sexta-feira, 9 de abril de 2010

Estudante profissional

Esta minha geração de estudantes universitários costuma levar esse rótulo. Somos acadêmicos que saíram da escola e foram pra universidade e lá fizeram graduação, mestrado e doutorado. Tudo sem escalas, pausas ou interrupções. Além dessa constante vida acadêmica, recebemos bolsa na pós-graduação, ou seja, fomos pagos pra estudar durante 6 anos (2 de mestrado e 4 de doutorado). Nesse sentido, a pós-graduação nos deu salário, foi uma profissão temporária.

A geração anterior à minha não se encaixa nesse esquema por um diferencial: não recebia bolsa pra estudar. Tinham que trabalhar como professores para estudarem nas horas vagas. Já que Capes, CNPq ou Fapesp não estavam pagando suas pesquisas, puderam fazer os seus mestrados em 5 anos e seus doutorados em 12.

Não estou dizendo que uma dissertação produzida depois de 5 anos ou uma tese maturada por 12 anos apresente melhor qualidade que dissertações escritas em 2 e teses escritas em 4 anos. Mesmo porque sei que os 5 ou 12 anos não foram de dedicação exclusiva à escritura do trabalho final. Numa pós-graduação com bolsa, não é permitido ao universitário ter vínculo empregatício, ou seja, ele recebe a bolsa e se compromete a dedicar todos os 2 ou 4 anos à sua pesquisa.

O cenário não mudou apenas para os pós-graduandos com bolsa. Pelo fato de existir a bolsa, foi instituído um tempo-limite para todos os mestrandos e doutorandos. De repente existe um prazo mínimo e outro máximo a ser cumprido por todos os mestrandos e doutorandos, tenham eles bolsa ou emprego. No mestrado em Letras da Unir o prazo mínimo é de 12 meses e máximo de 30 meses. Todos os candidatos aprovados assinaram um termo de compromisso em que declaravam fazer o possível para defender em 24 meses.

No mestrado em Letras da Unir foram aprovados 14 candidatos. A Capes ofereceu duas bolsas aos dois primeiros colocados. Eles rejeitaram porque têm vínculo empregatício e o salário é maior que a bolsa. A fila foi andando até acabarem os candidatos. Nenhum dos 14 aceitou a bolsa. Todos continuarão trabalhando. Nenhum deles pediu afastamento para se dedicar ao mestrado e cumprir os 2 anos.

Os candidatos que não residem em Porto Velho não mudaram para a capital, porque não sentiram a necessidade de fazê-lo. Estão matriculados em pelo menos duas disciplinas e viajarão durante este semestre. Não foram estimulados a se mudarem para a cidade que abriga a universidade, porque os cursos são oferecidos de maneira condensada. A cada duas semanas o mestrando tem aula de manhã e de tarde numa mesma disciplina.

Tenho muito pouca simpatia pelas aulas de 8 horas. E considero que oferecer aulas de 8 horas a cada duas semanas não ajuda em nada a formar a "cultura acadêmica" que a Unir quer ter.

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