sexta-feira, 26 de julho de 2013

Revolta em Jacy-Paraná

Depois das revoltas em Jirau de março de 2011, agora é a vez dos ribeirinhos removidos em função da usina de Jirau denunciarem as péssimas condições em que vivem. E os que ainda não foram removidos, não têm informação alguma sobre o futuro. Além de não terem saneamento básico (a água é de poço, mas como a área está alagada, a água do poço é contaminada pela água da fossa), contam com uma única Unidade Básica de Saúde com equipe reduzida, sobrecarregada que não recebe auxílio transporte (para se deslocar de Porto Velho a Jacy) nem auxílio alimentação.

O distrito [de Jacy] concentrou a maior parte dos trabalhadores que se deslocaram à região de Porto Velho para a construção das barragens do Madeira, além de ser atingido pelo reservatório das duas hidrelétricas. Em cinco anos, a população de Jacy Paraná saltou da faixa de 3 mil habitantes para cerca de 20 mil. (Fonte: http://www.mabnacional.org.br/noticia/atingidos-jacy-paran-prometem-manter-mobiliza-es-ap-s-omiss-das-empresas)

Anteontem, trancaram a BR 364 (única via de acesso terrestre a Porto Velho, Rondônia) em protesto contra a ausência do Estado e cobram a contrapartida da usina. Quando quiseram apresentar a pauta de reivindicações, nem o prefeito nem qualquer representante da usina compareceu.

O responsável pela hidrelétrica de Jirau é o consórcio Energia Sustentável do Brasil S.A., formado pelas empresas GDF Suez (50,1%), Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Camargo Correia Investimento em Infraestrutura (9,9%). 49% das ações do consórcio são controladas por estatais e o BNDES financiou 7 bilhões de reais para a construção da usina, aproximadamente 70% do valor total.
O processo de implementação da usina é marcado por um conjunto de fatos que evidenciam o descumprimento da legislação ambiental, trabalhista e a violação dos direitos humanos dos trabalhadores da obra e das populações atingidas. (Fonte: http://www.mabnacional.org.br/noticia/mab-e-moradores-jaci-paran-trancam-rodovia-em-rond-nia)
Os operários que construíram a usina voltam aos seus locais de origem, fica o legado:

Hoje as obras estão sendo concluídas e os postos de trabalho no canteiro de obras estão se fechando. Neste contexto o caos social se intensifica com a diminuição do comércio e empregos indiretos que atraíram milhares de pessoas à região. O que resta hoje são menos terras férteis para os agricultores, menos florestas para o extrativismo, menos peixes para os pescadores, menos áreas de mineração, menos condições de atendimento médico, menos vagas nas escolas, menores condições de saneamento básico e moradia digna. Ficam mais famílias atingidas por barragens, mais famílias sem terras, sem teto, sem condições de produção, mais violência, principalmente contra crianças, mulheres e adolescentes.

Segundo o relatório (Relatório Nacional para o Direito ao Meio Ambiente Plataforma Dhesca Brasil) da Plataforma Dhesca, apresentado ainda em 2011, entre as várias consequências estão:
 - O aumento de homicídios dolosos cresceu 44% em Porto Velho entre 2008 e 2010, e a quantidade de crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual subiu 18%. O número de estupros cresceu 208% em Porto Velho entre 2007 e 2010;
- A migração para o município de Porto Velho foi 22% superior ao previsto no Estudo de Impacto Ambiental.
(A matéria completa pode ser lida aqui.) Onde está meu futuro marido? Lá, onde não tem delegacia, iluminação pública, asfalto, coleta de lixo, creche, agência bancária, nem pega sinal de celular.