sexta-feira, 27 de maio de 2011

O sinal que eu tava esperando

Pelas minhas anotações, liguei na Oi 14 vezes, em busca do sagrado sinal de internet. Pelas minhas contas, foram incontáveis minutos gastos no telefone. Desde o dia 11 de abril eu estava sem internet. Fui na lan house do bairro uma vez (lá dentro era mais quente que fora e acabou a energia depois de 20 minutos) e fiz da Unir e casa da Cynthia a minha lan house. A Unir não era muito confiável, porque parece que a universidade tem um esquema secreto de rodízio do que falta: ou é luz, ou água, ou banheiro, ou professor, ou internet, ou outras coisas mais abstratas.

Completei um mês sem internet com trauma de telefone: ou era eu que ligava na Oi e me diziam que eu tinha que esperar, ou eram vendedores de provedor da Oi me ligando e me dizendo que o sinal já tinha sido liberado e que eu precisava contratar o provedor da Oi (mentira). Ligavam nos meus dois telefones e no fixo (nesse, ligavam de manhãzinha, me arrancando da cama, e de noitinha, interrompendo minhas sessões de cinema em casa). Além dos vendedores de provedor Oi que não largavam o osso, vendedores de internet 3G da Claro me ligavam - com a mesma frequência, mas só no fixo e num celular.

Fiquei com trauma de telefone. Quando eu estava entrando na quinta semana sem internet, um sujeito da Oi com sotaque gaúcho me ligou. Desconfiada, perguntei se ele era o técnico que botaria o sinal na minha linha de telefone. Ele respondeu que não era nem o técnico que vem na minha casa, nem vendedor de provedor da Oi, nem da Claro. Ele era da central e liberaria o sinal. "O sinal tem prazo de cinco dias úteis pra chegar na sua residência, mas como é Rondônia, pode ser que chegue em dois dias." Nem tentei entender esse "como é Rondônia", porque, justamente por ser Rondônia, fiquei mais de um mês esperando para ter internet.

Passados os cinco dias úteis, o sinal ainda não tinha chegado. Liguei na Oi e fizeram uma "qualificação" de linha - seja lá o que isso for. Mandaram eu trocar os cabos, esperar, enfiar os plugs em todos os buracos disponíveis, desligar e ligar o modem, esperar. A qualificação foi um sucesso, mas o sinal continuava não chegando no meu modem. Prometeram mandar um técnico que nunca veio, nem ligou num dos meus três telefones.

Enquanto isso, a minha conta de telefone não chegava. Chamei atenção da Oi pro fato. Consultaram o sistema e me informaram que eu tinha mudado de endereço (pois é) e que o endereço para correspondência continuava sendo a Vila da Eletronorte (vai entender). Contive todos os palavrões adequados e pedi que a atendente atualizasse o endereço de correspondência. Perguntei qual era o valor da conta e a resposta foi equivalente a um mês de internet - que eu não tive. Pedi pra ela descontar 4 dias de internet e - milagrosamente - o valor de cento e tanto passou a R$ 68,00. Pedi logo que ela me fornecesse o código de barras, pra que eu pudesse pagar a conta atrasada (que gerará uma multa sobre a qual não tenho responsabilidade alguma na fatura seguinte). Quando fui pagar, faltava um dígito.

Um mês, duas semanas e dois dias depois de ter mudado de casa (prazo em que fiquei sem internet), liguei de novo na Oi pra pedir o maldito código de barras e exigir a visita de um técnico que desenrosque esse sinal de internet que não chegava no meu modem. Quando o telefone tocou mais tarde, a luzinha de DSL estava firme e verde.

Deu pra entender agora por que mudar de casa em Porto Velho dá muito mais trabalho que a mudança (caminhão, móveis) e a instalação (gatos no forro, torneiras, imobiliária)?

2 comentários:

odir disse...

é possível entender apenas via kafka...

iglou disse...

Acredita que eu tenho O Processo na estante, mas não li por medo? Medo de entrar em crise, reconhecendo todas as situações absurdas de burocracia enlouquecedora.