coisa curiosa, que eu ainda não entendi direito. Parei num posto pra usar o banheiro. Quando eu estava de volta na bicicleta, bebendo água, passou um caminhão com um caminhoneiro me olhando fixamente. Não era feio. Estacionou, saiu de sua máquina e passou por mim. Olhei pro outro lado, montei na bicicleta e fui embora. Uma descida nervosa depois, reparei num barulhinho na roda da frente. O sol iluminava algo prateado na roda. Parei e tirei um arame do pneu da frente. Subi a subidona enquanto o pneu esvaziava devagarzinho. Lá em cima, na sombra, me pus a trocar a câmara. Eu estava voltada para os carros que vinham, concentrada na procura do furo da câmara. Pelo som, notei que um caminhão parou atrás de mim, a poucos metros. Era mesmo um caminhão. Teria sido aquele mesmo caminhoneiro? Quereria ele me prestar socorro? Não olhei mais pro caminhão nem fui lá pedir ajuda. O caminhão se foi. Tenho cá pra mim que era ele, sim, e que se fez presente pro caso de eu precisar de ajuda. Como não pedi ajuda, seguiu viagem. Se estiver certa, agradeço pela solidariedade.

Cicloviagem a Rio Claro

Renato me prometeu umas comidas esquisitas em Rio Claro, eu peguei a minha Caloi 10 e fui pedalando pra lá. Foram 84 km em 4 horas com um pneu furado no meio do caminho.
Saindo de casa, peguei a D. Pedro (trânsito complicadinho numa sexta de manhã, com muitas entradas à direita e algumas partes sem acostamento), depois a Anhangüera, que eu já tinha percorrido com o Luizão até Limeira, depois peguei a Washington Luis, novidade pra mim. O asfalto do acostamento é mais poroso que o da Anhangüera, o que faz com que haja um acúmulo maior de sujeira e que a velocidade da bicicleta diminua.
Quase choveu, mas as nuvens só se apresentaram pra me dar sombra, nada mais.



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Acupuntura

Sou uma pessoa que tem medo de agulhas. Vejo muitos filmes por entre os dedos da minha mão, que deveriam servir pra me poupar das cenas com agulhas e sangue. Ainda não consegui doar sangue porque tenho ferro de menos no sangue e porque tenho medo de desmaiar no Hemocentro.

Essa introdução serve pra convencer o leitor de que a última coisa que eu faria voluntariamente é acupuntura, coisa que tradicionalmente envolve agulhas. Pois bem, tenho um pé inchado por causa de uma fratura + cirurgia de mais de ano. O meu sistema linfático, que é lento mesmo, não conseguiu se ajustar ainda. O volume do pé não me incomoda, o que me incomoda é que o pé direito ainda não voltou ao normal, ainda não está parecido com o esquerdo. Mas então por que reclamar agora? Porque tem outra coisa: um médico me disse que o que eu sempre interpretei como sendo TPM nada mais é retenção de líquido. Por isso a pressão na cabeça, os vômitos e a incapacidade de ingerir qualquer coisa. Não é todo mês, nem tem regularidade capturável, mas mês passado foi 3 vezes. Se o meu corpo está retendo água, quem não está funcionando? O sistema linfático.

Toca pedalar até a acupuntura que o Junior indicou. Dra. Silvana não é oriental. Mas pratica medicina oriental, portanto precisava seguir o protocolo. Quis saber a história da minha vida, anotou tudo, me perguntou duas vezes se não tenho namorado, quis saber dos meus humores. Não sofreu nunca de depressão? Não se classificaria como uma pessoa melancólica?

Examinou o me pé e decidiu que as outras técnicas (massagem, laser e eventuais outras) demorariam muito tempo, demandariam muito esforço e que as agulhas, que estavam ali, em cima da mesa, seriam a melhor opção. Quis me mostrar as agulhas, insisti que não o fizesse. Me espetou em vários lugares. Senti que o corpo pesava cada vez mais. Conversou comigo e deixou as agulhas fazerem seu efeito por 20 minutos.

Sentada na mesa dela, quis saber como funciona a cura pelas agulhas. Mostrou um boneco com centenas de pontos, que são chamados de meridianos e logo o seu discurso se tornou evasivo. Mas tudo isso é muito mais profundo, se você quiser, a gente conversa mais sobre isso em momento oportuno, a ciência já validou a acupuntura, mas ainda não sabemos qual é o princípio por trás de tudo etc.

Esse mais profundo é o mesmo que eu ouvia do Junior quando fazia aula de Tai Chi com ele. O que querem dizer com isso? Que não acreditam que eu, não-iniciada, seja capaz de entender o que forem dizer? Ou que não se sentem autorizados a explicar algo que não faz parte de sua cultura, mas que foi adquirido, aprendido com resistências e talvez ainda não foi completamente assimilado por estes porta-vozes da medicina/cultura/filosofia oriental?

