terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Fonte




Não entendo por que, mas o Blogger tá demorando um dia pra baixar as fotos, por isso essas vêm levemente atrasadas. Fonte na Pinacoteca do Estado por mais de um ângulo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Pinacoteca

Domingo. Livinha, Luciana, Kenia e a minha pessoa fomos de carro pra São Paulo, nos perdemos um poquinho e encontramos a Pinacoteca do Estado, onde estão expostas pinturas e estudos da Tarsila do Amaral feitos a partir de suas várias viagens.
Não podia tirar foto das coisas da Tarsila, mas das obras expostas em lugares abertos, podia. Me esbaldei com os Rodins:


Maracujá

Olha só que maracujá mais diferente que eu achei na borda da Fazenda, a caminho da casa do Telmo.





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cada tipo que aparece

Bateram palmas. Fui até o portão, ver quem era e o que queria àquela hora da noite.
Boa noite, senhora, desculpe o incômodo, é que eu tô aqui pra pedir uma doação de livros.
Desculpa, moço, acho que não entendi direito. Cê quer li-vros?
Sim, faço parte de uma entidade carente e tamo aí com um projeto de montar uma biblioteca pras crianças, então, não sendo didático, aceito qualquer livro.
Fui na minha estante e escolhi uns dez livros.

Bateram palmas. Fui até o portão semi-cerrando os olhos por causa da claridade intensa. Era uma moça gorda e maquiada, bem-vestida e penteada.
Boa tarde, senhora. A senhora mora aí? Então, desculpa incomodar, mas é que eu tô desempregada.
De fundo, o som da faxina da Dona Dazinha no quintal. Pensei que a moça queria se oferecer como faxineira ou perguntar se eu sabia de alguém que precisasse de faxineira.
Será que a senhora poderia doar algum alimento? A pergunta me desestabilizou de tal forma, que eu disse que não.

Quase não ouvi as palmas. Fui até o portão achando que era a tiazinha que vende doce, mas não era. Era uma senhorinha bem velhinha e cansada.
Ô, fia, eu normalmente, eu não não faço isso não, sabe, mas eu tô pcisada de tomá um remédio que não dão no postinho de saúde aí, então se ocê pudé contribuí com dois reais, já me ajuda a comprá o remédio.
Mostrou um panfleto de propaganda com o preço destacado em letras garrafais. R$ 10,99. Esse dado me confundiu. Peraí, a senhora tá me oferecendo esse produto aí?
Não, fia, esse é o remédio de intestino que eu pciso tomá e num consigo comprá.
Ah, não tenho dinheiro, não.
Então será que ocê podia me arrumá um copo de leite, se tivé um pão, também? Eu tô com fome.
Dei as costas e voltei com um copo de leite.
Ai, mas tá gelado?
Tá, uai, saiu da geladeira, o leite.
Eu não posso tomá gelado, será que ocê podia dá uma esquentadinha, e botá uma colhé de açúcar? Se não for abusar de sua caridade.
Com os olhos arregalados, voltei pra cozinha com o copo e lhe ofereci um copo de leite morno e açucarado.
Deus lhe abençoe, bem.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Revisor de inglês

Os revisores que eu tinha consultado eram o semi-nativo que faria o serviço em 10 dias por 290 reais e o nativo que faria o serviço em 3 semanas por 800 reais.

Pablares lembrou que temos um lingüista nativo de inglês no IEL. Ele atende por Will, mas eu não sabia como achar o e-mail dele. Lembrei que ele é de Línguas indígenas e procurei por algum Will na lista de alunos do grupo de estudos do orientador dele. Achei. William Pickering. Faltava o endereço eletrônico. Botei o nome no Google e descobri que há 240.000 entradas deste nome na Internet. William Pickering já foi nome de astronauta, editor, astrônomo, artista e até mesmo lingüista.

Pablares me salvou novamente, mandando o e-mail do Will. Will topou fazer o trabalho em dois dias por 50 reais. Me senti mal e ofereci 200, que ainda era mais barato que qualquer oferta recebida antes. Will fez um bom trabalho, disse que o inglês tava bom, só algumas preposições trocadas (ai, ai, ai!), e que como ele só gastou duas horas pra ler e corrigir o artigo, e se sentou comigo pra discutir possibilidades e alternativas, não cobraria só 50, mas 75. Eu não tinha o dinheiro trocado, por isso ele teve que aceitar 100 reais como pagamento.

Me sinto como se eu tivesse ganhado na loteria.

