segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vanessa da Mata

Corre quando começa a chover
Olha só vai enrolar
O cabelo encolher

Músicas muito dançantes. Eu nem sabia que o meu corpo sabia balançar tanto!

Seu Jorge

A carne mais barata do mercado
É a carne negra!
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
E vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos

Esse negão da voz grossa ganhou o meu respeito. Pena que ele só tocou umas 4 ou 5 músicas.

About us Festival

Meu ingresso pro festival foi comprado pela Maíra no primeiro dia em que os ingressos foram postos à venda. Queríamos ver Dave Matthews Band ao vivo e em cores. Haveria outras bandas se apresentando também, e o evento todo tinha uma proposta ecológica, mas o que importava mesmo era o Dave Matthews. Era preciso ver o homem de perto, não apenas no telão. Compramos ingressos VIP. A área para Very Important Persons ficava na frente do palco, tinha banheiro próprio (com papel higiênico!), uma banca de cerveja (a R$ 5,00 o copo!) e funcionárias da limpeza coletando lixos largados no chão durante todo o festival (!!!).


Como passaríamos o dia no festival, fiz provisões: meio litro de água e comida. Na entrada, a moça que nos revistou disse que a água podia entrar, mas a comida tinha que ficar. Eu achei aquilo um absurdo: eu paguei por aquelas bolachas, barrinhas de cereais e o caramba, e agora tinha que jogar tudo num saco de lixo? Isso é roubo! O que é feito de toda a comida que todos os 25 mil pagantes de ingresso deixaram naqueles sacos pretos? Não adianta reclamar comigo, moça, eu só trabalho aqui. Ordens são ordens...
O local do evento era a chácara do Jockey, que fica quase lá em Taboão, perto da Francisco Morato. Como o espaço é grande e verde, aproveitaram pra montar estandes em que propostas ecológicas eram expostas: arte através de reciclagem de vários materiais (papelão - olha a Carol sentada num sofá de papelão prensado -, papel, lixo=composteira, peças de automóveis, pneus de toda sorte e garrafas de plástico), reciclagem - sem arte - de bitucas de cigarro; e bicicletas dobráveis chinesas com adesivo da bandeira do Brasil com 6 marchas (1 coroa e catraca de 6). E claro que tinha a praça de alimentação orgânica, que oferecia sanduíches naturais a R$ 9,00. Além de roubarem a minha comida na entrada, ainda me sacaneiam com esse sanduíche natural de frango verde. (Como se vê, ainda estou emputecida com essa estória: paguei R$ 250,00 na meia-entrada do ingresso e ainda me metem a faca lá dentro.)


Vou de carona

Descobri um esquema de caronas muito da hora. É preciso ter um e-mail da Unicamp (serve da DAC) e se cadastrar no site de caronas.
A idéia é que as pessoas dividam as despesas, então quem pede carona paga o equivalente aos pedágios. Se a pessoa que dá carona der carona pra uma pessoa só, ela já não tem que pagar o pedágio. Se encher o carro, o motorista já não tem que pagar parte do combustível.
Tem carona de Barão pra São Paulo (e vice-versa) quase todo dia, em quase todo horário. E é muito legal viajar gastando metade do tempo, conversando com gente jovem e interessante, ouvindo estórias e músicas diferentes.
E viva o esquema de caronas!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Despedida de Carlos & Marina


Carlos e Marina embarcam pra Portugal daqui a dois dias. As malas já estão quase prontas, a documentação pra levar as gatas (Frida e Pitanga) foi uma burocracia que só, o carro foi vendido, o apartamento alugado, mas a casa em Porto ainda é uma incógnita.

Pra quê essa correria toda? Marina conseguiu uma bolsa de mestrado na Europa: metade do tempo em Portugal, outra metade na Espanha. Se fossem casados, a bolsa seria maior. Casaram. Daqui a dois dias atravessam o grande oceano.

Meus amigos ciclistas vão embora aos poucos. Agora sou a única integrante do Campinas Cicloviável em Barão Geraldo: Tarcízio está nos EUA, Natalie no Amazonas, Lucas em Brasília, Rafael em Presidente Prudente, Mateus em São Carlos e acabou a relação de pessoas que recebem mensagens do Cicloviável pela lista. Aprendi muita coisa sobre bicicleta nesse grupo, a começar pelo fato de que quase nada é ponto pacífico. Capacete, ciclovia, passeio ciclístico, bicicletada, calçada, contramão, sinalização, diálogo com o poder público, tudo isso desencadeia discussões polêmicas entre as pessoas ligadas ao grupo.

