quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Outros parâmetros

Dei um texto pros alunos e pedi que o lessem. Depois pedi que fizessem um resumo. Intuindo que a ideia de resumo não estava muito óbvia, exemplifiquei: se você quisesse contar pra sua mãe o que está escrito nesse texto, o que você diria? Então agora escreva isso. "Ah, professora, não vai dar, não: minha mãe só tem até a quarta série."

Minha mãe tem ensino superior.


Dei aula lá na Licenciatura Indígena que não tem nenhum índio, mas uns vinte professores de primeira a quarta série. Esses professores vieram de lugares como Machadinho do Oeste e Nova Mamoré. Como as aulas de um semestre todo (é uma graduação que eles estão fazendo, hein!) são condensadas em dois dias e meio (acho que nunca falei tanto na minha vida!), não deu pra fazer prova. Combinei de mandar a prova por e-mail no dia tal e receber a prova feita por e-mail três dias depois (quer mais mamata?). Escolheram o dia a dedo, explicando que a casa de alguns deles ficava a 40 km do poste de luz, da internet e do mercado mais próximos.

Eu tenho internet banda larga e ocasionalmente pego o sinal wifi do vizinho.


Recebi uma carta. A letra do moço era novidade, o peso do envelope grande foi motivo de curiosidade. Recebi uma carta dele. Na segunda linha, a tinta acabou; no segundo parágrafo, tive dificuldades para entender se eu estava seguindo a ordem certa da carta; no terceiro parágrafo, descobri que a carta foi escrita no próprio correio; na segunda página, os rabiscos me mostraram que direções tomou o planejamento da escrita. Quando terminei de ler a carta, percebi que ele respondeu as minhas perguntas, feitas na minha carta. Mas quais eram mesmo as perguntas?

A carta que eu escrevi pra ele foi ensaiada em papéis e com canetas diferentes.

Um comentário:

Ma disse...

Schön, dich mal wieder zu sehen!
Liebe Grüße von deiner Ma