Danke

Super mãe a postos para responder dúvidas cabeludas. Tá vendo, existem coisas que os humanos fazem melhor que máquinas: reconhecer imagens.

Pitaia é o nome da fruta. Quem quiser mais informações sobre essa fruta de cactus, também apelidada de fruta-dragão (acuda, São Jorge!), que vá à Wikipédia com essa palavra-chave: Pitahaya oder Drachenfrucht auf Deutsch, pitaya or dragon fruit in English, ou ainda pitaia ou fruta-dragão em Português.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Wikipédia por imagens

Voltei da fruteira e deixei essa fruta em cima da mesa. Junior olhou pra ela como se fosse um monstrinho, deu uma cutucada nela e perguntou se era alcachofra. Dei risada, mas não lembrava mais do nome da fruta que tinha comprado minutos antes. Abri a fruta e a dividi com o Sales, que disse que se tratava da fruta exótica que ele tinha visto no Fantástico no dia anterior. Mas também não lembrava o nome dela. Concordamos que ela é mais bonita que gostosa, e que não sabemos o nome dessa fruta.
Puxa, se existisse Wikipédia por imagens, eu poderia resolver alguns dos meus problemas de anomia (sei o que é, mas não consigo acessar a gaveta da memória em que está guardado o nome). Imagina que legal seria poder mostrar uma imagem pra enciclopédia e ela te responder como chama a coisa, pra que serve, de onde vem e outras informações relevantes. Seria muito massa. Será que quem trabalha com Inteligência Artificial se interessa por reconhecimento de imagens?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

IEL só meu

Passei o dia no laboratório de informática do IEL, trabalhando. E o melhor: sozinha. Os computadores não estavam em rede, portanto não era possível fazer login, o que significa que não dava pra usá-los. As pessoas que vieram até insistiram em entrar em mais de um computador, mas logo desistiram e foram embora. Eu tava com o meu laptop, mas sem Internet, porque isso não tinha no IEL todo.

Agora que instalaram o sistema smartcard no IEL, posso entrar com o meu RA. O problema é que preciso lembrar de levar o RA quando for ao banheiro, por exemplo, senão não entro na sala de micros. Outro medo é que a força caia com essas trovoadas de verão, e que eu fique presa no IEL por falta de energia elétrica. Já fiquei presa no IEL uma vez e tive que ser resgatada com escada e tudo. Isso deve constar em algum relatório da Unicamp. Imagina uma reincidência desse tipo...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Maneiras de aprender

Faz dois meses que comecei a fazer natação. O intuito era, num primeiro momento, terapêutico. Dentro da água o meu tendão de Aquiles direito teria uma oportunidade menos dolorosa de se recuperar. Quando percebi que o pé direito inteiro desinchava depois de uma hora na piscina, passei a desenvolver a ambição de aprender a nadar.

Eu tinha fortes suspeitas de que nadar não é uma atividade humana intuitiva. Renato confirmou as minhas suspeitas. Se jogarmos um humano que nunca nadou na água, ele não vai desenvolver o crau, nado costas, peito, ou borboleta. Não vai. Isso significa que eu, enquanto Pequena Lou, não aprenderei a nadar nenhum destes estilos sozinha.

A minha instrutora de natação tem três principais estratégias de me explicar como devo me comportar na água: ela faz uma demonstração do movimento, ela manda eu nadar, apostando que eu saiba nadar, ela dá exercícios educativos que focam naquilo que estou fazendo errado.

Mesmo assim, estou sozinha nessa minha aventura que é aprender a nadar. O estilo que eu mais nado é o crau, e confesso que ele ainda é um mistério pra mim. Olhando como as outras nadam, aprendi a ter calma. Como ainda não saquei qual é o segredo da técnica, não sei pra onde direcionar a força, portanto é melhor ir devagar mesmo. Contando braçadas, pernadas e momentos para respirar, aprendi a não desmaiar por falta de fôlego. Porque a contagem dos movimentos garante um ritmo constante, que cansa menos. Tudo isso é novidade pra mim, porque não é necessário (às vezes não é possível) manter um ritmo quando se caminha ou pedala. Aí é o terreno que dita o ritmo, não a contagem de movimentos regulares.

