sábado, 14 de maio de 2011

Naná Vasconcelos


Fui no primeiro show que Naná Vasconcelos deu em Rondônia.  Não foi simples entrar, mas insistir em entrar era a única coisa certa a fazer. O evento era promovido pelo SESC, mas sediado no Teatro Banzeiros. Era preciso trocar dois litros de leite por um ingresso no SESC e ir com esse ingresso ao Banzeiros. 

Cogitei a possibilidade de levar leite de soja, mas logo imaginei a cara das crianças carentes beneficiadas com a arrecadação de leite do SESC estranhando a cor do leite de soja. Comprei dois litros de um leite que eu não bebo, pus na mochila e pedalei até o SESC. O guarda na recepção de lá disse que os ingressos já tinham acabado fazia tempo. Pedalei até o Banzeiros e me juntei à aglomeração de pessoas portando sacolas com duas caixas de leite dentro. Uma moça me deu uma senha (n. 44) que chamariam assim que aqueles que tinham ingresso tivessem se acomodado. A hora do início do show foi se aproximando e os números das senhas só iam aumentando. Um sujeito da imprensa, que tinha entrada livre e um ingresso sobressalente na mão, parou do meu lado, esticou a mão com o ingresso para o alto e perguntou se alguém queria um ingresso. Meu!

Todo mundo lá fora entrou, porque haviam distribuído menos ingressos no SESC do que a lotação do Banzeiros. Daí Naná Vasconcelos apareceu no palco.

Ele toca berimbau como quem brinca com todas as suas possibilidades sonoras;
Ele orquestra o público através dos movimentos do seu corpo;
Ele só larga um instrumento quando tiver outro à mão;
Ele conta o tempo na ponta dos dedos;
Ele é feio feito uma arara espantada;
Ele ri como um preto velho;
Ele fala como quem está em casa.

A parte do show que mais me impressionou foi quando ele não estava na nossa frente, no palco.  Ele tinha coordenado a ala esquerda a cantar uma frase, a direita a cantar outra. Ele tinha feito a ala esquerda bater palma num tempo e a direita no contra-tempo. Ele coordenou a nossa atividade musical e se retirou do palco. O impressionante é que o público continuou cantando e batendo palma por um bom tempo.

Nenhum comentário: