segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Todos juntos

Foto: Luis
No penúltimo dia no norte da Alemanha, reunimo-nos todos em volta da mesa. E a máquina fotográfica rodou de mão em mão.
Foto: eu

Foto: Karin Rosenbaum

Foto: Julia Szimansky

Foto: Philip Szimansky

Foto: Karin Rosenbaum

sábado, 17 de agosto de 2013

A outra casa

No último ano, os meus pais ocuparam seu tempo livre em reformas na casa de Bruchhausen-Vilsen. Modificaram (eles mesmos) tantas coisas na casa, que dariam bons mestres de obra. Finalmente pude ver o trabalho deles e Luis e eu nos hospedamos na casa por dois dias. A sensação de habitar uma casa em que se fez tanta coisa (este reboco fui eu que fiz, essa porta nós tiramos dali, aqui havia uma parede, esta escada ainda queremos colocar aí) deve ser bem outra...
A casa é muito bem localizada. Estamos no parque com bosque e piscina pública (paga-se entrada, não é de graça apesar de se chamar Freibad). Na foto de baixo, Luis está de olho nas maçãs amargas que estarão maduras daqui a um mês.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Helgoland com dois navios

Luis queria ver e sentir o Mar do Norte. Então os meus pais pensaram num trajeto, descobriram caminhos, nos deram direções e me deram um celular na mão.
Fomos de trem a Bremerhaven, uma cidade predominantemente portuária, e lá pegamos um ônibus que nos transportou por 1,2 km até o navio que nos levaria a Helgoland, a ilha mais afastada no Mar do Norte.
Na ilha, tínhamos 3 horas para ver tudo e voltar para o navio (todo dia tem 2: um que vai, outro que volta). Fizemos a trilha das cabras para evitar o contato com os turistas.
Como a ilha tem uma posição estratégica (em termos militares), foi bastante castigada. Essa cratera deve ter sido uma das cicatrizes de disputas armadas.
A Lange Ana é o ponto turístico mais divulgado de Helgoland (mesmo sem ter pisado na ilha, minha mãe imediatamente reconheceu a formação geológica da foto). Os molhes que construíram devem proteger a Ana Comprida.
A praia é assim: cheia de pedras, algas e sem ondas.
Voltamos para a fila do bote que nos levaria ao nosso navio. Havia duas filas paralelas com dois navios saindo no mesmo horário, mas isso a gente só percebeu tarde demais. Com a ajuda de marinheiros, entramos no bote, seguimos até o navio e entramos no navio. Quando aportamos, não reconhecemos Bremerhaven.
Um taxista nos informou que estávamos em Büsum, a mais ou menos 200 km de Bremerhaven. O funcionário do navio nos disse que tínhamos que pegar o trem a Heide, depois Hamburg, depois Bremen - e não botou fé que chegaríamos em casa no mesmo dia. Nesse meio tempo, duas senhorinhas cheias de malas entraram no taxi. O homem do navio pediu ao taxista pra nos levar à estação, as senhorinhas concordaram em nos dar carona. Torciam pros faróis ficarem verdes, falavam dos horários (e atrasos) do trem e não nos deixaram pagar a corrida. Ainda pegamos o trem que estava parado na estação (o seguinte seria dali a uma hora) e seguimos a Heide e Hamburg. Era chegada a hora de usar o celular. Chegamos às 23:39 em casa.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Kleine Panik

Philip trabalha num maternal deveras diferente: é fruto de uma iniciativa de pais, é em parte gerido pelos pais (que se revezam na preparação do almoço), é localizado numa casa e conta com 8 crianças.
Depois de nos mostrar o maternal, fomos ao parquinho do bairro, onde Philip costuma levar as crianças. O parquinho estava cheio de pais e crianças pequenas. Pensamos que fosse a comemoração de um aniversário, mas era uma tarde normal em que as crianças do maternal interagiam com a vizinhança local.

Eu mesmo que fiz

Philip mora num trailer. A limpeza do terreno (tomado por uma espécie de framboesas cheias e espinhos) e grande parte da engenharia arquitetônica dentro do trailer foi ele mesmo que fez.
O rapaz que aprendeu a tocar bateria e ensinou um método próprio de tocar bateria agora toca guitarra (plugada num amplificador que ele mesmo construiu).
O que se vê na foto de cima não é o guarda-roupa, mas o ateliê de costura. Philip costura bolsas, pochetes, carteiras etc. O guarda-roupa fica acima da cama, como se vê na foto abaixo.

De bicicleta para Syke

Depois de 40 anos de espera, a população recebeu a segunda metade da ciclovia que liga Nordwohlde a Syke. Tinha sido inaugurada na véspera da nossa chegada. As bicicletas estavam na garagem, o vizinho encheu os pneus e Luis e eu fomos testar a nova via.
Apesar de já ter vivido aqui, me espantei com o respeito e a cordialidade dos motoristas (que diminuem a velocidade, esperam, dão ré pra gente passar)  e com a infraestrutura (via segregada, farol de ciclista, paraciclos em todo canto).

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Desbravando Nordwohlde

Caminhamos até o produtor de frutas e verduras fazendo o caminho mais longo. No trajeto, havia campos de trigo
 plantação de aspargos
 vicunhas!
e macieiras de diversos tipos. Passamos também por campos de morangos, mirtilos, framboesas e Johannisbeeren, que as pessoas podem coletar e pagar por peso.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Atravessamos o Atlântico

Luis e eu saímos de casa em Santa Maria às 8 da manhã. Fomos de ônibus (4 horas) a Porto Alegre, onde encontramos a Oma e pegamos um avião a Guarulhos (aproximadamente 1 hora). Depois de 5 horas de espera, embarcamos para Frankfurt (12 horas de voo). Como ela está prestes a completar 94 anos, solicitamos uma cadeira de rodas para ela. Os funcionário da companhia aérea sempre vieram junto (em Frankfurt, a moça ficou ao nosso lado até embarcarmos no trem) e conheciam os atalhos nos aeroportos. Nunca passamos tão rapidamente por todos o lugares em que os outros viajantes engatam e filas.
Em tempo recorde, comprei uma passagem de trem para estrangeiros para duas pessoas e ainda conseguimos entrar no mesmo trem que Ulla e Oma (mais 4 horas). 36 horas e meia depois de termos iniciado nossa viagem transatlântica, chegamos na estação de Syke, onde os meus pais nos buscaram.

domingo, 11 de agosto de 2013

Livros em local seguro

Campos de abacaxi no entorno de Marataízes
Perguntei pro Luis se a gente ia casar com separação de bens ou não. Ele disse que os bens dele são os livros que ele tem. E como ele foi despejado do apartamento, tivemos que colocar os livros em local seguro: Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo.
Praia das Neves
Alugamos um carro com caçamba grande, enchemos a caçamba de livros e partimos. Como o Rio de Janeiro é muito mal sinalizado (sério!), demoramos a sair da cidade. Quando chegamos em Cachoeiro, estava rolando uma festa cheia de adolescentes (promovida pelo sobrinho) na casa do pai do Luis. Descarregamos o carro e tocamos pra Marataízes.
Paisagem lunar na Praia das Neves
Na volta, fomos pelo litoral, à procura de pitangas nativas. Não era época de pitangas, mas descobrimos que haviam inaugurado a ponte que liga o ES ao RJ via litoral.
Búzios
Escolhemos dormir em Búzios, mas custamos a entender a geografia da cidade. A cada dois quilômetros achávamos que a cidade tinha acabado. E nas ruazinhas residenciais, as placas indicavam o centro por meio de milhares de curvas. Ouvíamos o som do mar, mas não chegávamos à praia pública.
Bom dia em Búzios
Os livros estão em local seguro e nós fizemos uma viagem de mini-férias no litoral.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Revolta em Jacy-Paraná

Depois das revoltas em Jirau de março de 2011, agora é a vez dos ribeirinhos removidos em função da usina de Jirau denunciarem as péssimas condições em que vivem. E os que ainda não foram removidos, não têm informação alguma sobre o futuro. Além de não terem saneamento básico (a água é de poço, mas como a área está alagada, a água do poço é contaminada pela água da fossa), contam com uma única Unidade Básica de Saúde com equipe reduzida, sobrecarregada que não recebe auxílio transporte (para se deslocar de Porto Velho a Jacy) nem auxílio alimentação.

O distrito [de Jacy] concentrou a maior parte dos trabalhadores que se deslocaram à região de Porto Velho para a construção das barragens do Madeira, além de ser atingido pelo reservatório das duas hidrelétricas. Em cinco anos, a população de Jacy Paraná saltou da faixa de 3 mil habitantes para cerca de 20 mil. (Fonte: http://www.mabnacional.org.br/noticia/atingidos-jacy-paran-prometem-manter-mobiliza-es-ap-s-omiss-das-empresas)

Anteontem, trancaram a BR 364 (única via de acesso terrestre a Porto Velho, Rondônia) em protesto contra a ausência do Estado e cobram a contrapartida da usina. Quando quiseram apresentar a pauta de reivindicações, nem o prefeito nem qualquer representante da usina compareceu.

O responsável pela hidrelétrica de Jirau é o consórcio Energia Sustentável do Brasil S.A., formado pelas empresas GDF Suez (50,1%), Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Camargo Correia Investimento em Infraestrutura (9,9%). 49% das ações do consórcio são controladas por estatais e o BNDES financiou 7 bilhões de reais para a construção da usina, aproximadamente 70% do valor total.
O processo de implementação da usina é marcado por um conjunto de fatos que evidenciam o descumprimento da legislação ambiental, trabalhista e a violação dos direitos humanos dos trabalhadores da obra e das populações atingidas. (Fonte: http://www.mabnacional.org.br/noticia/mab-e-moradores-jaci-paran-trancam-rodovia-em-rond-nia)
Os operários que construíram a usina voltam aos seus locais de origem, fica o legado:

Hoje as obras estão sendo concluídas e os postos de trabalho no canteiro de obras estão se fechando. Neste contexto o caos social se intensifica com a diminuição do comércio e empregos indiretos que atraíram milhares de pessoas à região. O que resta hoje são menos terras férteis para os agricultores, menos florestas para o extrativismo, menos peixes para os pescadores, menos áreas de mineração, menos condições de atendimento médico, menos vagas nas escolas, menores condições de saneamento básico e moradia digna. Ficam mais famílias atingidas por barragens, mais famílias sem terras, sem teto, sem condições de produção, mais violência, principalmente contra crianças, mulheres e adolescentes.

Segundo o relatório (Relatório Nacional para o Direito ao Meio Ambiente Plataforma Dhesca Brasil) da Plataforma Dhesca, apresentado ainda em 2011, entre as várias consequências estão:
 - O aumento de homicídios dolosos cresceu 44% em Porto Velho entre 2008 e 2010, e a quantidade de crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual subiu 18%. O número de estupros cresceu 208% em Porto Velho entre 2007 e 2010;
- A migração para o município de Porto Velho foi 22% superior ao previsto no Estudo de Impacto Ambiental.
(A matéria completa pode ser lida aqui.) Onde está meu futuro marido? Lá, onde não tem delegacia, iluminação pública, asfalto, coleta de lixo, creche, agência bancária, nem pega sinal de celular.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Desconforto e o consumo de energia

Quando eu morava em Porto Velho, percebi que os picos de consumo doméstico de energia elétrica se davam nos meses mais quentes (quando ventiladores e ar-condicionados eram mais requisitados). Agora que acabo de pagar a conta de junho, vi que o pico de consumo no meu histórico em Santa Maria se dá nos meses frios. O chuveiro elétrico (que nessas manhãs em que faz 4ºC não chega a esquentar a água, na verdade só impede que blocos de gelo caiam em mim) e os aquecedores (tenho dois desde que minha vó veio me visitar) estão sendo mais requisitados nesses dias em que o frio faz os ossos doerem.

Ontem a energia do prédio caiu uma vez, anteontem a queda aconteceu quatro vezes. O proprietário mandou um sócio, morador do prédio, investigar. A investigação foi, nas palavras do Luis, uma caça às bruxas: ele foi batendo de porta em porta, perguntando quem tinha trocado o disjuntor do apartamento. Eu troquei, porque o disjuntor não suportava a carga que o chuveiro demandava. Entendo que se os meus disjuntores eram baixos, o disjuntor geral do prédio (que desarmava por causa da sobrecarga) está afinado com os disjuntores pouco potentes dos apartamentos.

Depois o proprietário ligou, perguntando o que estava ligado no meu apartamento durante a queda da energia. Descartou o meu apartamento como sendo a origem do problema. Será que é tão difícil de entender que é o conjunto de todos os equipamentos ligados que sobrecarregou o disjuntor geral defasado que causou as quedas de energia? Será que ele pensou num rodízio de banhos quentes ou de períodos em que o ar-condicionado/ aquecedor pode ser ligado?