Apesar de qualquer processo de aprendizagem envolver frustrações (aprender com os próprios erros ainda é uma das maneiras mais eficazes de se aprender), estou gostando de aprender a nadar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

No country for old men

Em português, o título ficou: Onde os fracos não têm vez. Não acho que seja um bom título, porque o filme não é sobre fraqueza ou força, se dar bem ou não. Quem fica com os dois milhões de dólares no fim das contas, não importa. O que importa são as motivações que levam os personagens a agir. O que importa é a forma como eles entendem o mundo e a violência que uns infligem aos outros. O que interfere nos planos previamente traçados é o acaso, presente na moeda que o assassino joga para o alto, no carro que colide com o carro do Chigurh (soa como 'sugar') e a má sorte de Llewelyn de ter sido visto pelos mexicanos no local da matança.
O filme é pesado, quase não tem trilha sonora, e é desigual. Enquanto o fugitivo e o psicopata correm, o xerife tenta entender o funcionamento das coisas. O fugitivo, o matador e o xerife quase não aparecem juntos em cena, o que agrava a sensação de ritmos diferentes. As cenas com Llewelyn, Carla Jean e Anton Chigurh são tensas, ao passo que as cenas com Ed Tom são tranqüilas, porque ele filosofa meio sozinho. A sua incompreensão do estado atual é até compartilhada por outros, mas não é compreendida, porque ele não consegue verbalizar claramente o que o perturba.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Estórias gerais

O moço, que é ilustrado das idéia, esteje avisado: num acredito em lobisome, mula-sem-cabeça, caboclo d'água ou ôtros fantasma.
A jornada que leva mais longe é a que nos guia mais pra dentro da gente. No ponto de chegada, o viajante já não reconhece aquele que era no porto de partida. Qual o resultado da viagem? Qual a verdade revelada? Que, na verdade, a verdade não é nada!
Civilizada miopia que nos faz ver atraso e ignorância onde há, na verdade, a diferença, a originalidade apaixonante do que não é aquilo que somos nós.
Estórias gerais se passa no norte de Minas, no sertão onde o jagunço bota ordem nas coisas que se movem. A prosa está muito bem retratada, além de ser poética à la Guimarães Rosa. Me lembra um pouco de Narradores de Javé, tem estória dentro de história, mas segue basicamente os bandos de Antônio Mortalma e Manuel Grande. A arte gráfica e a prosa solta são os destaques desta obra brazuca no tôco. Escrita por Wellington Srbek (suponho que ele seja capaz de pronunciar seu sobrenome) e ilustrada por Flavio Colin, é uma obra em quadrinhos lançada em 2007 pela Conrad (que se especializou mais em lançar quadrinhos americanos, traduzidos pro português).

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tá tudo dominado

Ocupei a cozinha com a minha tese. Ainda bem que é carnaval e a galera tá viajando, senão eu não me espalharia por aqui. Gostei de trabalhar na cozinha: tenho luz suficiente, telefone e porta não estão muito distantes, tenho uma mesa grande pra espalhar um monte de papel, e como estou na cozinha, não esqueço de comer de vez em quando (o que me acontece no IEL).

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Frodo e eu

Carnaval, tempo de viajar. Todos se foram, e eu fiquei só com o Frodo em casa. Frodo nem é nosso peixe, é dos vizinhos que foram viajar e não queriam levar um aquário pra praia. Devo alimentar o peixe Beta com duas rações diárias de 3 bolinhas. Olhei no tubinho de ração e lá está escrito: "alimento esférico flutuante". Nossa senhora, que descrição mais precisa... e desnecessária!
Enfim, é a mesma coisa que tinha sido com o Sidarta, o peixe Beta do Junior. Quando perguntavam quantas pessoas moram na Oca, a gente respondia: seis pessoas e um peixe imortal. Pois é, depois de 3 anos ele morreu. Até que durou bastante para a vida levemente desregrada de uma república.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Pobre de mim