Quando alguém me pergunta o que eu estudo, tento explicar o objeto das minhas atenções acadêmicas de maneira simples, de modo que eu possa verificar se a pessoa me acompanha no raciocínio. Nunca assumo que o que eu estudo é tão maior que a capacidade de compreensão da pessoa. Acho que é por isso que o mais profundo, depois a gente pode conversar mais sobre isso, me irrita tanto: assumo que a pessoa duvida da minha inteligência.

Mesmo assim voltarei na acupuntura semana que vem, pra permitir que eu seja espetada pelas agulhas da Dra. Silvana. Porque, afinal, quero que a técnica funcione, não que a pessoa que me aplica as agulhas seja oriental, zen e imersa nessa cultura que desconheço.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Estudando editais

Como o resultado do concurso que prestei em Londrina ainda não saiu (está com previsão de ser divulgado num dia qualquer da semana que vem) e eu não tenho a sensação de que a vaga na UEL é minha, estou estudando editais de outras universidades. Algumas coisas me chamam atenção.

O salário oferecido pelas universidades estaduais pro cargo de professor adjunto (com título de doutor, dedicação exclusiva, 40 horas semanais) é metade do salário oferecido pelas federais pro mesmo cargo.

Depois das eleições, todos os editais pedem que, no ato da inscrição, o cadidato apresente cópia do Título de Eleitor e comprovante de votação na última eleição.

O edital da federal de Sergipe deixa claro que as inscrições não podem ser feitas via postal, ou seja, é preciso viajar até lá para fazer a inscrição. Sinto muito, mas isso é muito sacrifício.

O edital da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) pede que, no ato da inscrição, o candidato apresente uma carta de recomendação de dois Professores Universitários (sim, com letra maiúscula). Além desse disparate (pôxa, é um concurso, e o que conta é o desempenho do candidato nas provas, não a indicação de professores), tem mais outro: pedem documento oficial que comprove que o candidato não possui antecedentes criminais. Sinto muito, mas não quero trabalhar num lugar que precisa assegurar sua qualidade acadêmica através destes meios.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

No meu varal

Festa de criança

O aniversário do Francisco é no Natal. Faz 7 anos que ele divide as atenções com Papai Noel e Jesus Cristo. Por ser filho de pastores, aprendeu a dividir irmanamente a sua data com essas outras entidades. Neste ano sua mãe estará engajada em vários cultos de Natal, portanto não poderão passar o seu aniversário+Natal em Gramado. Resolveram antecipar a festa de aniversário e comemorar com os filhos das 'meninas da Casa', as mais antigas funcionárias da Casa da Juventude.
Descobri que tenho profunda alegria em observar crianças de 3 e 4 anos. Estes dois, sentadinhos nas cadeiras altas demais, comiam 'negrinhos' = brigadeiro, 'branquinhos' = beijinho e pastel. Bastante autônomos, conversavam um com o outro como conversam com suas mães: eu tô comendo, olha, tá vendo? Tô comendo direitinho.
Não lembro os nomes de Superman e Batman+Spiderman, mas acho que estes são bons apelidos pra esses dois pequenos heróis.

Gramado na minha memória

Peguei um rabo de conversa do meu primo com os amigos dele.
- Gramado tem duas estações: tem o inverno e a estação rodoviária.
Tem certa semelhança com a imagem que eu tenho de Gramado.

Gramado é frio, úmido e muito verde na minha memória. Gramado é identificação com os meus avós maternos, com a família Kleine. Gramado é ligado à Casa da Juventude e os cheiros de fogão a lenha e pinheiros. Gramado é sinônimo de espaço a ser explorado com a curiosidade de uma criança.
Gramado acumula diversas gerações e a tentativa mútua de compreender a geração mais distante. Imagino que a Oma não tenha grandes problemas pra entender como funcionam seus filhos, mas a coisa muda de figura quando isso se aplica aos netos. Os bisnetos, então, não são nenhum pouco transparentes.

Oma não entende por que as/os netas/os casados ainda não tiveram filhos e não vê com bons olhos os netos (homens) que dependem financeiramente de suas esposas. Esta não é a 'ordem natural das coisas', segundo sua concepção de papel da mulher, do marido, de família.

Oma fica abismada com a quantidade de brinquedos de plástico (que piscam, andam, fazem barulhos, quebram e são abandonados pelos cantos) que seus bisnetos possuem. Fica ultrajada com a violência banalizada no discurso do menino (filho de pastores) que quer explodir tudo com 30 bombas atômicas. Esse menino não sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e não tem noção da violência com que está brincando.

