quarta-feira, 7 de abril de 2010

Na biblioteca

Passei o dia na biblioteca, corrigindo redações recebidas por e-mail e ouvindo tangos e músicas africanas ganhadas do meu irmão.

Quando entrei na biblioteca, notei que as chaves pros armários na biblioteca estavam longe do balcão, e parecia ser mais prudente se posicionar na fila pra falar com a atendente do que fazer alongamento pra alcançar uma das chaves de armário. O sistema tava lento, por isso demorou a chegar a minha vez. Impaciente, atravessei o atendimento demorado do outro e pedi uma chave pra mulher que trocava de computador. Ela me pediu pra esperar um instantinho. Percebi que ter acesso à chave não era mais tão fácil como sempre tinha sido.

Chegou a minha vez e ela pediu que eu digitasse o meu número no teclado do computador. Expliquei que eu só queria uma chave pro armário, pra deixar a minha mochila. Ela apontou pro teclado e repetiu a solicitação. Eu disse que eu não lembrava o meu número, peguei o meu celular e conferi o meu siape (número que me identifica enquanto servidor público). O número estava incorreto. Ela quis saber o meu nome, eu avisei que ia soletrar. Ela fez cara de desgosto e pediu pra eu mesma digitar o meu nome. A feição da mulher ia se transformando à medida que o meu nome se completava na tela dela. Descobriu o meu número e quis anotar num papel. Depois do terceiro algarismo, percebi que se taratava do meu CPF e avisei que ela não precisava anotar o meu CPF, porque esse eu sabia de cor. Me deu uma chave.

Guardei a mochila e água (não se pode levar água pra dentro da biblioteca!) no armário, tranquei e subi com o computador. Quando quis ir ao banheiro, tive que sair da biblioteca, porque haviam colocado um armário e um cartaz bloqueando a passagem que dá acesso ao banheiro. Quando voltei, passei por um outro cartaz pendurado no vidro da sala do armário. Só lembro de ter absorvido algumas palavras desse cartaz: 'ATENÇÃO' e depois 'chave' e depois '2 horas' e 'penalizado'. Subi a rampa, voltei ao computador e trabalhei mais uma hora. Não foi um período sossegado, porque eu ficava tentando criar sentido a partir das palavras lidas no cartaz. Desci, tirei as minhas coisas do armário, esperei a mulher dar baixa na minha chave e levei as minhas coisas pro departamento. Acho que fui penalizada.

Quando passei de novo pelo cartaz, me dei conta de que tinham implantado um sistema de rodízio nos armários da Unir. A Unir só tem uma biblioteca pra toda a universidade. Ela não é muito boa, nem mesmo muito visitada, mas conta com 200 armários, o que de fato é muito pouco. Só fico pensando no estudante que não tem onde deixar a sua mochila e pretende passar o dia na biblioteca. Deixar a mochila na sala de aula não é uma opção, porque as salas de aula também funcionam em esquema de rodízio. Por exemplo, uma mesma sala abriga, de manhã uma turma de Pedagogia; de tarde outra turma de Letras e de noite uma turma de Administração. Não, a Unir não é como a USP ou a Unicamp, que dispõem de prédios diferentes para as faculdades ou institutos que formam a Universidade. A Unir tem o prédio dos departamentos, o bloco de salas de aula e uma biblioteca central que é muito menor que a biblioteca do IEL ou das Letras na USP.

Isso é Amazônia, vai se acostumando.

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