Os ar-condicionados daqui do sul também esquentam o ar. E de noite (quando acontecem as quedas de energia no prédio) praticamente todos (exceto o meu, que veio do Norte, onde eles só esfriam o ar) estão ligados. Eu sei pelo barulho e pela chuva que cai na minha área externa.

O frio está bravo e o prédio não tem um disjuntor geral que dê conta da necessidade de cada morador se aquecer. O problema, como no caso das manifestações, é estrutural e não adianta criminalizar indivíduos pelo descompasso entre a infraestrutura e as demandas.

terça-feira, 23 de julho de 2013

ABC da greve (1979) de Leon Hirszman


Este filme de Leon Hirszman é sobre a primeira grande greve fora da fábrica. Luis me indicou o filme como sendo o melhor registro da classe trabalhadora brasileira exigindo seus direitos no fim dos anos 70. Aos olhos dele, saltou como Lula negociava o tempo todo posições cambiantes. Aos meus olhos saltou como o cineasta conseguiu, com sutileza, demonstrar a sua posição em relação ao trabalhador e a greve.

Ao acompanhar o empresário dirigindo seu carro e mostrando a favela onde vivem os operários e o bairro onde vivem os empresários em suas casas boas com garagens grandes, o cineasta mostra claramente o grau de proximidade entre o empresário que se diz democrático e os trabalhadores. A relação entre eles é mediada pelo produto montado pelos operários que não têm sequer dinheiro para sustentar a família. O detentor dos meios de produção usa o produto do trabalho dos operários para apontar o abismo existente entre as duas classes. O empresário só vai à favela (que fica ao redor da fábrica) de carro. Ao filmar os metalúrgicos desviando o olhar da fornalha e o que dela sai, o trabalho repetitivo, monótono e extenuante, ao fixar a câmera num operário que não faz nada a não ser respirar, nos sentimos próximos da rotina da fábrica. As imagens falam por si: são os argumentos pela melhoria de condições do trabalhador.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Na outra ponta do país

Fofocas: garimpo a cada 500 metros
Luis está em Porto Velho. Recentemente foi visitar o Jairo, que mora no Maravilha, do outro lado do rio; e mandou fotos que ele fez do Madeira. As dragas voltaram a extrair ouro do rio, as fofocas poluem a paisagem.
João aprendendo a pescar de tarrafa
No rio também tem praia, depende da estação (cheia ou seca). Agora, no inverno amazônico, chove pouco, então se tornam visíveis os bancos de areia. A mesma lua que Luis fotografou aparece nas minhas fotos de ontem.
Pôr do sol na praia do Madeira
A ideia tinha sido pescar no rio de noite, mas como a usina de Santo Antônio está aumentando a vazão de noite, o banzeiro estava muito forte. Tanto, que penaram para alcançar a margem e lembraram de relatos de pessoas que morreram navegando o rio imprevisível (por causa das comportas abertas da usina) de noite.
Peixe assado
Comeram peixe comprado mesmo. Os relatos me transportaram para o cenário. Durante a conversa telefônica, consegui abstrair o pé gelado, o aquecedor ligado, a sopa.

domingo, 21 de julho de 2013

Winter

Pra mim, o inverno em Santa Maria começou no outono.
Na última vez que vim de Porto Alegre a Santa Maria de ônibus, a temperatura foi baixando
de grau
        em grau
                dos 20ºC
                         aos 15ºC.
A tendência, conforme a previsão do tempo, é de temperaturas girando em torno de 1ºC. A imagem usada pelo Climatempo não é o sol nem a nuvem, mas estalactites de gelo.
Não entendo como podem os maracujás achar que darão bons frutos nesse frio.

sábado, 20 de julho de 2013

Schlafes Bruder

No filme de Joseph Vilsmaier, Schlafes Bruder (1995), Elias é tocado pela canção que a parteira canta e só então emite o aguardado sinal de vida. Antes desse sopro melódico entoado em desespero diante da criança inerte, só havia tensão. No momento do batismo, a criança chora ao escutar a voz do padre e só se acalma com o som do órgão desafinado.

Elias tem ouvido absoluto e se dá conta de que pode animar o mundo através dos sons. Deitado à beira de um rio numa pedra em forma de pegada humana, Elias entende que tem um dom musical. Nesse momento místico, seus olhos assumem outra cor. A testemunha que presencia o novo nascimento do menino é seu amigo, Peter, que se sente tocado por essa entrega e transformação.