Os contrastes que Gramado envolve me fascinam.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Com a televisão

Uma das minhas músicas preferidas da Vanessa da Mata conta uma estória inusitada. O narrador é o homem, que conta que seu amor fugiu com a novela das oito. De início, simpatizamos com ele, por ter perdido seu amor para uma ilusão de vida. No fim, entendemos que a novela das oito é uma opção melhor que a vida com ele.

Quando fomos morar juntos ela me adorava
Cozinhava, passava, me alisava
Eu contava piada ela gargalhava
Metia a mão nela e ela perdoava

A vida era boa ela não reclamava
Agora vive longe, não sei mais nada
Fugiu da nossa casa com a televisão
Vanessa da Mata: Fugiu com a televisão

O ônibus parou na estação de Vacaria: só para embarque. Enquanto a mulher de caminhoneiro - que depois sentaria do meu lado - embarcava, eu observava um índio encostado na parede da rodoviária. Era um homem que aparentava ter 50 anos, e talvez contasse apenas 38. Cabelos curtos, maçãs do rosto altas e queimadas de sol, olhos cansados, pés enraizados ali, a 20 cm da parede. Ao seu lado, seus pertences: duas malas, três sacolas plásticas abertas e dispostas ao seu redor e, acomodada sobre as duas malas, uma televisão. Não era moderna, mas também não era daquelas antigas, preto e branco que mudavam de canal num botão giratório. Duas malas, três sacolas plásticas e a televisão.

Fiquei me perguntando se aquilo era tudo que aquele índio possuía e se aquele homem pretendia começar uma vida nova em outra cidade com essas coisas que carregava consigo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Finados

Fomos ao cemitério numa delegação de três gerações, ver a sepultura do meu avô. As rosas vermelhas estavam bem, sem marcas de formigas, a lápide estava limpa, as plantas nos vasos não estavam se afogando.

Minha vó (que conheceu muita gente nesses 89 anos de vida) e meu tio (que tem algumas árvores genealógicas na cabeça e se interessa por histórias de famílias) quiseram visitar túmulos de velhos conhecidos, então caminhamos os três pelos corredores de sepulturas. Olha só, os Schlieper estão aqui. Que Schlieper são esses? Veja, os Ziegler estão aqui. Aqueles Ziegler que ... Ah, que pena, ninguém cuida aqui dos Weber...
Lou, tu te lembras do Juksch?

Tivemos um passeio animado (no sentido de dar vida às memórias esquecidas) pelo cemitério. Notei que havia, naquele setor, um Silva e um Santos. Ambos casados com alemãs. Me dobrei de rir com sobrenomes como Pfützenreiter, Schaumlöffel e Kohlrausch. Achei simpáticos os sobrenomes Knaak, Witzel e Kühl (que em inglês seria Cool e em português seria Fresquinho).

domingo, 2 de novembro de 2008

Neblina

Me posicionei no meio da rua e fiquei esperando qualquer coisa acontecer. Ouvi o som de um carro vindo em minha direção. Vinha de baixo para cima, pelo som dava até pra estimar a distância do veículo da minha pessoa parada no meio da rua. Dois faróis acesos cortaram a cortina leitosa de neblina que se deitava sobre o mundo. Saí da rua e fui pro jardim, fotografar coisas molhadas.
Quando mostrei as fotos pra minha vó, ela tomou conhecimento do grau de amadurecimento das framboesas. Engraçado ver o jardim a partir da cadeira de balanço na sala...

Vista (não se vê muito longe, é certo) do jardim dos vizinhos que não vieram pra Gramado neste fim de semana.

Com a neblina vem uma chuvinha fina e muita umidade.

De 33 a 16ºC

Tenho 3 regatas, 2 shorts e um par de Havianas na minha mochila. Quando fiz a mochila, tava em Campinas, sofrendo 33ºC na cabeça. Quando vim a Gramado, dei graças aos céus por ter colocado também, no fundo da mochila, dois moletons e meias de frio.

Tu vai de quê?

Vamos brincar de identificar meios de transporte na figura? Vejo navio, trem, ônibus e carro. Um cenário assim só em Porto Alegre.

Não andei de trem, ônibus ou navio em Porto Alegre, mas andei de táxi algumas vezes. Um taxista me marcou: o homem era todo tatuado, tinha uns piercings e anéis de prata e era cabeludo. Falava de Laguna, da vida mansa e das ondas que pegava lá. Mencionou que o filho dele tava surfando muito bem também. O menino tem 17 anos e tava mandando bem, surfando melhor que ele, mas de repente resolveu parar. O garoto só quer estudar, vê se pode!!!