domingo, 18 de abril de 2010

Estive lá

Ensino à distância implica nas seguintes variáveis:
  • professor que atravessa o Estado pra dar a aula presencial,
  • apostila ferrada feita por outro professor,
  • tutoras que têm acesso à apostila ferrada e a tomam como Bíblia - e o ferradão como profeta,
  • pelo menos duas atividades,
  • pelo menos dois fóruns,
  • alunos vindos de várias cidades (e realidades cibernéticas), que se concentram no pólo pra aula presencial,
  • ambiente virtual em que devem rolar fóruns, chats e devem ser postadas as atividades.

Eu achava que eu ia enfiar o meu computador na mochila, viajar noite adentro pruma cidadezinha do interior, dar a minha aulinha de Semântica em powerpoint e voltar pra casa sem nunca mais ter que me preocupar com os alunos que eu vi nesse encontro presencial. Durante a aula, vi que o lance é outro. Devo me fazer presente no Moodle (ambiente virtual), corrigir as atividades e as provas.

Depois de ouvir essas notícias animadoras, aceitei carona de uma das tutoras até o centro. Entrei no carro, puxei o cinto de segurança e fui interrompida:
-Aqui a gente não usa cinto.
Lembrei do taxista que tinha ido me buscar no hotel com o filho de 4 anos no banco da frente. Perguntei se o menino ia no banco da frente mesmo, assim, sem cinto. Saiu uma risada boa debaixo daquele chapelão.

Quando fui fechar a conta na recepção do hotel, o cara que tinha me dado picolé de uva na noite anterior tava atrás do balcão.
- Já vai?
- Já.
- Achei que você fosse ficar mais um dia. Amanhã tem motocross, você vai perder!
- Vou perder.
- Gostei de você, você parece uma pessoa feliz.
- Puxa, legal.
- Esses dias aí eu vou ter que ir a Porto Velho. E eu não conheço ninguém lá. É chato, né, chegar assim numa cidade sem conhecer ninguém. Posso ligar pra você, quando eu for? O endereço que você colocou aqui na ficha do hotel, o motorista de taxi acha fácil?
- Eita! Vou receber visita?
- É, a gente toma uma cerveja.
- Eu não bebo.
- Então a gente toma sorvete.
- Chama um taxi pra mim?

Veio um moto taxi. Engoli seco e devagar. Avisei que nunca tinha andado de moto. Não acreditou. Tudo bem, um mototaxista anda de moto todo dia, o dia todo. Examinei a moto, perguntei onde era pra eu colocar o pé. Recebi instruções elementares, botei o capacete de astronauta na cabeça, dei minhas coisas pro homem, subi na moto, recebi minhas coisas de volta e me segurei com a mão livre no ferro atrás de mim. Ele cumpriu a promessa de ir devagar. Nunca me senti tão exposta e frágil no trânsito. Eu não tinha controle sobre nada.
- Jura que foi a primeira vez que você andou de moto?
- Sim.
- Como você se locomove na sua cidade? De ônibus?
- De bicicleta.
- Bi - ci - cle - ta? É, faz bem pro corpo, mantém a forma. Você que tá certa. Boa viagem!

O ar condicionado no ônibus estava no modo polar. Fui a primeira a sair do ônibus na rodoviária de Porto Velho. Toda a minha pele descongelou no trajeto entre o ônibus e o taxi. A pele formigava pra caramba nesse processo de regulação à temperatura bafo-ambiente daqui. Assim que fechei a porta do taxi, o motorista ligou o ar condicionado no máximo e o som no tecno-brega.

2 comentários:

Juliana Reis disse...

Lou
Eita cada experiência hahahaha
Vc nunca andou de moto????
Tudo tem a primeira vez!
Bj e boa sorte com a UAB.

phil disse...

Aiaiaiai...

Esse lance do cara do hotel é foda né? "O endereco na tua ficha o taxi encontra?"
Boa sorte!

Abracos!

PHIL mais a Julia.