Depois de meio ano de doutorado-sanduíche na Holanda, escrevi um artigo com o meu orientador e o submetemos a uma revista inglesa. Dois meses depois, recebemos a notícia de que ele foi recusado. Pobre Pequena Lou, ela não sabe lidar com críticas dos outros.
Depois de passado o baque inicial, estabeleceu-se uma constante correspondência entre Pequena Lou e seu orientador, na tentativa de resubmeterem um artigo revisado e melhor.
O artigo foi novamente submetido e no dia seguinte os rumos das duas pessoas envolvidas se separaram. Uma voltou para a sua terra natal, o outro começou a fazer as malas para o lugar onde ele fez o seu primeiro estágio no estrangeiro.
Antes do Natal veio a notícia de que o artigo havia sido recusado mais uma vez. Dessa vez haveria um prazo para uma nova submissão. Pequena Lou pediu uma prorrogação deste prazo, para poder curtir as férias em seu estado natal. O prazo lhe foi concedido, e assim que ela voltou das férias, atirou-se ao conserto do famigerado artigo. Reescreveu tudo, mudou a contagem e análise dos dados, reorganizou as sessões e mexeu tanto no texto, até que finalmente teve a impressão de ter terminado o trabalho. Mandou o texto para o orientador, pedindo que ele revisasse erros de inglês, uma constante reclamação dos pareceristas. O orientador respondeu que não tem tempo de ler o artigo novo no prazo, e sugeriu que seu nome fosse retirado da lista de autores. Lá se foi meu revisor, pensou nossa heroína cansada.
Procurou por falantes nativos de inglês que topassem ler um texto sobre fala telegráfica e afasia. Perguntou ao seu amigo não-nativo, lingüista e tradutor, mas ele está dando a volta ao mundo, e quando voltar, vai precisar se adaptar às condições locais. Encontrou um semi-nativo, lingüista, namorado de amiga, que cobra mais que o aluguel da nossa protagonista. Resolveu procurar mais e encontrou um nativo, interessado em psico-coisas que cobra quatro vezes o aluguel da nossa pobre coitada. Ainda não atingimos o desenlace da estória, mas já sabemos que essa história vai sair caro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Momento lúdico

Não foi fácil jogar futebol, porque uma das jogadoras, a Baroneza, sempre parava o jogo, dominando a bola.Pus as inúmeras fotos e recortes dos vídeos que eu fiz na minha galeria de vídeos. Pena que a qualidade da imagem não é boa, mas o vídeo é divertido.

Pode segurar jogador? Não é falta, seu juíz? Ah, não tem juíz, é verdade.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Pelo caminho

Considerando que o fruto nada mais é que a proteção da semente, isso deve ser o que restou do fruto: a casca em volta da semente. A forma de estrela é bem recorrente na natureza...
Um.
Dois.

Fungo ou cogumelo. Em alemão os dois teriam o mesmo nome: Pilz.
Gramídeas.

Espinhos

Tronco de paineira.
Urtiga que me picou enquanto eu tirava essa foto.
Macaúba, uma palmeira com coquinhos.
Tudo bem, não são exatamente espinhos, mas o urucum é espinhoso.

Lianas



Caminhando na mata

Os visitantes deste sábado assistiram a um vídeo, ouviram uma palestra e responderam perguntas sobre a conservação do meio-ambiente. Depois, foram divididos em dois grupos e guiados por um trecho do aceiro e pela trilha leste. O aceiro é uma faixa de nada entre a mata e a vizinhança, com 9 km de comprimento. Não caminhams isso tudo, infelizmente.
Fizemos paradas em árvores com características peculiares, tipo os nós nesse tronco.
Reparamos que as lianas proliferam desenfreadamente.

A vizinhança

Tanto o condomínio de luxo como a favela que estão situados nas margens da mata jogam seu esgoto na mata. Sem dó ou consciência ecológica.
As crianças da favela ao lado participam de um programa oferecido pela fundação que visa a educação ambiental, mas os estagiários reclamam que são biólogos, não pedagogos.
A favela que margeia a mata. A monitora do meu grupo se referia a uma 'invasão', ao passo que ouvi o monitor do outro grupo mencionando uma 'ocupação'. Não se trata de sem-terras, já que uma reforma agrária no meio do mato não parece dar muitos frutos. Tampouco parece ser uma coisa provisória, já que as casas são de tijolo. Aconteceu que uma área foi tombada e reservada para o reflorestamento da mata atlântica, mas antes que a prefeitura de Campinas conseguisse se articular, as terras foram invadidas/ ocupadas por uma galera.
Os lixos da civilização. Além do despejo de entulho, poluição sonora (ouvimos funk em alto e bom som...), poluição das águas e do ar e a caça de animais silvestres, a mata sofre com um outro problema causado pela vizinhança: a presença de animais domésticos na mata. Gatos e cachorros passam a cerca e caçam na mata, perturbando a cadeia alimentar do ecosistema, além de transmitirem suas doenças aos animais autóctones.
A vizinhança ocasionalmente comete atos de vandalismo. Rasgaram as telas do borboletário. Será que foi divertido ver um montão de borboletas coloridas voando na mesma direção? Será que esse prazer vale o trabalho que os estagiários e biólogos de plantão tiveram pra coletar e criar as borboletas? O viveiro de borboletas reabrirá em março deste ano. Enquanto isso, fotos de algumas das 700 espécies catalogadas na mata podem ser vistas aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Mata Santa Genebra

