Corre quando começa a choverOlha só vai enrolar
O cabelo encolher
Músicas muito dançantes. Eu nem sabia que o meu corpo sabia balançar tanto!

O local do evento era a chácara do Jockey, que fica quase lá em Taboão, perto da Francisco Morato. Como o espaço é grande e verde, aproveitaram pra montar estandes em que propostas ecológicas eram expostas: arte através de reciclagem de vários materiais (papelão - olha a Carol sentada num sofá de papelão prensado -, papel, lixo=composteira, peças de automóveis, pneus de toda sorte e garrafas de plástico), reciclagem - sem arte - de bitucas de cigarro; e bicicletas dobráveis chinesas com adesivo da bandeira do Brasil com 6 marchas (1 coroa e catraca de 6). E claro que tinha a praça de alimentação orgânica, que oferecia sanduíches naturais a R$ 9,00. Além de roubarem a minha comida na entrada, ainda me sacaneiam com esse sanduíche natural de frango verde. (Como se vê, ainda estou emputecida com essa estória: paguei R$ 250,00 na meia-entrada do ingresso e ainda me metem a faca lá dentro.)

Carlos e Marina embarcam pra Portugal daqui a dois dias. As malas já estão quase prontas, a documentação pra levar as gatas (Frida e Pitanga) foi uma burocracia que só, o carro foi vendido, o apartamento alugado, mas a casa em Porto ainda é uma incógnita.
Demorei 4 horas, nada mais, nada menos, pra chegar na Paulista. O trânsito entre a minha casa e a rodoviária de Campinas não estava horrível e cheguei lá em meia hora, como o previsto. O ônibus que me levaria à capital paulista chegou atrasado, correu por uma hora e vinte na Bandeirantes, como previsto, e empacou antes de chegar na Marginal. Como previsto. Hora do Rush.
Peguei uma bicicleta no bicicletário da Porto Seguro (eu não tinha combinado nada com o Ariel desta vez) e me juntei à massa de ciclistas esperando na Praça do Ciclista.
A idéia era sair às 20:00, e até lá algumas pessoas resolveram desdobrar sua criatividade e fazer algumas ações ecológicas. Plantaram crisântemos no meio da praça.
Algumas pessoas fizeram faixas, outras trouxeram faixas de casa. Alguns distribuíam panfletos, outros distribuíam adesivos e a Soninha, candidata a prefeita de SP, distribuía sorrisos.
A galera começou a se movimentar, dando voltas em volta da praça, depois rumando até o fim da Paulista. Dessa vez não havia faixas pedindo licença/ paciência aos motoristas, dessa vez era óbvio que a massa crítica tinha que passar e não podia ser interrompida por faróis vermelhos. Alguns pedestres passaram apuro pra atravessar a avenida, mas não tenho certeza se os ciclistas se deram conta disso.
O clima era de protesto e ouvi muita gente agredindo os carros verbalmente: sai daí, motorizado! Ah, seu poluidor, deixe seu carro em casa!! Nós vamos tomar as ruas!!! As pessoas nas janelas, nos pontos de ônibus, na calçada e dentro de motorizados ouviam o barulho de buzinas de bicicleta, carro, caminhão, os gritos coordenados e outros soltos dos ciclistas e paravam pra olhar. Quase surdos, os ciclistas tentavam equilibrar-se em seus guidãos e manter o ritmo lento de uma massa de ciclistas. Os ciclistas precisavam ser lembrados o tempo todo de deixar a faixa da direita livre pros carros. Veja bem: uma faixa das 4 ou 5 ficou pros motorizados.
Maior celebridade que a Soninha foi o Thiago que mantém o blog chamado Apocalipse Motorizado. Quando o Thiago passou por nós, Ariel avisou: esse é o Thiago. Ecoando a fala dele, ouvi ao meu redor: esse é o Thiago.
É, a bicicletada está famosa, mas eu ainda quero pegar uma em que haja menos de 50 pessoas. Uma em que os ciclistas pedalem para algum lugar (além do fim da Paulista), dêem sinal ao mudar de faixa ou direção, parem no farol, não pedalem pela contramão ou pela calçada e não façam tanto barulho.
No ônibus que eu peguei na Consolação pra Perdizes subiram umas cinco meninas muito parecidas: cabelão liso, franja, muita maquiagem, rosto limpo e pasteurizado, óculos de sol enormes, magrelas, roupas apertadas e cor-de-rosa, salto alto. Elas e eu descemos todas no mesmo ponto e caminhamos uma quadra até a PUC. Soube que aquele prédio feio e sem-graça sem nenhuma placa indicando obviamente que ali era o lugar que eu procurava era de fato a PUC pela aglomeração de gente jovem parecendo adolescente. Podia ser uma escola qualquer. Mas já aprendi que em saída de escola os adolescentes usam uniforme da escola. Ali o uniforme era ditado pela moda lançada na última novela da Globo.
Na biblioteca não tem armários. Tem guarda-volumes com um funcionário que troca fichas com números pelos pertences dos usuários. As teses, dissertações e os periódicos ficam no subsolo. Não tem banheiro na biblioteca. Também não tem cantina da PUC. Tem lojas que há numa praça de alimentação de shopping center. Silêncio na biblioteca também não tem a partir do momento em que duas ou mais pessoas sentam-se na mesma mesa.
Tainá
Cauã e Murilo
Pâmela
Ryan
Luís
Éder
Isabella
Stephany
Bruno
Jonathan
David
Vitor
Murilo
Luiza
Subir os degraus do ônibus não é fácil pra crianças de 3 anos de idade. Tio Ruy tem que ajudar essas pessoinhas a embarcarem. 
Crianças de 3 anos de idade não jogam bola uns com os outros. Eles querem abraçar a bola, sentar em cima dela, chutar a bola para longe e correr atrás dela, jogar a bola para o alto e pegá-la de novo. Gastei muita saliva (enquanto as crianças gastavam muitas lágrimas) para explicar que num jogo de bola o que se tem é uma bola e 20 pessoas passando a bola de um pra outro, que jogar bola significa dividir a bola com os outros.
Vestir sapato, sandália ou tênis é outra arte que as crianças ainda não dominam, então fiquei brigando com fivelas minúsculas e cadarços carcomidos.
Junior nos apresentou o projeto Canto da Horta, que consiste no plantio de hortaliças e leguminosas de maneira barata e alternativa, usando como adubo o composto gerado aqui mesmo. Os meninos de casa (exceto o Junior) não têm quase nenhuma relação com plantas ou culinária natureba, mas não se opuseram à implementação do projeto.
Usamos bambu e garrafas pet que tínhamos juntado (parte da alimentação não-natureba dos meninos inclui litros e litros de refrigerantes). Não foi fácil decidir o modo como prenderíamos as garrafas cortadas (os potes, né) no bambu, mas chegamos a uma boa solução depois de testar algumas alternativas.
Júnior tomou as rédeas da Oca, distribuindo funções e foi o primeiro a subir pra debaixo do telhado. Gustavo estava acordado de manhã e super ajudou a esfregar a caixa. Kênia era a nossa ponte com o mundo de baixo. Ela pesquisava na Internet que produtos podem ser usados na limpeza da caixa, trazia o que fosse necessário e abria as torneiras dos lugares que adivinhávamos alimentar determinado buraco da caixa. Sales carregava os baldes de água suja pra baixo e Caldo fazia torcida.
Muito bom trabalhar para o bem comum em conjunto.