Carlos está levemente preocupado com essa coisa de bicicleta. Pelo que já sondou, percebeu que a mentalidade dos portugueses em relação a transporte é bem parecida com a dos brasileiros: carrocracia. É Europa, mas é preciso lembrar que Portugal é a periferia da Europa.

Eu continuo aqui, meio sem saber o que é certo e o que é errado, me esforçando pra ser um exemplo de integração da bicicleta no trânsito urbano. Talvez outras mulheres que me vêm pedalando por aí de dia e de noite tomem coragem e voltem a usar a bicicleta que abandonaram na garagem. Talvez outros jovens façam cicloviagens depois de ouvirem as estórias das minhas. Quem sabe mais pessoas um dia vão perceber que a estrutura viária de grandes cidades como São Paulo e Campinas não comporta mais carros. Espero que as pessoas tomem consciência da poluição que os veículos motorizados jogam no ar, do barulho que causam, do espaço que ocupam, e procurem maneiras alternativas de se locomover.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bicicletada no Dia Mundial Sem Carro

Demorei 4 horas, nada mais, nada menos, pra chegar na Paulista. O trânsito entre a minha casa e a rodoviária de Campinas não estava horrível e cheguei lá em meia hora, como o previsto. O ônibus que me levaria à capital paulista chegou atrasado, correu por uma hora e vinte na Bandeirantes, como previsto, e empacou antes de chegar na Marginal. Como previsto. Hora do Rush.
Peguei uma bicicleta no bicicletário da Porto Seguro (eu não tinha combinado nada com o Ariel desta vez) e me juntei à massa de ciclistas esperando na Praça do Ciclista.
A idéia era sair às 20:00, e até lá algumas pessoas resolveram desdobrar sua criatividade e fazer algumas ações ecológicas. Plantaram crisântemos no meio da praça.
Algumas pessoas fizeram faixas, outras trouxeram faixas de casa. Alguns distribuíam panfletos, outros distribuíam adesivos e a Soninha, candidata a prefeita de SP, distribuía sorrisos.
Ouvi alguém de uniforme dizendo um número de ciclistas a um sujeito com uma câmera na mão: 300. Não sei avaliar quantos ciclistas estavam lá, mas acho que o número parece razoável.
A galera começou a se movimentar, dando voltas em volta da praça, depois rumando até o fim da Paulista. Dessa vez não havia faixas pedindo licença/ paciência aos motoristas, dessa vez era óbvio que a massa crítica tinha que passar e não podia ser interrompida por faróis vermelhos. Alguns pedestres passaram apuro pra atravessar a avenida, mas não tenho certeza se os ciclistas se deram conta disso.

O clima era de protesto e ouvi muita gente agredindo os carros verbalmente: sai daí, motorizado! Ah, seu poluidor, deixe seu carro em casa!! Nós vamos tomar as ruas!!! As pessoas nas janelas, nos pontos de ônibus, na calçada e dentro de motorizados ouviam o barulho de buzinas de bicicleta, carro, caminhão, os gritos coordenados e outros soltos dos ciclistas e paravam pra olhar. Quase surdos, os ciclistas tentavam equilibrar-se em seus guidãos e manter o ritmo lento de uma massa de ciclistas. Os ciclistas precisavam ser lembrados o tempo todo de deixar a faixa da direita livre pros carros. Veja bem: uma faixa das 4 ou 5 ficou pros motorizados.

Maior celebridade que a Soninha foi o Thiago que mantém o blog chamado Apocalipse Motorizado. Quando o Thiago passou por nós, Ariel avisou: esse é o Thiago. Ecoando a fala dele, ouvi ao meu redor: esse é o Thiago.

É, a bicicletada está famosa, mas eu ainda quero pegar uma em que haja menos de 50 pessoas. Uma em que os ciclistas pedalem para algum lugar (além do fim da Paulista), dêem sinal ao mudar de faixa ou direção, parem no farol, não pedalem pela contramão ou pela calçada e não façam tanto barulho.

