sábado, 30 de outubro de 2010

Leonera


Leonera não é o nome de nenhum personagem, mas o nome espanhol para a 'toca dos leões'. Apesar do filme focar a personagem Julia Zárate (Martina Gusman), é sua condição de leoa (mãe que defende a prole com todas as forças) que é explorada no filme do argentino Pablo Trapero.

A verdade dos fatos que levaram à prisão de Julia não é muito clara: o crime passional aconteceu, mas cada um dos sobreviventes conta uma versão diferente. Julia é instruída pelo advogado a dizer que o homem que morreu era seu namorado e o sobrevivente (Rodrigo Santoro) era amante do namorado. No entanto, o sobrevivente se porta como amante dela. No dia do julgamento, ambos confessam que não se lembram mais do que havia acontecido.

Casati & Varzi, em Simplicidades insolúveis, contam um conto (Amnésia parcial) em que um detento não se lembra nem do que é acusado, nem de quanto tempo já está preso. No conto, a questão em debate é punir alguém que não tem consciência da própria culpa. No filme, o culpado do crime não importa, porque Julia não disputa a sua inocência. O que importa é como os personagens lidam com as situações em que são lançados.

Quando Julia é presa, está grávida. Acompanhamos a gestação de Tomás, seu nascimento e como Julia aprende a ser mãe com as detentas da ala especial que mais parece uma creche. O cárcere, a maternidade, a companhia de Marta e a tentativa da mãe de Julia de tirar o menino da prisão transformam Julia Zárate. De estudante, ela passa a assassina; de namorada, ela passa a mãe; de hetero, ela passa a homo; de mãe, ela passa a leoa.

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