Quando Elias canta, as pessoas do vilarejo perdido entre os Alpes não dormem. Quando recebe aulas, é reprimido pelo professor. Quando pretende anotar os sons que ouve dentro de si, desenha curvas porque não aprendeu as notas. Elias não se encaixa na vida funcional do vilarejo: não planta, não constrói, não mata, não colhe, não trabalha. Mas quando Elias conserta o órgão (depois de dedicado trabalho de restauração em parceria com Peter), o organista comete suicídio - e assim cede seu lugar a Elias.

Antes da irmã de Peter, Elsbeth, nascer, Elias sente seus batimentos cardíacos. O coração do menino e da menina que ainda não veio ao mundo tocam no mesmo compasso, com a mesma voz. É essa harmonia que prende Elias a Elsbeth. Peter se sente ligado a ele pela música que Elias levará ao mundo. Elsbeth se sente ligada a Elias, mas eles nunca se tocam. Outro triângulo se forma: Elsbeth é prometida a Lucas - que entende que a moça tem dois corações.

Elias leva Elsbeth à pedra no rio em que teve sua revelação, compartilha com ela o presente que lhe foi dado. Mas ela está numa vibração paralela. Ela não consegue absorver o significado daquilo que dá sentido à vida dele.

Peter chega a acariciar Elias, Elsbeth lhe cobra provas de amor, mas Elias não consegue dar outra expressão aos seus sentimentos a não ser na música. Cada um embarca, impermeável, no seu projeto, na sua bolha. As quatro pessoas que formam os dois triângulos se esforçam muito para alcançar o outro, mas estão demasiado preocupadas em satisfazer a si mesmas. Enquanto toca o órgão da igreja, Elias sente, pelas palpitações aceleradas, que perdeu a amada para Lucas. Vai, desencantado, até o louco do vilarejo e ouve dele uma sentença fatal: quem ama não dorme. Essa frase, pronunciada em meio a um fluxo de descrições de si mesmo (não se pode dizer que Michael dialoga com Elias: cada um está mergulhado no seu mundo interior) torna-se a tônica do resto da vida de Elias.

Peter, que detesta o vilarejo em que seu amor está aprisionado e não pode aflorar, incendeia o vilarejo. Elsbeth e Lucas partem com os outros para a cidade, Elias e Peter permanecem na igreja até que um inspetor de órgãos os leva para a cidade, para um torneio de organistas. Quando o desconhecido Elias começa a tocar a peça Schlafes Bruder, o público estranha. Peter e Elsbeth, no entanto, reconhecem e compreendem a sua música. Elias percebe a presença de Elsbeth, chega a ouvir sua voz, mas não a encontra na multidão.

Acompanhado de Peter, ele volta à pedra. Lá espera, sem dormir. A morte chega antes de Elsbeth e leva Elias e a pedra.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

...mas tinha que respirar


Maria Bethânia cantando Arnaldo Antunes: Debaixo d'água e Agora

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Alberta, a vaca malhada

No disco do Eric Clapton de 1992, acho que um dos primeiros unplugged, tem uma música que desperta a minha imaginação de maneira inusitada. Sempre associei a música Alberta a uma vaca. Uma vaca malhada e simpática que passou a noite fora de casa e com isso entristeceu seu amigo cantador. Talvez, pra chegar na vaca, a minha mente tenha excluído a possibilidade do caminho que leva Alberta a uma figura de mulher. Alberta não constava, no meu imaginário, como nome de gente. Por alguma razão, eu tinha clareza que o caminho de Alberta à vaca malhada passa por leite.

Desde que ouvi o CD pela primeira vez, Alberta era, pra mim, a vaquinha na música de Eric Clapton. Eu achava engraçado um cara que chorava a morte do filho em Tears in Heaven, declarava seu amor por Layla e cantava os altos e baixos em Nobody knows you when you're down and out, cantar, no mesmo disco, com ares ébrios sobre a vaca que passou a noite fora de casa. Mesmo assim, eu via a cena: de madrugada, o cara chega em casa bêbado e percebe que a vaquinha malhada não está lá. Então ele canta e chama pela vaca, repetindo tudo - como todo bêbado - pelo menos duas vezes.

Recentemente tive saudades desse disco e o ouvi inteiro. Alberta é a faixa 10. Na faixa 12, tem Malted Milk. Caiu a ficha por que Alberta, cantado de maneira pouco romântica, tinha a ver com leite e vaca: Malted Milk, Malted milk/ keep rushing to my head

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre as manifestações

Publicado no Brasil de Fato