Barão Geraldo era uma enorme fazenda chamada Santa Genebra. Lentamente a fazenda foi sendo urbanizada, a Unicamp foi chamando habitantes novos pra esses lados, e o progresso foi justificando o desmatamento. Mas sobrou a Mata Santa Genebra - que aliás também vem diminuindo com o tempo. É a segunda maior mata urbana no Brasil. Pra que seja preservada, é relativamente fechada a visitação. Abre no último sábado do mês, às 9:30 e as visitas são guiadas.
Há 48 espécies de mamíferos na mata, sendo que o animal mais visto é o macaco-prego. Ele não é só visto no território da mata, mas também nas casas da população que se estabeleceu em volta da mata. Pra eles, a cerca de arame farpado é pouca coisa pra conseguirem comidas doces que não achariam na mata.
Tem um viveiro de mudas, que serve meio que de garantia de diversidade genética.
E um borborletário que foi vandalizado semana passada. Abriram a tela e as borboletas escaparam.
Na mata há um desequilíbrio entre as lianas (cipós) e árvores, de modo que as lianas cobrem grande parte das árvores. Mas dão frutos em épocas em que nenhuma árvore floresce, alimentando assim os animais.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Names hold the keys

Os títulos das coisas devem dizer muito sobre as obras que encabeçam. Devem sintetizar a obra, conduzindo ou quebrando as expectativas do público. Um exemplo de título que conduz o público a interpretar a obra é Dogville, pois o filme toma a cidade de Dogville quase como personagem. Um exemplo de título que intriga o observador é dado no romance de Salman Rushdie, O chão que ela pisa. Um dos personagens é fotógrafo, e um dia ele vai a uma competição de pipas. O céu está um festival de cores e formas. O fotógrafo aponta a sua lente para o céu quando o chão começa a tremer. Um terremoto assusta as pessoas, que saem correndo desorganizadamente, largando suas linhas, abandonando suas pipas. Ele bate a foto das pipas e chama a fotografia de O terremoto. Viu? Títulos desse naipe precisam da história, precisam ser contextualizados, porque tomam um acontecimento secundário de um processo como título da obra.

Existe uma outra categoria de títulos: aqueles que enfeitam a obra, que atraem atenção, que são engraçadinhos. Vamos do mundo das artes para o universo acadêmico, mais precisamente, os títulos de teses que ganharam o prêmio Capes ano passado. Na categoria Música/ Artes, ganhou a tese com o seguinte título: Poéticas líquidas: A água na arte contemporânea. Uau, poéticas líquidas, que pegajoso! Na categoria Letras/ Lingüística, ganhou a tese intitulada: A porosidade poética de Riobaldo, o cerzidor: ritmo, transcendência e experiência estética em Grande sertão: Veredas. Porosidade poética, que dureza...
Não quero discutir que Música e Artes, assim como Letras e Lingüística formam uma categoria, ao passo que há cinco categorias diferentes para Engenharia e quatro para Medicina. Vamos sair das humanas e dar um passo em direção às exatas, entrando no campo da Astronomia/ Física. O título da tese premiada é: Raman spetroscopy of Nanographites. Pela preposição, percebemos que o título não está em português, mas inglês. Será que, pra ganhar o prêmio Capes, uma tese das humanas precisa ter um título todo metaforizado e um título das exatas precisa estar em inglês?

A última categoria de títulos é aquela que toma uma frase que foi proferida ao longo de todo o texto, mas que não é representativa para a obra como um todo. A culpa é do Fidel! é um desses títulos. O filme é muito bom, o título também, mas um não é referência para o outro. O filme é contado através da perspectiva de uma guriazinha francesa de 9 anos que tenta entender aspectos da época politicamente conturbada que vivencia. Num dado momento, conclui que a causa da desgraça da babá cubana foi causada por Fidel. O diálogo das duas é muito pano de fundo. Muito mais recorrentes são as tentativas da pequena Anna de compreender o significado da palavra solidariedade. Mas o título ficou A culpa é do Fidel! Bom, voltemos ao mundinho acadêmico. A minha dissertação de mestrado também carrega no título uma frase proferida pela minha sujeita Raquel. Tem o título técnico, depois esse frase, que é pra quebrar a tensão prepositiva: Preposições ligadas a verbos na fala de uma criança em processo de aquisição de linguagem - ou - Vamo de a pé no carro do vovô? Esse título me rendeu uma entrevista pro Jornal da Unicamp.

E tem mais: o título deste post é parte do refrão de uma música do Morphine, chamada Souvenir. Mas é do tipo 1, resumindo o conteúdo do texto.