Jornada Internacional Na Cidade Sem Meu Carro


A programação da EMDEC pro Dia Mundial Sem Carro em Campinas estava deixando a desejar. Havia uma palestra e atividades com motos no programa, mas nada ligado à bicicleta. Nada que me desse vontade de sair de casa.
Fizeram uma intervenção na Unicamp, mas era daquele tipo que eu já conhecia:
um carro batido (amassado mesmo, vidros quebrados, rodas fora do eixo), uma moto caída no chão e uma placa anunciando que José da Silva tinha acabado de passar no vestibular, comprou uma moto e morreu numa colisão com João dos Santos, pai de família, que estava voltando pra casa bêbado.
Esse tipo de exposição é chocante: muita gente amarra a cara, pisa no freio, olha pra trás pra admirar a cena do acidente. Talvez convide pra reflexão, até. Mas eu queria FAZER alguma coisa no dia Sem Carro. Fui pra São Paulo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Filha da PUC

Fui a São Paulo pra fins de diversão e dispersão, mas achei que dava pra aproveitar a viagem e fazer alguma coisa pela tese. Pois é, São Paulo também é trabalho. Durante a minha qualificação, uma professora da minha banca, que é da PUC sugeriu que eu lesse uma dissertação de uma moça da PUC que escreveu sobre o termo agramatismo. A dissertação estava na biblioteca da PUC, disso eu sabia. Restava descobrir onde é a PUC.
Google Maps me informou que fica ali na esquina da Consolação com a Marquês de Paranaguá. Tinha outra em Perdizes, mas isso eu desconsiderei. Perdizes! Nem sei onde isso fica...
Aquela PUC era de exatas. Filha da ... !!!!!! Tem que ir pra Perdizes, que peste. Fui, né.
No ônibus que eu peguei na Consolação pra Perdizes subiram umas cinco meninas muito parecidas: cabelão liso, franja, muita maquiagem, rosto limpo e pasteurizado, óculos de sol enormes, magrelas, roupas apertadas e cor-de-rosa, salto alto. Elas e eu descemos todas no mesmo ponto e caminhamos uma quadra até a PUC. Soube que aquele prédio feio e sem-graça sem nenhuma placa indicando obviamente que ali era o lugar que eu procurava era de fato a PUC pela aglomeração de gente jovem parecendo adolescente. Podia ser uma escola qualquer. Mas já aprendi que em saída de escola os adolescentes usam uniforme da escola. Ali o uniforme era ditado pela moda lançada na última novela da Globo.
Na biblioteca não tem armários. Tem guarda-volumes com um funcionário que troca fichas com números pelos pertences dos usuários. As teses, dissertações e os periódicos ficam no subsolo. Não tem banheiro na biblioteca. Também não tem cantina da PUC. Tem lojas que há numa praça de alimentação de shopping center. Silêncio na biblioteca também não tem a partir do momento em que duas ou mais pessoas sentam-se na mesma mesa.
A dissertação que eu li está em primeira pessoa do singular, no estilo de um diário. Além disso, a autora abusa da recursividade lingüística (possibilidade de sempre encaixar mais um sintagma na sentença), produzindo sentenças demasiadamente longas, nas quais a concordância entre os termos acaba se perdendo. Filha da PUC, como é que eu faço pra sair daqui?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Me chamo vento

Estamos quase na primavera e a previsão de temperatura mínima pra hoje de noite é 12 graus. Amanhã temos promessa de 11 graus de noite. A umidade do ar está lá na casa dos 70%, mas a pressão atmosférica está alta, coisa que os meus parafusos de titânio sentem.
O pior deste clima é o vento cortante e constante. Fui ao cinema ontem de noite. Pra minha alegria, o Tapetão está parcialmente iluminado. Pro meu desespero, o vento parecia uma mão invisível e forte segurando a minha testa. Demorei uns 12 minutos a mais que o costume pra chegar no Jaraguá e tive que pedalar o trajeto todo - em marchas baixas. Na volta, vim com o vento nas costas e não pedalei em quase todo o trajeto de Tapetão.
Me chamo vento.
Quando pedalo, visto luvas de couro e cachecol, além de casaco corta-vento. Assim o vento não é frio, apenas afeta a velocidade que consigo desenvolver na bicicleta. Quando nado na piscina não-coberta da Unicamp, não tenho a mínima vontade de sair da água aquecida. Este vento que sopra entre a piscina e o vestiário é frio e do mal. Na volta pra casa, volto pedalando e os meus cabelos secam ao vento.
Me chamo vento.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Kinder

Fui tia Lou por uma manhã, e participei de uma excursão ao parque com as crianças da creche onde o Ruy trabalha.
Allan
Beatriz e Eduardo
Erik
Foto: Tio Ruy
Gustavo (frente) e Cauã Matheus (de boné)

