quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Despedida de Carlos & Marina


Carlos e Marina embarcam pra Portugal daqui a dois dias. As malas já estão quase prontas, a documentação pra levar as gatas (Frida e Pitanga) foi uma burocracia que só, o carro foi vendido, o apartamento alugado, mas a casa em Porto ainda é uma incógnita.

Pra quê essa correria toda? Marina conseguiu uma bolsa de mestrado na Europa: metade do tempo em Portugal, outra metade na Espanha. Se fossem casados, a bolsa seria maior. Casaram. Daqui a dois dias atravessam o grande oceano.

Meus amigos ciclistas vão embora aos poucos. Agora sou a única integrante do Campinas Cicloviável em Barão Geraldo: Tarcízio está nos EUA, Natalie no Amazonas, Lucas em Brasília, Rafael em Presidente Prudente, Mateus em São Carlos e acabou a relação de pessoas que recebem mensagens do Cicloviável pela lista. Aprendi muita coisa sobre bicicleta nesse grupo, a começar pelo fato de que quase nada é ponto pacífico. Capacete, ciclovia, passeio ciclístico, bicicletada, calçada, contramão, sinalização, diálogo com o poder público, tudo isso desencadeia discussões polêmicas entre as pessoas ligadas ao grupo.

Carlos está levemente preocupado com essa coisa de bicicleta. Pelo que já sondou, percebeu que a mentalidade dos portugueses em relação a transporte é bem parecida com a dos brasileiros: carrocracia. É Europa, mas é preciso lembrar que Portugal é a periferia da Europa.

Eu continuo aqui, meio sem saber o que é certo e o que é errado, me esforçando pra ser um exemplo de integração da bicicleta no trânsito urbano. Talvez outras mulheres que me vêm pedalando por aí de dia e de noite tomem coragem e voltem a usar a bicicleta que abandonaram na garagem. Talvez outros jovens façam cicloviagens depois de ouvirem as estórias das minhas. Quem sabe mais pessoas um dia vão perceber que a estrutura viária de grandes cidades como São Paulo e Campinas não comporta mais carros. Espero que as pessoas tomem consciência da poluição que os veículos motorizados jogam no ar, do barulho que causam, do espaço que ocupam, e procurem maneiras alternativas de se locomover.

2 comentários:

Natalie Rios disse...

Lou, talvez o campinas cicloviavel tenha diminuído, mas o cicloviável ainda existe!
Estamos juntos trabalhando, estudando, fotografando, participando de bicimovimento em diversoso lugares!
Marina e Carlos, boa viagem!
Por sinal, a Marina está indo fazer mestrado em que?

iglou disse...

Boa pergunta.