terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bicicletada no Dia Mundial Sem Carro

Demorei 4 horas, nada mais, nada menos, pra chegar na Paulista. O trânsito entre a minha casa e a rodoviária de Campinas não estava horrível e cheguei lá em meia hora, como o previsto. O ônibus que me levaria à capital paulista chegou atrasado, correu por uma hora e vinte na Bandeirantes, como previsto, e empacou antes de chegar na Marginal. Como previsto. Hora do Rush.
Peguei uma bicicleta no bicicletário da Porto Seguro (eu não tinha combinado nada com o Ariel desta vez) e me juntei à massa de ciclistas esperando na Praça do Ciclista.
A idéia era sair às 20:00, e até lá algumas pessoas resolveram desdobrar sua criatividade e fazer algumas ações ecológicas. Plantaram crisântemos no meio da praça.
Algumas pessoas fizeram faixas, outras trouxeram faixas de casa. Alguns distribuíam panfletos, outros distribuíam adesivos e a Soninha, candidata a prefeita de SP, distribuía sorrisos.
Ouvi alguém de uniforme dizendo um número de ciclistas a um sujeito com uma câmera na mão: 300. Não sei avaliar quantos ciclistas estavam lá, mas acho que o número parece razoável.
A galera começou a se movimentar, dando voltas em volta da praça, depois rumando até o fim da Paulista. Dessa vez não havia faixas pedindo licença/ paciência aos motoristas, dessa vez era óbvio que a massa crítica tinha que passar e não podia ser interrompida por faróis vermelhos. Alguns pedestres passaram apuro pra atravessar a avenida, mas não tenho certeza se os ciclistas se deram conta disso.

O clima era de protesto e ouvi muita gente agredindo os carros verbalmente: sai daí, motorizado! Ah, seu poluidor, deixe seu carro em casa!! Nós vamos tomar as ruas!!! As pessoas nas janelas, nos pontos de ônibus, na calçada e dentro de motorizados ouviam o barulho de buzinas de bicicleta, carro, caminhão, os gritos coordenados e outros soltos dos ciclistas e paravam pra olhar. Quase surdos, os ciclistas tentavam equilibrar-se em seus guidãos e manter o ritmo lento de uma massa de ciclistas. Os ciclistas precisavam ser lembrados o tempo todo de deixar a faixa da direita livre pros carros. Veja bem: uma faixa das 4 ou 5 ficou pros motorizados.

Maior celebridade que a Soninha foi o Thiago que mantém o blog chamado Apocalipse Motorizado. Quando o Thiago passou por nós, Ariel avisou: esse é o Thiago. Ecoando a fala dele, ouvi ao meu redor: esse é o Thiago.

É, a bicicletada está famosa, mas eu ainda quero pegar uma em que haja menos de 50 pessoas. Uma em que os ciclistas pedalem para algum lugar (além do fim da Paulista), dêem sinal ao mudar de faixa ou direção, parem no farol, não pedalem pela contramão ou pela calçada e não façam tanto barulho.

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