sexta-feira, 16 de abril de 2010

Lá vou eu

A rodoviária de Porto Velho deve constar na lista dos lugares menos agradáveis de se estar na cidade à meia-noite. Não sei bem se o desagrado é agravado pelas lojas vazias, ou se pelos sem-teto que se espalham pelo chão. Um moço que tinha um ventilador e um cortador de grama na bagagem me perguntou se eu ia a Rolim de Moura. Eu tenho cara de quem vai a Rolim de Moura? Nem sei onde essa cidade fica! Mas é pra lá mesmo que eu vou.

O ônibus que encosta não é o meu. O meu é o das 0:00, esse aí é o das 0:05. Adivinha quem zarpou primeiro? O moço que senta do meu lado tem o braço enfaixado e geme feito criança. Não lhe dou a atenção que ele pede dessa maneira pouco articulada. As luzes se apagam e os primeiros começam a roncar. Presto atenção no asfalto sobre o qual rodam os pneus do ônibus. Imagino uma estrada de terra. As coisas caem do compartimento de bagagens em cima das nossas cabeças.

Somos acordados em Ouro Preto. Quase tenho um troço quando ouço esse nome no meio da madrugada. Então quer dizer que eu não estava tão longe assim do resto da civilização? Cai a ficha: Ouro Preto do Oeste. Faroeste.

Somos acordados em Presidente Médici. Que nome pra cidade. O relógio do ônibus marca 3:13 horas. Olho pra fora da janela e vejo o dia raiando em Médici. Alguma coisa não faz sentido, e prefiro acreditar que o relógio entrou em parafusos quando entramos em Médici.

Todos descem em Rolim de Moura. O taxi não tem taxímetro, o taxista dirige como se eu estivesse com pressa. Rodamos 2 minutos e atravessamos a cidade. As ruas são largas, o canteiro central tem gramado e árvores em processo de crescimento. Me lembra a Praça do Relógio da USP, quando plantaram as mudas de árvores. O sol quente sobre o mundo plano me lembra o Morro do Espelho, mas não há razão convincente pra isso.

Uma parede do meu quarto de hotel (Crystal Palace!) é cor de rosa, a outra é azul. Mas só percebo isso depois de acordar. Saio pra almoçar, caminhar e interagir com algumas pessoas. Sou muito bem atendida em todos os estabelecimentos. Há mais loiros aqui que em PVH, reparo que a estatura média também é mais alta. Em cada quadra tem pelo menos uma farmácia na Av. 25 de Agosto, os carros são de pickup pra caminhão e conto muitas agro-lojas antes de chegar na borda da cidade. Estamos no interior. Esqueci a máquina fotográfica. Esqueci.

Peço pro recepcionista pra usar o cabo de internet e me sento na sala de café da manhã pra ver os mais de 9 e-mails que o IEL da Unicamp me mandou, convidando pra eventos locais. O recepcionista me chama de professora e me dá um picolé de uva. Fazia tempo que eu não tomava picolé.

A aula de Semântica de 8 horas que vou dar amanhã está preparada, as atividades e prova também. Graças ao livro-texto do Renato (também pela EAD) e a minha convivência com ele. Porque se eu fosse me orientar pela apostila que os meus alunos têm, eu estaria falando falsidades e baboseiras. Tanto em Semântica como em Filosofia, a distinção entre Verdade, Falsidade, Mentira e Baboseira (BS - de 'excremento de boi' em inglês) é relevante.

3 comentários:

Mônica disse...

Levei um susto, tb, com o Ouro Preto. Pensei comigo: essa Lou, disse que ia dar palestra em Rondônia e vem para Minas?! kkk

Mas depois vc conta como foi ficar esses dias longe da Akari, tá? Porque, quem tem gato, geralmente não consegue ficar muito tempo longe deles. :)

bjs e boa aula!

Borta disse...

vi o tal RdM no maps. uma cidade quadradinha, parece que foi feita no SimCity (lembra?). diminuindo o zoom da pra ver: cercada de buracos na selva por todos os lados. devem ser as fazendas. pelo menos por aí elas sempre deixam uma percentagem de suas áreas com a mata nativa.

iglou disse...

Mônica,

sonhei com a Akari, mas não lembro se foi no ônibus, na cama do hotel ou no ônibus.

Ariel,

Rolim é quadradinha, sim. E apesar de nem todas as ruas serem asfaltadas (aqui em PVH também não são, mas a proporção é menor), não é suja e empoeirada feito Porto Velho.