Tainá

Cauã e Murilo

Pâmela

Ryan

Luís

Éder

Isabella

Stephany
Bruno
Jonathan
David
Vitor
Murilo
Luiza
Subir os degraus do ônibus não é fácil pra crianças de 3 anos de idade. Tio Ruy tem que ajudar essas pessoinhas a embarcarem.
Foto: Tio Ruy
Andar no parque com crianças deste tamanho significa exigir o tempo todo que se dêem as mãos, formando um grande cluster.
Foto: Tio Ruy
As crianças têm um jeito próprio de brincar de bambolê. Raramente o aro envolve a cintura da criança.
Crianças de 3 anos de idade não jogam bola uns com os outros. Eles querem abraçar a bola, sentar em cima dela, chutar a bola para longe e correr atrás dela, jogar a bola para o alto e pegá-la de novo. Gastei muita saliva (enquanto as crianças gastavam muitas lágrimas) para explicar que num jogo de bola o que se tem é uma bola e 20 pessoas passando a bola de um pra outro, que jogar bola significa dividir a bola com os outros.
Vestir sapato, sandália ou tênis é outra arte que as crianças ainda não dominam, então fiquei brigando com fivelas minúsculas e cadarços carcomidos.

sábado, 13 de setembro de 2008

Dois em um

Os passantes
notavam duas pessoas muito similares
sentadas naquele banco de praça.
Seus cabelos
estavam despenteados de maneira semelhante,
suas roupas
eram parecidas.
Os cabelos emaranhados
tinham a mesma cor e o mesmo comprimento,
as camisetas
eram brancas
e as bermudas caqui.
Os passantes passavam,
com os olhos fixos naqueles dois confundidos num beijo.
No tempo de passar, tentavam perceber suas diferenças.
Talvez não reparassem
que uma pessoa tinha pernas peludas e que a outra tinha pernas brancas e lisas.
Talvez demorassem a notar
que uma das pessoas tinha barba, a outra não.
O que não percebiam
é que aqueles dois,
naquele banco de praça,
faziam um grande esforço para apagar suas diferenças
e se tornar um só.

sábado, 6 de setembro de 2008

Projeto Canto da Horta

Junior nos apresentou o projeto Canto da Horta, que consiste no plantio de hortaliças e leguminosas de maneira barata e alternativa, usando como adubo o composto gerado aqui mesmo. Os meninos de casa (exceto o Junior) não têm quase nenhuma relação com plantas ou culinária natureba, mas não se opuseram à implementação do projeto.

Foto: Ruy
Régis é amigo do Junior e também o cara que sabe o que precisa ser feito. Ele com mais três vieram aqui já algumas vezes pra começar a composteira, avaliar o crescimento das leguminosas que o Junior plantou e adubou com o composto, medir paredes, sombra, intensidade de calor e luminosidade e pensar em meios de construir uma horta suspensa.

Usamos bambu e garrafas pet que tínhamos juntado (parte da alimentação não-natureba dos meninos inclui litros e litros de refrigerantes). Não foi fácil decidir o modo como prenderíamos as garrafas cortadas (os potes, né) no bambu, mas chegamos a uma boa solução depois de testar algumas alternativas.

Foto:Ruy
Esta parte do processo eu já não acompanhei mais. Mas deve ter sido empolgante.

Foto: Ruy

Foto: Ruy

Em tempo: lista de links que podem interessar.

Composteira

Projeto HortOca
Projeto Canto da Horta
Horta em garrafas pet
Horta no cano de PVC
Plantio
Finalizando

Self made jardineira
Telhado pra composteira

Dois anos depois

Lixo

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Operação caixa d´água

Dia de lavar a caixa d´água. Ela não tem tampa, então imagine a cor da água que nos serve pra lavar a louça, tomar banho, escovar os dentes... Júnior tomou as rédeas da Oca, distribuindo funções e foi o primeiro a subir pra debaixo do telhado. Gustavo estava acordado de manhã e super ajudou a esfregar a caixa. Kênia era a nossa ponte com o mundo de baixo. Ela pesquisava na Internet que produtos podem ser usados na limpeza da caixa, trazia o que fosse necessário e abria as torneiras dos lugares que adivinhávamos alimentar determinado buraco da caixa. Sales carregava os baldes de água suja pra baixo e Caldo fazia torcida.
Muito bom trabalhar para o bem comum em conjunto.