domingo, 17 de outubro de 2010

Eles tocam

Antes de morar em Porto Velho, eu não tinha celular. Nunca quis ter um celular. Tive que comprar um telefone móvel para poder ter um fixo. Daí as contas do fixo vieram muito mais caras que o normal e eu percebi que a raiz do problema eram as ligações pro celular de uma certa amiga. Comprei um segundo celular, dessa vez da mesma operadora que o celular dela, e a conta do fixo voltou ao normal.

O problema de ter um celular é que ele toca. Eu sofri muito quando eu compartilhava o laboratório de informática com os graduandos holandeses em Nijmegen, porque os celulares deles viviam tocando. Um cara (que se parecia com um Thundercat) não me desconcentrava por causa de sua estética, mas porque as meninas que o achavam popular viviam ligando pro celular dele.

Agora ligam pra mim, e o pior: sem a intenção de falar comigo. Explico: numa madrugada, tocou o meu celular. Acordei, peguei o aparelho, abri os olhos e identifiquei o nome do Robson. Eu sabia que o Robson estava num bar. Atendi. Barulho de bar. Esperei. Identifiquei as vozes das pessoas que estavam com ele, mas não senti que qualquer uma dessas vozes fosse dirigida à minha pessoa. Desliguei com raiva. Tempos depois, numa conversa com um dos donos de voz identificada pelo telefone naquela madrugada insone, descobri que Robson não tinha feito, em momento algum daquela madrugada, o gesto de pegar o celular e ligar pra alguém. A ligação pra mim foi feita pelo acaso e todos os objetos no bolso dele que pressionaram os botões.

Tempos depois, recebi uma ligação do Wilmo. Atendi, mas a ligação tava ruim. Desliguei e retornei a ligação. Conversamos sobre a vida, os projetos, o tempo curto etc. e quando eu disse "sim, mas então, diga!" ele foi tomado pelo susto: "eu te liguei?" Mais um exemplo de ligação feita pelo acaso, pressão indevida e essas coisas que nem Freud explica.

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