sexta-feira, 30 de abril de 2010

Perguntas sem resposta

Conto, toda alegre, que comprei a minha carta de alforria. Minha liberdade é um código alfanumérico que me dá passagem a São Paulo. Ida e volta com datas separadas por um intervalo de 15 dias, graças a um congresso no fim de julho em São Carlos. Quando digo que comprei a passagem, me vem à memória que passei o Natal com o meu chefe, gerenciei um mega alagamento de casa no fim do ano e na noite seguinte ouvi os fogos de Ano Novo em Porto Velho. Quando pronuncio essas poucas palavras, lembro de cada dia de calor que eu passei aqui desde agosto. No instante em que anuncio a minha primeira saída de Rondônia, os meus olhos brilham, o coração palpita e as mãos não páram quietas.
Minha ouvinte pergunta: quanto cê pagou?

Chocada, explico que o preço da passagem não importa. O que importa é rever os amigos, conversar com eles, vê-los rindo, sentir frio, usar roupas de frio, trazer a minha Caloi 10, apresentar trabalho e mostrar que continuo pesquisadora, apesar de ser professora.

* * *

Costumo mandar bilhetes nas redações dos meus alunos. O povo de Letras teve como última tarefa escrever sobre o que é 'ciência'. Eu tinha levado umas 20 definições de 'ciência' feitas por físicos, biólogos, filósofos, matemáticos etc. Tínhamos comentado e discutido essas definições alheias. Eu tinha pedido que definissem 'ciência' com base numa dessas definições dadas por  cientistas. Dois ou três plagiaram citações, três ou quatro consultaram dicionários e a grande maioria tirou a definição de 'ciência' da cartola. Eu tive a nítida impressão de que tinham enfiado um amontoado de palavras no liquificador. Para demonstrar a vagueza dos textos deles, escrevi longos bilhetes que consistiam basicamente de perguntas. Essas perguntas eram provocativas. Eu não esperava que eles respondessem as perguntas, apenas queria que eles percebessem as lacunas dos textos deles.

E não é que um aluno me manda, por e-mail, as respostas (sem as perguntas ou o contexto) pras minhas perguntas? Respondi o e-mail contando uma estoriazinha que acho que vi no Guia do mochileiro das galáxias:

As pessoas chegam prum super computador e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? E o computador calcula. O pessoal volta e pergunta: óh, mega super computador, qual é a resposta? E o computador calcula loucamente. Os filhos desse pessoal vão lá e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? O computador calcula desenfreadamente. Os netos daqueles primeiros chegam na frente do computador e perguntam: óh, mega super computador, qual é a resposta? O computador finalmente responde, em voz triunfal: 42.
Perceba que as tuas respostas fazem tanto sentido pra mim como o 42 da estória.

Um comentário:

bill disse...

hausushshshhsssdjs,
pq as respostas pra todas as questões referentes ao mundo, a vida e tudo o mais é 42!

\o/