sábado, 7 de maio de 2011

Sintomas da escola na universidade

Cena: estou no ônibus e cumprimento uma ex-aluna. Depois de um tempo, ela me pergunta se eu vou descer no (supermercado) Gonçalves. Respondo que não e ela sorri. Abre a mochila, tira um monte de papel e me mostra. Pede pra que eu dê uma olhada no artigo que ela escreveu. Dei uma folheada e perguntei se era pra ler tudo antes de chegar o meu ponto.
Sintoma: essa menina não tem noção do que significa ler um artigo, avaliar um texto ou dar um parecer sério sobre um texto.
Diagnóstico: a visão que essa moça tem do professor universitário está levemente distorcida.

* * *

Cena: Estou dando um curso com base em textos escolhidos a dedo, que devem ser apresentados sob a forma de seminários. Para garantir que todos leiam o texto, dou pontos extra para perguntas - boas! - que nos ajudem a refletir sobre o texto. O último texto foi sobre a diferença entre a fala e a escrita e a pergunta que mais me intrigou foi: "É possível uma pessoa falar bem e escrever bem?"
Sintoma: nenhuma das duas possibilidades parece ser a realidade vivenciada pela aluna. Ela está convencida de que fala mal português e nós concordamos que ela não domina as regras de ortografia.
Diagnóstico: o vestibular da Unir é uma farsa.

* * *

Cena: um aluno quer saber se o problema dele, de escrever 't' no lugar de 'd' e vice-versa tem algum nome científico. Faço umas perguntas e ele me conta que foi escolarizado aos 14 anos de idade, porque antes disso tinha tido um bloqueio.
Sintoma: esse sujeito deve estar inserido no mundo das letras (que fazem sentido) há 4 ou 6 anos. Não me pergunte como ele passou no vestibular.
Diagnóstico: em Rondônia, a universidade parece ter a função de remendar os buracos da escola.

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo. O vestibular da UNIR é uma farsa...

Anônimo disse...

A educação no Brasil é uma farsa!